Del Potro, a Davis e o destino



Depois de 116 anos de Copa Davis e 35 temporadas de frustrações desde o primeiro vice-campeonato, finalmente foi feita justiça no tênis, reparação de um dano de um país tão tradicional no esporte não ter uma Copa Davis.
Sim, Federico Delbonis ganhou o último ponto, foi perfeito, jogou como nunca, mas coube a Juan Martin Del Potro o rótulo de verdadeiro herói. Herói por ter sido execrado pela mídia local em 2008 em sua primeira final, em plena coletiva de imprensa após a derrota em Mar del Plata contra a desfalcada Espanha. Ele e David Nalbandian lideravam o time da casa favorito, não jogaram bem, bateram boca no vestiário, foram muito criticados, mas Delpo foi um dos poucos a dar a cara à tapa para a revoltada imprensa local e falou, mesmo que discutindo com alguns da mídia. A outra estrela, que hoje vibra pelas redes sociais, não apareceu. Só quem esteve lá como eu lembram de tal situação até constrangedora.
Del Potro é o herói por várias outras razões. Por ter a carreira que tem, com conquistas, idas e vindas, quatro cirurgias no punho, três no esquerdo, e uma volta por cima que poucos imaginavam já este ano. Bateu seis top 10, derrotou Novak Djokovic, foi o último a bater Andy Murray que logo a seguir se tornou número 1 do mundo e não perde há mais de 20 partidas.
Para colocar a cereja no bolo ganhou o jogo crucial contra Marin Cilic com requintes de drama ao extremo. Saindo de dois sets a zero abaixo, com quebra abaixo no começo do quinto set e uma batalha de 4h53min na casa do adversário.
Talvez nem mesmo o melhor roteirista de Hollywood poderia prever tamanhas emoções para o que viveu Del Potro.
Vamos deixar o bairrismo de lado. Isso não é futebol. Rivalidade sim floresce, é importante, mas não o ódio. Gustavo Kuerten é venerado na Argentina e aqui temos que celebrar tal conquista e nos espelhar no que os argentinos fizeram e fazem com o tênis há anos. Não vejo um grande investimento financeiro de um mega patrocinador colocando milhões por ano, mas o diferencial que lá o esporte é popular. Basta percorrer, quem tiver a oportunidade, as ruas de Buenos Aires para ver a quantidade de quadras públicas e quantidade de clubes com diversas quadras de tênis. Eles merecem.
E nesse ano tão , digamos, diferenciado, o desfecho teria que ter a Argentina campeã da Davis. Afinal muita coisa incomum aconteceu. Andy Murray tomando a ponta de Novak Djokovic no ranking, Maria Sharapova, quem diria, confessando doping, Roger Federer, intocável, parando meses por lesão, Serena Williams perdendo a ponta com Angelique Kerber vencendo dois Grand Slams.


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