A Alemanha multirracial



O sucesso da Alemanha na Copa do Mundo revela um país que começa a entender, aceitar e, mais do que isso, orgulhar-se de seu caráter multirracial. 11 dos 23 jogadores que estão na África do Sul são descendentes de imigrantes que, historicamente, são tratados de maneira preconceituosa no território nacional.

A Alemanha de Ozil (turco), Boateng (ganês), Khedira (tunisiano), Cacau (brasileiro), Klose e Podolski (poloneses) é o inverso da França de Evra, Sagna, Diarra (senegaleses), Govou (de Benin) ou Cissé (da Costa do Marfim).

A primeira se mostra unida e e está na semifinal da Copa do Mundo, exibindo o melhor futebol entre todas as 32 seleções até aqui.

A segunda foi humilhada na primeira fase e escancarou sua falta de união, um terrível espírito de cada um por si e um total desprezo às cores francesas.

Há quatro anos, na Copa de 2006 presenciei ao vivo o renascimento de um país do ponto de vista da unidade. Era a Alemanha na copa do mundo que sediou.

Não havia uma só janela de casa ou prédio no país que não ostentasse uma bandeira amarela, vermelha e preta. O time da Alemanha de 2010 parece ser um desdobramento e um espelho daquele novo país que se mostrou ao mundo.

A extrema-direita alemã não aceita o time de Ozil e companhia como genuinamente alemão, mas na última eleição parlamentar o partido que a representa teve menos do que 1,5% dos votos.

O último parágrafo de uma uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o assunto resume o sentimento do país.

Um senhor alemão branco de olhos azuis entra em uma loja e vê na manchete de um jornal a foto de Ozil, autor do gol da Alemanha contra Gana. Ele diz:

– Um turco nos salvou.

O dono da loja responde:

– Esse aí não é um turco. É alemão.



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