Lugar da taça é no campo



Este texto abaixo foi  originalmente postado em 08 de dezembro de 2010, dois dias após a festa de premiação da CBF que ocorreu no Rio de Janeiro. Resolvi postá-lo de novo porque ele segue muito atual.

 

Premiar os melhores de um campeonato é muito importante. É um ótimo resumo do que foi a competição e fecha de maneira interessante o ano do futebol. Neste sentido, a premiação oferecida pela CBF merece elogios.

No entanto, o formato atual da cerimônia é um convite para transformar o evento numa verdadeira várzea, como aconteceu segunda-feira à noite no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e já havia acontecido em anos anteriores.

O que era para ser uma festa de gala virou arquibancada: bandeiras, camisas do Fluminense, sucessão de vaias às diferentes figuras que subiram ao palco (não que algumas não merecessem, mas o propósito do evento era premiar e não protestar).

Em um cenário em que se misturavam cartolas, políticos, jogadores de terno e torcida não poderia dar outra: o presidente do Corinthians deu uma alfinetada no campeão Fluminense e foi bombardeado por vaias.

Mas quem estava lá queria o quê? Em uma arquibancada travestida de teatro, baixou o lado torcedor em Andres Sanchez.

No fim da cerimônia, um pedaço do teto do teatro desabou. E na saída, até a taça tentaram afanar.

A taça, aliás, está no centro desta discussão. Ela não poderia ser entregue em uma festa com engravatados dentro de um teatro. O lugar da taça é no campo, erguida pelas mãos dos campeões, todos de camisas do clube encharcadas pela última batalha.

A taça é para ser vista ao vivo por quem foi ao estádio e não em um palco de teatro depois de show de humor, mágicas, música, apresentadores com falas ensaiadas e engraçadinhas e discursos constrangedores de políticos.

Desde o último apito da carreira de Simon (que decretou o título do Fluminense) até os jogadores poderem segurar e erguer o troféu em triunfo se passaram nada menos do que 27 horas!

Boa parte da emoção do momento se perdeu neste tempo. Sobrou um protocolo ensaiado, com jogadores visivelmente desconfortáveis em seus ternos milionários.

Quando se vê um Conca de terno e gel, todo engomadinho erguendo o troféu, quase não se reconhece ali um herói que suou a camisa verde, branca e grená por longas 38 jornadas.

Se o problema era que na última rodada três times estavam na briga pelo título, que se fizesse três troféus e se colocasse um em cada estádio. Os que não fossem usados, seriam devolvidos para a CBF. Dinheiro para fazer três taças não é problema.

Ter uma festa para premiar os melhores de um campeonato tão espetacular como o Brasileirão é obrigatório e a CBF fez muito bem em criar a cerimônia. Mas  nos próximos anos ela poderia ficar restrita  a jogadores e convidados.

Lugar de torcida e de entrega da taça é no campo. Político oportunista e cartola espertalhão deveria estar em outro lugar, fora do futebol.



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