Chororô de Nadal



Rafael Nadal retornou às quadras esta semana, ganhou duas partidas que prefiro não comentar pois não vi por conta do horário, e não deixou de lado seu lado afiado em soltar o verbo, o qual vejo mais que um chororô para fazer pressão nos diretores dos eventos.

Se não é a quadra são as bolas o problema para o espanhol. Ele disparou conta os modelos usados em Pequim e ainda citou que são as mesmas do Rio Open que andou reclamando por aqui também. Veja o que ele disse:
“A bola é muito ruim aqui. Se você jogar ela no chão, o quique vai pra qualquer lugar. Não é uma questão de vencer ou perder. Eu ganhei no Rio com essa bola”, disparou o número dois do mundo.

 

 
O modelo em questão é o HEAD Pro, utilizado nos dois torneios. 
Cada jogador tem acesso ao Fact-Sheet do torneio semanas antes da competição. O Fact-Sheet dá detalhes de hotel, árbitro-geral, tipo de bola, tipo de quadra, enfim, informações gerais e úteis para os atletas. Se o jogador em questão sabia que as mesmas bolas que não gostou anteriormente seriam utilizadas, por que veio então ?
Alguns pontos a se analisar.
Primeiro o atleta top como ele recebe uma boa quantia para jogar eventos do ATP 500 e ATP 250. Ganhando US$ 1 milhão (ou mais!) na conta será que você, meu caro leitor, desistiria do evento ? Difícil não é ?
 O tenista voltando de lesão precisa de ritmo para competições mais fortes no calendário e com muitos pontos em jogo (ele corre o risco do número dois, por exemplo). Neste caso ele poderia ter escolhido Tóquio não é ? Torneio de mesma pontuação, na mesma semana. Some a obrigatoriedade que a ATP fornece aos top 30 em número de torneios para pontuar no ranking e não sofrer punições de pontuação Zero, questão que já aprofundei em outros posts e posso retomar futuramente.
Nadal está cotado para voltar ao Rio Open ano que vem. A organização nega qualquer acerto, mas o dono do ATP de Buenos Aires cravou que o espanhol jogará na capital carioca.
O Rio Open ainda não foi lançado oficialmente e ainda não se sabe sobre o tipo de bola, mas fico curioso para ver se será o mesmo modelo. Seria um tantinho incoerente ele vir não é ?
Outra reclamação, que aí sim acho válida, é a troca constante de bolas semana após semanas no calendário. Nadal e Andy Murray apontaram que pode causar lesões no ombro, cotovelo e ainda se tem a demora para se adaptar, causando um problema para se atingir um grande nível com o pouco tempo de adaptação.
No mundo ideal o circuito, que já tem uma divisão em mini-temporadas por regiões e pisos semelhantes, deveria ter bolas iguais para cada uma dessas fases. Seria uma completa utopia.
Em primeiro lugar iria minimizar o mercado que precisa se diversificar com vários tipos de bolas para cada jogador, quadra, etc. Os principais torneios do circuito promovem a venda dos mesmos nas lojas para tenistas amadores, profissionais, iniciantes e afins.
Em segundo lugar cada evento é disputado numa cidade, país diferente, com promotores, empresas, moedas e patrocinadores diferentes. E os produtores das bolas também visam o lucro,  têm interesses em atingir determinado mercado ou outro para poder apoiar esse ou aquele determinado evento. Some aí o desejo do promotor do torneio que pode querer, invariavelmente, atender esse ou aquele tipo de jogador ou tipo de jogo para sua competição.
No fim das contas todo jogador reclama e tem o direito a tal, mas sem dúvida o espanhol é mais, diria, rabugento do circuito hoje em dia.
Curtinhas:
Em 2011 o torneio de Roland Garros trocou as bolas Dunlop por Babolat que provocou reclamações de nomes como Roger Federer e David Ferrer. Nadal na época não chiou. Será que foi porque ele é patrocinado pela marca ? Para pensar.


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