Um racha no circuito ? 



Aquele papo de tradição, jogar por amor ao país, etc. etc. é muito bonito, alguns seguem, mas são muito poucos os atletas, na conjuntura atual, que aceitam apenas isso.
Há anos que os jogadores pediam mudanças no formato da Copa Davis e maior valorização. Só que as mudanças demoraram e descaracterizaram a competição, tiraram, pelo menos nos últimos dois anos, a essência que é a dramaticidade do evento e ficou ali deslocada em segundo plano atochada no calendário em sua maioria das datas pós-Grand Slams.
Jogador de ponta hoje quer dinheiro e quer reconhecimento, quer pontos robustos na ATP. Não quer se sacrificar sempre em nome de um país para receber alguns trocados, não ganhar ponto nenhum ou uma merreca como era poucos anos atrás e ter seu calendário em risco por conta da longa duração dos jogos, longas viagens e trocas abruptas de piso.
O Board da ITF demorou a acionar mudanças que acenam para um 2019 com uma competição mundial por equipes com 18 países, a ATP aceitou uma proposta em parceria com a Federação Australiana e vai criar uma nova Copa do Mundo em 2020 para 24 países com US$ 15 milhões em premiação.
Até a década passada existia a Copa do Mundo de Nações em Dusseldorf, na Alemanha, mas que sempre vinha na semana pré-Roland Garros e com premiação equivalente a um ATP 250 hoje, ou seja, uma competição pouco valorizada. Durou bastante, mas sem patrocínio morreu. Agora o anúncio promete um torneio grandioso que vai afetar o calendário e pode causar também o fim da Copa Hopman em janeiro. E o que assustou a ITF é a grandeza do evento. A começar por sua premiação. Não fosse assim a ITF nem lançaria hopras depois um comunicado que mostra um racha com a ATP lamentando a “oportunidade perdida” pela concorrência e reforçando que a entidade é a que mais investe no futuro do esporte.
Os jogadores da ATP cansaram, reclamaram, reclamaram, se uniram, a ATP recebeu a oportunidade e vai colocar em prática um torneio que concorre diretamente com a nova Davis e pode matar de vez o torneio. A Davis terá que se recriar.
É bom que se lembre, a Davis é o carro-chefe da ITF que organiza os torneios futures, Fed Cup e Olimpíadas. Os Grand Slams tem a supervisão da ITF, mas a organização é da federação de cada país.


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