Craques apenas dentro de campo



Esta é a minha coluna publicada nesta quarta-feira (29/09) no Diário LANCE!. Dê o seu pitaco sobre ela.

De tão raro, quando alguém ligado ao futebol se coloca claramente contra as mazelas do esporte a coisa ganha eco. Foi o que aconteceu com Luís Felipe Scolari, que usou o microfone para reclamar (e com toda a razão) dos gramados a que os jogadores têm sido submetidos neste Brasileirão.

São reclamações que fazem muito bem, principalmente quando saem da boca de alguém de peso como o técnico palmeirense. Talvez nenhum treinador brasileiro atualmente tenha tanta respeitabilidade. Declarações assim abrem os olhos de todos para a questão e o assunto passa a ser discutido.

Felipão está longe de ser um militante contra os problemas do futebol. Embora sempre tenha sido bem direto em suas entrevistas, raramente levantou este tipo de assunto em público.

O treinador não é exceção, mas regra. No Brasil, muito poucas estrelas utilizam sua importância para levantar temas assim.Em nosso país, a rebeldia está muito mais ligada à quebra de hierarquia, malandragem e à  indisciplina rasteira do que a questões mais de fundo.

Não à toa, nossos rebeldes são Romário, Edmundo, Renato Gaúcho e agora até Neymar.

As declarações fortes desta turma nunca têm profundidade. As frases famosas de Romário normalmente são algum tipo de brincadeira que faz sucesso porque viram notícia na mídia, para delírio da turma, que repete: “o futebol está muito chato, precisamos de mais gente assim.”

Por outro lado, você já viu alguma vez algum destes astros na liderança de alguma reinvindicação mais séria para a classe?

Ronaldo, o maior artilheiro das copas do mundo e atualmente o maior astro em atividade no futebol brasileiro nunca se meteu a falar sobre os problemas do nosso futebol.

Quer dizer, uma vez reclamou quando um repórter desastrado acertou um microfone na sua cara. Aí, ele comparou e disse que na Europa as coisas são mais organizadas.

Reclamar só quando é atingido é muito pouco para um ídolo do quilate de Ronaldo Fenômeno. Imagine a contribuição que ele poderia dar ao esporte se fosse mais engajado.

Os nossos jogadores estão atuando em campos que são verdadeiro moedores de joelhos e tornozelos, mas custou para alguém reclamar em voz alta disso.

E a letargia não é privilégio só de quem joga. No Flamengo, torcedores preferem ameaçar jogadores e comissão técnica na porta do vestiário em vez de estar ao lado deles e reclamar contra quem fecha o Maracanã e permite essa tortura.

O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol nem sequer veio a público para reclamar dos nossos gramados até agora.

Como bem disse Felipão, estamos felizes por sediar a Copa de 2014, mas até lá viveremos este caos? Pena que a reclamação dele é uma exceção. Nossos astros deveriam ser mais craques também fora de campo.

Twitter: @etironi



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