Fazer craques em casa



Os otimistas já profetizam uma geração como a que revelou Djalminha, Marcelinho Carioca e Júnior Baiano (que foi pulverizada da Gávea como num passe de mágica, mas esta é uma outra história).

Os pessimistas acham que a conquista da Copa São Paulo significa pouco. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Seguindo a cartilha dos gestores de RH, que recomendam nas avaliações de funcionários focar primeiramente nos defeitos e depois nas virtudes, vamos lá:

a Copa São Paulo deixou de ser uma competição muito relevante do ponto de vista da revelação de talentos.

Não necessariamente quem brilha na Copinha brilhará anos depois no profissional. Na mesma medida que o fracassado da Copinha não necessariamente fracassará quando subir de categoria. Os exemplos dos dois lados são vários: Lucas brilhou na Copinha em 2010 e agora é titular do São Paulo.

Kaká foi reserva quando disputou a Copinha. Neymar disputou duas edições e não apareceu.

O Corinthians foi campeão em 2009 e nenhum jogador daquele elenco vingou. Boquita, a fera daquele time, foi negociado este ano com o Bahia.

O goleiro rubro-negro César mostrou qualidades (salvou o time com várias excelentes defesas). Mas não se pode esquecer que Marcelo Lomba até campeão do mundo foi pelas divisões de base.

E que depois de um ano irregular em 2010 com a camisa 1do Fla, foi emprestado à Ponte Preta.

Muralha parece ser um volante de talento, bem como Negueba, incorporado ao elenco principal, aprovado por Luxemburgo.

Mas não se pode imaginar o que serão estes garotos daqui a alguns anos. Também porque a idade limite da Copinha é agora de 18 anos e até esta idade a trajetória de qualquer jogador é normalmente irregular.

Entretanto, o título brilhantedo Flamengo pode servir de base para um futuro promissor. Primeiramente porque reacendeu uma tradição do Rubro-Negro, a de revelar jogadores.

Um título atrai talentos, mais garotos podem querer jogar no clube, as chances de que outros bons grupos surjam no clube aumentam.

Não que bons valores não tenham aparecido no vácuo entre o título de 90 e o desta terça-feira. Mas um triunfo faz os holofotes se voltarem para a base do clube. Aí é que o Flamengo pode ganhar.

Entre soluços e abraços emocionados, os garotos heróis do Pacaembu lembraram das dificuldades que o time teve para treinar e da falta de estrutura do clube.

E Patrícia Amorim prometeuolhar a base ainda com mais carinho.

Negueba, Muralha e outros podem virar grandes jogadores, dependendo de como forem tratados pelo Fla e do talento de cada um.

Mas se isso não acontecer (e a torcida é que aconteça) eles podem servir como um novo pontapé inicial de algo que sempre esteve no DNA do Flamengo: a de que craque se faz em casa.



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