Pênalti virou protagonista



Depois de Neymar ter desperdiçado o chute contra o Grêmio Prudente e de a dupla Conca/Washington disputar para ver quem cobraria contra o Atlético-PR, os pênaltis voltaram a dominar o noticiário pós-rodada do fim de semana.

A mais fatal das marcações do futebol tem aumentado a cada dia sua importância.

Tanto que é impressionante o esforço que jogadores fazem para conseguir a marcação de um pênalti para seu time. Às vezes, maior até do que a de se fazer um gol.

O escritor canadense Adam Gopnik diss: “O método mais comum de conseguir um pênalti (…) é entrar na área com a bola, ser soprado e imediatamente desmaiar (…) com braços e pernas estendidos, enquanto você rola de agonia e suplica por morfina. Seus colegas franzem o cenho pela perda trágica de uma vida tão jovem. O árbitro cai nessa com mais frequência do que se imagina. Depois do jogo, a discussão sobre se ele se jogou ou foi empurrado dura horas.”

Gopnik assistiu à Copa de 98 pela TV e escreveu para a revista “New Yorker”, como conta o livro “Soccernomics” (Simon Kuper e Stefan Szymanski).

Porém, depois de conseguir um pênalti, alguns jogadores têm se esforçado para fazer o mais complicado (e menos recomendável) nas cobranças.

Montillo inventou uma cavadinha e ajudou na derrota de seu time para o rival Atético-MG.

Neymar perdeu sua décima cobrança em 16 tentativas, um número alto. Depois da proibição da paradinha, pênaltis têm sido uma dificuldade para o garoto da Vila Belmiro.

Rivellino, cracaço do futebol brasileiro, era mas honesto com ele e com os outros: admitia não saber bater pênaltis e, simplesmente… não batia.

Diferentemente de Edmundo, que passou a carreira perdendo cobranças e nunca desistiu.

Debaixo de uma pressão enorme pelo jejum de gols a favor e pelo gol contra feito, Washington queria cobrar o pênalti contra o Furacão. Conca evitou o pior: uma falha do Coração Valente e a irritação maior ainda da torcida (que já anda com quase ne-nhuma paciência com o atacante).

A pergunta que se faz: o que Washington ganharia se cobrasse o pênalti? Se fizesse, não teria feito mais do que a obrigação. Se perdesse, seria condenado.

O futebol, por ser um esporte de pontuação muito baixa, faz com que uma penalidade tenha uma importância enorme e possa muitas vezes decidir uma partida.

A frase de que o pênalti, de tão importante que é, deveria ser batido pelo presidente do clube está tão viva como sempre. E os personagens do futebol se esforçam para deixar esta marcação cada vez mais como protagonista dos jogos.



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