Ficar ou não na história



Esta é a coluna que escrevi para o diário LANCE! nesta segunda-feira, 22 de março. Comentem!

Desconfio que a perseguição ao futebol bonito tenha ganhado força após a Copa de 82, quando a Seleção Brasileira encantou, mas não levou. Ou seria em 74, quando a Holanda encantou mas não levou? Tanto faz, a questão é que até o jeito de jogar bonito, salvo em raríssimas excessões, é visto com a maior naturalidade por boa parte dos amantes do futebol como uma coisa do passado, que não deve ser levada a sério… um fanfarronice de pouco fôlego (dura até a primeira cacetada que o time tomar).

O Santos não ganhar nada, por exemplo, já virou questão de honra para os defensores do “o que importa é ganhar”. Creio que nunca o time da Vila suscitou tanta raiva nos adversários. Isso porque um bando de moleques (no bom sentido) joga bonito, deixa jogar e comemora seus gols com dancinhas.

A Copa do Mundo vem aí e qual é a definição mais ouvida sobre o time de Dunga? É um time “eficiente”. Nunca se ouviu adjetivos “bonito”, “encantador”. Nem sequer de “brasileiro” o futebol da seleção foi chamado nos últimos quatro anos. Em vez disso, ouviu-se “guerreiro”, “seguro” e outras qualidades.

No comando da Seleção Brasileira está o símbolo maior do que é o futebol prático e eficiente, não necessariamente bonito. É baseado neste tipo de jogo que vamos tentar o hexa na África do Sul. As chances de dar certo e o time levar a taça são grandes, mas vamos projetar o futuro: se o título vier, o grupo entrará para a história. Dunga será alçado de novo à categoria de herói (com toda o merecimento).

Mas se o hexa não vier, o time de Dunga será só um retrato opaco na parede. Um time tão derrotado como a Seleção de 82, mas muito menos importante para a história. Vai desaparecer sem deixar saudade. 

 



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