Tênis na Olimpíada em xeque



Os jogadores foram contra, levaram para a reunião com o Board de Diretores da ATP através do conselho a posição a favor da manutenção dos pontos na Olimpíada, mas a Federação Internacional de Tênis, presidida desde setembro pelo americano David Hagerty, retirou a pontuação dos Jogos do Rio de Janeiro no ano que vem.

A ITF ainda não deu mais esclarecimentos dos motivos, apenas tirou e confirmou ao blogueiro que vos fala e ao jornalista Fabio Aleixo, do UOL.
É um duro golpe para o tênis na Olimpíada. Por mais que a Olimpíada seja um acontecimento em todos os sentidos para qualquer atleta, o tenista valoriza muito mais o circuito, os Grand Slams e os pontos que qualquer outra coisa.
Não imagino que ainda terá um grande impacto para a Rio-2016 por conta do prestígio já criado das duas últimas edições, mas penso que aquele jogador ou outro que estava na dúvida pela distância e o calendário apertado de acordo com os Masters 1000 na América do Norte,  aqueles que de alguma forma tem preconceito com a Olimpíada no Brasil ou aqueles que tem dúvidas sobre questões de segurança – quem acompanha as notícias e vive a crescente violência no Rio de Janeiro sabe do que estou falando – vai optar por não vir.
Não acredito que seja esse o caso de tenistas como Federer e Djokovic que ainda não levaram o Ouro em simples e podem ter a última possibilidade em Olimpíada e até mesmo Nadal que apesar de ter levado o Ouro em Pequim perdeu os Jogos de Londres. O caso de Andy Murray já me deixa dúvidas, por exemplo, se vai querer vir passar um calor por aqui (em agosto também chega a fazer acima dos 30º C no RJ)
Outro dado interessante. A ITF exigiu que os Jogos fossem no piso duro, se construiu a quadra para atender a demanda do que em tese seria pior para os jogadores da região e se refez o calendário e ela vem dando uma punhalada logo em seguida. A ITF exige que os atletas joguem ou não recusem convocações durante o ciclo olímpico para três ou duas Copa Davis ou Fed Cup e em seguida dá outra punhalada com o corte dos pontos.
A tendência é que o desinteresse já comece pela Rio-2016 e com a mudança de guarda que teremos para 2020, se mantido o corte, o fluxo anti-Olímpico vai só crescer.
O futuro da Olimpíada no tênis fica em xeque.
Curtinhas:
Conversei com Bruno Soares, membro do Conselho da ATP. Vejam o que ele comenta: “Na nossa reunião do Conselho da ATP, depois de conversarmos com os jogadores, foi tomada a decisão pela maioria que da nossa parte achavamos melhor ter pontos nas Olimpíadas. Passamos nosso comunicado, mas a decisão final foi da ITF.
 
Acredito que por agora pelas Olimpíadas terem voltado a ter prestígio enorme e que realmente vale pela importância que ela tem, não vai perder com isso.
 
Mas ao longo do tempo o jogadores talvez repensem, uns por não ter tanta chance demedalha, outras por optar por calendário diferente, outras por não ter tanto incentivo. Passa por uma série de coisas, é uma decisão de cada um. Mas tenho um pouco de receio de voltar a ser como antes, as Olimpíadas ser algo bem diferente. Conseguimos tornar as Olimpíadas um grande evento de tênis, algo bem diferente, com o que tem de melhor no esporte. Quando você reúne esses jogadores com um evento como este, deveria valer pontos. Muito se fala do espírito olímpico e tudo, nada disso se perde, mas damos uma importância ainda maios se conta pontos pro ranking mundial. Mas é algo difícil falar pois é a cada quatro anos, toda vez terá essa conversa, novos torneios surgindo, mexe o calendário. Foi uma decisão da ITF, teremos que acatar e daqui a quatro anos vamos avaliar se essa decisão foi a mais correta”

 



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