Tênis brasileiro à deriva



A principal notícia da semana foi a não renovação do patrocínio dos Correios com a Confederação Brasileira de Tênis. Nada tão surpreendente diante do cenário de crise nacional e na empresa que, assim como a maioria das outras estatais, foi saqueada pelo governo do PT. Nada tão surpreendente conhecendo o país chamado Brasil onde legado raramente existe, principalmente no esporte. Acabou as Olimpíadas e o que pouco se vê são notícias positivas, mas sim dúvidas sobre os complexos criados, presidentes de federações sofrendo denúncias e etc.

Falando do tênis. Serão R$ 8,5 milhões a menos na conta da CBT e algumas atitudes já tomadas nos últimos dias. Cinquenta e cinco contratos não serão renovados. Contratos com equipe, com técnicos e jogadores ao redor do país.

Tenistas como Thomaz Bellucci, Bruno Soares e Marcelo Melo andam com as próprias pernas, mas nomes como Rogério Dutra Silva terão que remar novamente e juvenis iniciando a carreira profissional como Orlando Luz, Marcelo Zormann, Felipe Meligeni, Igor Marcondes e tantos outros nos 16, 14 anos terão que fazer calendários inteligentes e se virar nos 30.

A crise no tênis brasileiro não começou a partir dessa negativa do Correios, já vem com a crise do país. Dólar mais caro, menos empregos as academias já não vêm perdendo alunos ou tendo seus custos aumentados. Os torneios no Brasil ficaram escassos, serão meia dúzia de futures no masculino no ano e challengers submetidos as forças de raras promotoras que também vem reduzindo os custos diante do interesse menor das empresas para a Lei de Incentivo.

Sem dinheiro, com menos incentivo a partir de agora e poucos torneios por aqui o estímulo será ainda menor para nossos tenistas e técnicos e as portas estarão cada vez mais abertas para que migrem pro tênis universitário americano ou que mudem de profissão.

Atual presidente da CBT, Jorge Lacerda vai passar a sede, antes em São Paulo, para Florianópolis onde tem o apoio do governo do estado, mas avisou em carta aos presidentes de Federações que não estará tão assíduo como antes uma vez que mudou-se com sua família para a capital paulista. Saindo de cena e deixando o abacaxi para o presidente que assume em abril, Rafael Westrupp. Vamos aguardar para ver se há um plano B diante das circunstâncias nada animadoras.

E o legado no tênis olímpico com a maravilhosa estrutura no Rio de Janeiro fica em xeque. O plano da CBT era usar Correios e Estácio para bancar os cerca de R$ 400 mil mensais de manutenção para o Centro de Treinamento. Só que também a Estácio teve mudanças na direção e tende a reduzir os investimentos no esporte que tanto apoiou nos últimos anos. Pode estar surgindo um novo elefante branco ou um palco que servirá para eventos casuais e até shows de música. Espero que não.

A situação do tênis não é nada animadora. Ficamos à deriva.



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