Murreu!



Como que algum tenista com dois títulos de Grand Slam e outras cinco finais disputadas anteriormente e 31 títulos na bagagem pode simplesmente culpar a derrota em uma final de Grand Slam pela distração que teve pelo adversário aparentar um tipo de problema físico ? 

É muito mais uma tentativa de desculpa para evitar falar o que se notou claramente neste domingo. Novak Djokovic tem vários degraus acima dele na parte física e no mental – não só dele como para quase 100% do circuito. Mais cedo ou mais tarde, com a partida caminhando parelha como estava, esses aspectos iriam pesar.
O que Murray deve mais lamentar é ter errado um voleio no 5 a 5 no tie-break do primeiro set e não ter convertido a vantagem de 2/0 que tinha na terceira etapa. Esse papo de ter se distraído porque o adversário parecia mal em quadra me soa um tanto amador para a rodagem que possui.
Tinhamos uma final épica que poderia entrar para a história, mas por conta da falta de físico – que Murray insiste em negar -, acabou tendo um desfecho muito abaixo, derrubando as expectativas de todos.
É bom que notemos. Não é a primeira vez que isso acontece com Murray contra Djokovic. Em 2013 na final da Austrália foi smilar assim como ano passado no US Open. Depois de dois sets brigados e longos, com muitos rallies, ele não aguenta o tranco. É histórico. Sim, temos que fazer uma ressalva. A final do US Open de 2012 ele venceu no 5º set, mas liderava por 2 sets a 0 e por pouco não entregou a rapadura onde dominava Djokovic.
O que é certo. Djokovic x Murray, que jogaram a 5ª final de Slam, faziam e quase sempre fazem partidas excelentes. Estilos parecidos e uma batalha campal para ganhar cada ponto. O nível foi muito alto por dois sets e meio, com winners, jogadas espetaculares. Numa batalha sempre o mais forte vence e Djokovic reuniu as qualidades para tal.
O sérvio caminha cada vez mais para ser o Rei da Austrália. Recuperou seu trono, já é o maior campeão da Era Aberta (desde 1969) e está a um de Roy Emerson, maior vencedor. Para ele é o Slam ideal pela velocidade do piso que este ano até deixaria as condições mais complicadas por ter ficado um pouco mais veloz.
Agora a meta de Djokovic é Roland Garros e Rafael Nadal está na mira. Ele sempre é um forte candidato. Resta saber novamente como Nadal irá chegar. Se a Austrália é o habitat para Nole, Paris é muito mais que a sala de estar do espanhol.
Curtinhas:
Impressionante como Djokovic canalizou pelo lado positivo a vida paterna. Desde outubro, quando virou papai, venceu Paris, o ATP Finals e agora na Austrália.
Apesar da derrota na final, Murray mostra uma baita evolução no começo deste ano em relação a 2014. Volta a formar o Big Four (com Nadal, Djokovic e Federer) de fato e de direito no ranking e tende a estar nas cabeças para os grandes títulos exceto no saibro onde precisa de muitos ajustes.


  • Rafael

    Não sei se foi isso, mas não duvido.
    Contra o Federer na semi do US Open 2011 também aconteceu algo parecido.
    O Djoko ia perder, e começou a fazer cara de cachorrinho culpado, de coitadinho, e o Federer conseguiu perder.
    Se isso mexe com o adversário eu não sei, mas que ele faz, ele faz. O Murray também não é nenhum santo, lembro de uma partida em que ele pediu atendimento quando tava perdendo, e terminou ganhando. Acho até que foi contra o Nalbandian, que ficou indignado.
    Talvez seja um inconsciente do jogador, que vendo o outro frágil acaba relaxando. Freud explica?

  • Maurício Luís *

    O Rio Open vai nos dar uma boa idéia de como o Nadal está no saibro. Porque nas quadras duras da Austrália, já sabemos como está: uma “caca”.

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