Pandemia no tênis



Se os atritos entre ITF e ATP já eram latentes com a questão da Copa Davis versus ATP Cup com Gerard Piqué e David Haggerty como principais pivôs, agora parece instaurada uma verdadeira “pandemia do tênis” após o anúncio unilateral de Roland Garros com a mudança de data.

O circuito está paralisado por seis semanas e as notícias que escutamos de casos crescendo de forma exponencial pela Europa (Itália, Espanha, França e Alemanha como epicentros no momento) nos fazem crer que esse prazo provavelmente deve ser ampliado e prejudicar por completo (no mínimo) a temporada de saibro, mas seria no mínimo coerente que o torneio tivesse sentado à mesa para conversar com o restante do circuito (jogadores, técnicos, Board da ATP/WTA e ITF) ao invés de simplesmente dar uma canetada e ligar (pelo visto) apenas para Rafael Nadal.

Ao todo serão 19 eventos afetados desde a Copa Davis com mais de 24 confrontos pelo mundo, a Laver Cup que tem Roger Federer como padrinho, vários ATPs 250, WTAs Premieres principalmente na Ásia, e dois eventos ATPs 500 pós Roland Garros. Sim, quem for à segunda semana em Paris, o Slam mais desgastante do ano, vai repensar em disputar qualquer desses outros eventos que eram lotados de top 20.

Para usar como exemplo, Vasek Pospisil, membro do Conselho de Jogadores da ATP, e Lui Carvalho, diretor do Rio Open e do ATP 250 de Chengdu, na China, usaram as redes sociais e a mídia para chamar o torneio de Paris de “arrogante” em sua decisão. A ATP emitiu um comunicado interno dizendo estar avaliando a mudança e conversando com a ATP, ITF, WTA e os demais Slams e que dará uma resposta em breve.

Qual resposta será ? Não se sabe. A corinavírus vem colocando um fato novo jamais visto no tênis e em qualquer outro esporte no mundo moderno e não se sabe quando poderá arrefecer, mas o momento pede muito diálogo e menos autoritarismo pois adaptar e mudar o calendário não é tão simples como dar uma canetada.

Com tal decisão teremos Wimbledon em julho (que corre certo risco), Olimpíada, US Open no fim de agosto/início de setembro e somente uma semana de descanso para Roland Garros sem provavelmente nenhum torneio no saibro preparatório. Com esse tipo de decisão e tal aperto no calendário é de se imaginar que Roland Garros possa sofrer algum tipo de boicote ou retaliação, principalmente daqueles que não vão muito com a cara de jogar no piso lento.
Se já estava difícil para a ATP e WTA quebrar a cabeça com os cancelamentos e questões de ranking, a situação agora fica cada vez pior e vamos observar os próximos capítulos.

O que a mudança vai gerar ?
Porque os torneios afetados reclamam ? Roland Garros é um Slam. São duas semanas de chave principal, 2000 pontos valiosos e premiação farta. Também muita grana envolvida na organização. Os demais eventos vendem seus ingressos, pacotes para TV, mídia mito por conta dos grandes nomes que atraem. Sem grandes nomes, ou com escassos bons jogadores, fica difícil atrair mais patrocínio e o evento sobreviver. Pior ainda para os eventos da Ásia que só agora passa a se recuperar a crise do COVID-19.

Quem será beneficiado ? Os atletas fora do top 100, entre os 150, 200 do mundo que teriam maior possibilidade de entrada nesses eventos. Vão se transformar em challengers de alto padrão. Mas e aí qual patrocinador quer pagar para uma lista sem nomes atraentes ? Um ou outro evento pode correr o risco.

Mais a fundo sobre a Davis. São 24 confrontos de Grupo Mundial I e II e vários jogadores entre os 105 e 250 do mundo que disputariam nesta semana o quali em Paris. E aí o que o jogador vai preferir ? Defender o país ou jogar o quali de um Slam ? Nem vou responder essa questão que é meia óbvia. O Brasil por exemplo joga no Líbano na Copa Davis. Só para constar.



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