Até onde se pode ir?



O caso Adriano e Vágner Love e suas aventuras nas favelas renderia editoriais, resposta do ombudsman, entrevista com o editor chefe, entrevista com o editor de esportes, opinião do editor de polícia… tudo isso no “New York Times” se acontecesse nos Estados Unidos.

Não porque os Estados Unidos é um país melhor do que o Brasil (é em alguns aspectos e não é em outros), mas porque o “New York Times” é o jornal do mundo que mais discute jornalismo. Os limites, os deveres, a ética, o interesse do leitor… enfim, é um local em que se discute em altíssimo nível o bom jornalismo.

Nas redações pelo Brasil esta discussão também está na pauta.  Talvez em um volume menor do que deveria, mas está.

O que é de interesse para o leitor? O que é só a vida particular do atleta e que não devemos focar? Há uma linha quase invisível separando uma coisa da outra.

Muitas vezes limites são ultrapassados. Em outras, o excesso de prudência faz com que não sejam divulgadas informações importantes para o cidadão, torcedor, o leitor. Natural, para um tema que ninguém (repetindo: ninguém, jornalista ou não) tem as respostas definitivas.

Sem querer ser o ombudsman da imprensa brasileira (nem teria esta capacidade), coloco aqui meus pontos de vista sobre a questão.

É louvável por parte de Adriano e Vagner Love não virar as costas para o lugar onde nasceram.

 A frase que Love deu para a TV Globo após ser filmado acompanhado de homens armados na Rocinha é de uma sinceridade elogiável: “Pessoas armadas na favela é a coisa mais normal do mundo”.

 De maneira involuntária até, o jogador quis dizer: “Há um mundo no morro que, quem não é de lá, não conhece e não entende.” Um mundo abandonado pelo Estado, mas que ele, Love, não abandonou. Portanto, a presença dele na favela não tem nada demais.

Não se pode cobrar de Adriano ou Vagner Love o papel de exemplo. Porque eles não têm a cabeça de quem sempre teve comida na mesa, roupa para vestir, escola para ir. Eles não sabem dar exemplo quando vêm de um mundo que não é exemplo para nada. Portanto, é simplista demais imputar uma responsabilidade dessas sobre eles.

Porém, tanto Love quanto Adriano são cidadãos. E cidadãos especiais, porque são famosos. Quando um cidadão convive com traficantes, está sujeito a ser investigado. Quando um cidadão dá uma moto para a mãe de um traficante, ele deve ser ouvido sobre o assunto pela polícia. E a imprensa tem a obrigação de levar isso ao público, ao cidadão.

Este é um post que pretende gerar uma discussão em alto nível sobre o assunto. Aguardo seu comentário. Aqui, vale colocar o link para um post escrito depois desse. Acesse clicando aqui



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