O ano abaixo da crítica do tênis brasileiro 



Não tinha notícia pior para fechar o caixão do tênis brasileiro em 2018. O último presidente condenado a quatro anos de prisão junto com o que era tido como o melhor ou mais conhecido comentarista, Jorge Lacerda e Dácio Campos.
Sou otimista, por isso vejo que 2018 não foi tão ruim assim. Tivemos Thiago Wild vencendo o US Open, ganhando future, indo às quartas de challenger, vencendo o pré-quali do Rio Open e garantindo por enquanto nossa única vaga no nosso maior torneio. Dando uma luz no fim do túnel.
Thiago Monteiro também teve seus lampejos. Fez uma semi de ATP batendo Gael Monfils em Quito e quartas em Hamburgo. Mas foi muito irregular, acabou fazendo uma mudança abrupta no segundo semestre que acabou mais prejudicando do que ajudando e o deixou fora do top 100.
João Souza, que vinha de um ano e meio bem abaixo, terminou bem 2018 vencendo futures no Brasil na sequência e sendo um dos poucos que entendeu o novo ranking de transição já garantindo vaga em dois challengers no começo de 2019.
Do restante, Rogério Dutra Silva teve um 2018 com lesões, terminando bem aquém de 2017, fora dos 150. Thomaz Bellucci teve um 2018 péssimo, seu pior em mais de uma década, pouco produziu nos challengers, teve sequência de derrotas em eventos de médio porte, levou diversas viradas. Para 2019 o horizonte é decisivo para ele, difícil imaginar que aguente mais uma temporada inteira caso não tenha progressos. E Guilherme Clezar não tem como esperar algo grande mesmo, infelizmente.
Pela primeira vez em quatro décadas não vencemos um torneio challenger sequer. Em 2018 somente um evento desse porte foi realizado no país, em Campinas, e outro cancelado, no Rio de Janeiro – este último problema culpa da crise que ainda afeta o país como um todo.
Dos nossos jovens meninos, a CBT deixou de apoiar vários nomes para colocar suas fichas quase que todas em Orlandinho Luz e Felipe Meligeni com o aporte de cerca de 2 mil euros mensais para treinamentos em Barcelona, na Espanha. Orlandinho nem seria tão necessário. Teve verba via Lei de Incentivo Federal com uma quantia considerável enquanto que Felipe carece de patrocínio. Os dois tiveram progressos na mão do super competente Leonardo Azevedo, maior da parte do campineiro que teve evolução técnica, tática, mental e de posição na tabela. Se você olhar ranking por ranking, Orlandinho subiu bem dos 700 para dentro do top 400, mas pelo que tinha como promessa, o ano poderia ser melhor para o gaúcho que terminou jogando torneios de grana sem sucesso. Pior foi fora de quadra. Ver Orlandinho e Felipe dando declarações à imprensa perto do fim de ano sem saber o que fazer para 2019 e mostrando desconhecimento sobre o novo sistema do ranking que já há um ano vem sendo divulgado. Maturidade fora de quadra é decisiva na carreira e 2019 é uma temporada de prova para eles.
Bia Maia voltou a conviver com lesões, ficou afastada, retornou nos últimos meses, mas sem sucesso e vai ter que batalhar nos qualies dos WTAs e torneios challenger.
Teliana Pereira segue convivendo com uma lesão no cotovelo, aproveitou 2018 para casar, viver mais a vida e segue com muitas dúvidas do que irá fazer para o novo ano.
Das nossas meninas a que mostrou mais evolução foi Carol Meligeni e já ocupa a vice-liderança do ranking nacional, mas das nossas profissionais poucas empolgam. Em 2019 Luisa Stefani passa a se dedicar integralmente ao circuito profissional após finalizar a universidade americana em 2018. Thaísa Pedretti começou bem, mas teve lesões e decaiu ao longo do segundo semestre.
No juvenil e na transição nossos jovens talentos que podem despontar, mas é preciso paciência. Gilbert Klier foi quartas em Wimbledon, Bronze na Olimpíada. João Lucas Reis venceu um future e já chegará mais experiente. No júnior, Natan Rodrigues, Mateus Alves e Matheus Pucinelli podem comandar o ano com promessas das chegadas fortes de Pedro Boscardin e João Loureiro, a maioria deles da Escola Guga. Entre as mulheres, Ana Luiza Cruz é nossa melhor tenista e ainda estamos sem top 100, longe dos grandes eventos, um pouco mais distante e carecendo de grana está Nalanda Silva e a também goiana Lorena Cardoso que terão temporadas importantes pela frente.
Por fim. Tanto na Copa Davis quanto na Fed Cup nosso país decepcionou. Alguns de nossos principais nomes não marcaram presença no masculino e feminino, sofremos com a modesta Rep. Dominicana sem seu melhor jogador e perdemos pela primeira vez da Colômbia. Acabamos com a sorte de entrar na fase pré-qualificatória mundial da nova Davis em um confronto diante da Bélgica onde teremos chances jogando em casa no saibro de Uberlândia. Na Fed a vaga escapou por detalhe apesar de desfalques e 2019 vai depender de como Bia Maia estará.
Alguns de nossos principais talentos deixaram o país por voos mais altos alegando falta de estrutura física ou técnica, mas essa troca nem sempre faz a diferença. Bellucci só desceu a ladeira. Orlandinho principalmente não deu aquele salto esperado. Rogerinho já convive com um treinador argentino há bastante tempo e teve uma queda. Feijão não começou muito bem e só engrenou agora para o fim do ano. Thiago Monteiro é o mais novo a adotar a Argentina como seu polo principal.
Vamos aguardar por um 2019 com mais frutos do que espinhos.
Curtinhas:
Lado positivo do ano foi o Bandsports entrando de cabeça no tênis comprando direitos dos ATPs 500 e ampliando a grande no esporte nas transmissões e no programa Ace Bandsports. O Sportv melhorou suas transmissões em Wimbledon e principalmente no US Open e manteve o repertório dos competentes comentaristas Narck Rodrigues, Ricardo Acioly, Domingos Venâncio fora os bons narradores como Eusébio Resende e Cláudio Uchôa que melhorou muito ao longo do tempo no esporte.
A Fox Sports deixou o tênis e ESPN, em crise, vem diminuindo a transmissão no esporte e não terá mais Fernando Meligeni nos comentários o qual formava uma das melhores duplas com Fernando Nardini. Uma pena, mas ao que parece a opção foi do ex-tenista em não aceitar a redução de salário.


MaisRecentes

Nadal não se cansa. Só muda o coadjuvante



Continue Lendo

Federer tem chances contra Nadal ? Djokovic prejudicado



Continue Lendo

Até onde pode ir Federer em Paris ?



Continue Lendo