golding

O problema da transição do juvenil para o profissional não está apenas no Brasil. Lá fora, em plena Europa, ter uma carreira de sucesso no júnior não necessariamente significa sucesso no profissional.

Reportagem do jornal britânico Daily Telegraph, traz uma entrevista com Oliver Golding, de 21 anos, campeão juvenil do US Open em 2011, onde o atleta da Grã-Bretanha relata que largou a raquete no segundo semestre desse ano e está trabalhando com o tênis, com sua mãe.

No bate-papo, Golding aponta alguns motivos. O primeiro deles foram as mudanças no tênis britânico que perdeu o NTC, um centro de treinamento há 15 minutos de sua casa além de uma verba bônus que recebia da LTA (Lawn Tennis Association, a federação de tênis local). O ex-tenista relata que ficou sem lugar adequado para se desenvolver, destacou as poucas quadras e centros na Inglaterra e apontou que para ele seria financeiramente insustentável se mudar para a França e viajar o mundo sem uma forte ajuda.

“É louco, pessoas que precisam de dinheiro são as de mais baixo nível. Você não pode ter boas verbas jogando fututes de US$ 10 mil. Penso no quanto de gente desistindo”, disse Golding: “É uma dura vida. As recompensas são poucas. Quando você olha as condições dos futures, é abaixo do Salário Mínimo. Entrei numa chave de um future com quali de 128 jogadores, fiz semi de duplas, ganhei uma rodada em simples. Fiquei de quinta até a outra quinta e com os descontos de impostos ganhei 88 euros (cerca de R$ 300). Considerando a verba que se tem no nível mais alto, mais deveria se filtrar para colocar lá embaixo”.

Golding teve em abril seu melhor ranking, o 327º, uma posição na transição de futures com capacidade para mesclar com challengers.

As palavras dele dão duas notas importantes. A vida de tenista é muito dura, principalmente se você não tem um patrocínio fixo e uma estrutura fixa. Sem grana, jogando future, a tendência é que saía muitas vezes no prejuízo ou no zero a zero. Não é muito diferente para quem jogar em challengers onde até às vezes os diretores dos torneios não pagam os atletas como o caso do Aberto de SP que ainda deve os prêmios desde janeiro de 2014.

Na prática, só ganha quem se fixa no top 100 e um pouco acima podendo disputar ATPs e Grand Slams. Daí você vê muito atleta jogando a primeira rodada machucado e apanhando ou então abandonando na estreia. US$ 30 mil por uma rodada de Major já faz boa parte da temporada de muita gente.

Outro fator é a cruel mudança de nível do juvenil ao profissional como estamos atestando com vários atletas brasileiros com destaque para Tiago Fernandes. O alagoano não teve em momento nenhum as dificuldades de Golding e que a maioria possui. Patrocínio não lhe faltava, estrutura também não. Foi mais uma visão de que para se jogar tênis é preciso muita persistência e que mesmo com boa estrutura, vai levar alguns bons anos para se ter o retorno e daí tempo será perdido.

Tiago migrou para faculdade de engenharia e pretende trabalhar com o pai. Golding trabalha com a mãe e avalia entrar para faculdade de negócios. Os dois, consequentemente abandonaram o tênis aos 20, 21 anos.

Curtinhas:

A ITF enviou comunicado ao BATennis.com alertando que está avaliando mudanças para o circuito de futures e que anunciará novidades para março. Aguardemos.

É uma posição também complicada. Você aumenta premiação, mas afugenta vários diretores de torneios que fazem muitas das competições com dinheiro contado. A não ser que a ITF vá incentivar/financiar de alguma forma esses torneios.

Aqui no Brasil, por algumas temporadas a CBT financiou seja com bolas ou com grana futures, mas nos últimos anos vem diminuindo o incentivo com a motivação de fazer com que nossos atletas se desenvolvam jogando mais fora do país.



  • Bom dia,

    Realidade Nua e Crua, lá e Cá !!!!!!
    Ainda estou na luta pela minha filha, mas……

    Abraços,

    Ayrton

    • Capuano

      Fala Airton!!!Meu filho também esta nessa luta, mas cinseguimos mudar um pouco a rota:agora o foco é o circuito universitário americano minimiza o risco uma vez que sairá com um diploma..Boa sorte para sua filha..Sergio Capuano

  • Carlos Saldanha

    Boa Tarde,
    Se os países europeus onde os esportes são mais desenvolvidos e há apoio governamental, estão nessas condições, imagine o nosso Brasil, onde tudo vira corrupição e nossos jovens só são reconhecidos quando ganham algum torneio importante fora do país e na maioria “paitrocinadores”.

    Mas não podemos desistir em realizar os sonhos de nosos filhos.

  • Mauricio Andrade

    A questão é como quase tudo na vida, de distribuição de renda. Não é justo que poucos sejam milionários e a maioria pague pra jogar. A solução é muito simples, a ITF deve dar um salário para os top 1000 tenistas. Não precisa ser necessariamente fixo, pode variar conforme o número de torneios/partidas disputadas, evitando que haja uma acomodação.

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