Brasil x Argentina – Caldeirão



Só quem esteve naquela final de Copa Davis em Mar Del Plata 2008 para saber como é a torcida da Argentina. Podem dizer que tênis é diferente, não existe tanta rivalidade. Balela. Se em um confronto Argentina x Espanha já se armou um caldeirão, imagino como nossos hermanos vão tratar esse duel oque não ocorre desde 1980. Sim, mesmo sendo um duelo de primeira rodada não imagino coisa muito diferente a não ser que os organizadores coloquem ingressos nas alturas.

Só lembrando. O que os espanhois foram massacrados pela torcida não tava bo gibi. Verdasco ia pro saque eram 12 mil gritando “Tiene miedo, Verdasco tiene mieeeedo, Verdasco tiene miedooooo”. O tenista dava uma dupla-falta e vinha um novo canto “Se cagóóóó, Verdasco se cagóóó, Verdasco se cagóóó!” Acabou sendo um confronto épico porque os espanhois, desfalcados, contra argentinos completos, venceram, sob a tutela de Emilio Sanchez, que coordenou o tênis brasileiro logo a seguir, de 2009 até 2011.
Tirando a torcida e falando da parte técnica acredito que do cenário não foi o pior dos sorteios. Confesso que preferia o time americano ou a Itália em nossa casa, mas a Argentina não vive um grande momento. Quando digo grande momento é da época que tinham quatro, cinco no top 20. Hoje eles podem ainda ostentar ter muito mais top 100 que o Brasil, por exemplo. Mas são jogadores ganháveis até mesmo pelo nosso tenista número 2.
A figura muda e traz um favoritismo pouco mais destacado para os donos da casa se Juan Martin Del Potro finalizar a rixa que tem com a Associação Argentina de Tênis e resolver participar do confronto. Só lembrando que o tenista , ausente em 2014, precisa estar presente em ao menos duas eliminatórias nos próximos dois anos para estar apto a jogar a Olimpíada do Rio 2016. Um passo a mais para tal é a saída do atual capitão, Martin Jaite, que deixa a equipe hermana ainda sem um comandante.
Com Del Potro, o papel de nosso número 2 fica mais importante para um eventual quinto jogo. E caso o duelo venha mesmo para Buenos Aires em condições lentas, Rogério Dutra Silva e Guilherme Clezar ficam como melhores opções pelas características de jogo caso estejam em um nível adequado para tal ou parelho com João Souza, o Feijão. Muita água para rolar até lá, não é ?
Falando de nosso número 1, Thomaz Bellucci, a época é de calor e umidade na capital argentina, um teste e tanto para o brasileiro que mostrou ter aguentado bem o tranco em São Paulo, mas em um local coberto, com altitude e jogo menos desgastante do que se encontrará em março que vem.
Em suma, vejo boas opções para o Brasil e um confronto histórico por vir. Nosso time está cada vez mais experiente e pronto para quebrar outro jejum, o de não vencer um duelo do Grupo Mundial ou playoffs fora de casa em 16 anos. Tá mais do que na hora e teria um gostinho mais legal na casa dos hermanos.
Curtinhas:
Parece que o sorteio foi ‘direcionado’ não é ? Sérvia x Croácia, Grã-Bretanha x EUA e Alemanha x França, rivais históricos em duelos bem interessantes.
A crise é grande no tênis espanhol ainda abismado com a derrota para o Brasil e queda para a segunda divisão após 18 anos. Enfrentam a Rússia ou Dinamarca na final do Zonal Euro/África e não terão mais Carlos Moya. Chateado com a falta de compromisso de nove dos 12 melhores do país, ele jogou a toalha e não irá renovar como capitão. Também tem três filhos para cuidar.
Dá para entender a posição de Moya e também a dos espanhois que nos últimos 15 anos ganharam cinco vezes a Copa Davis. Duro achar motivação para se despencarem ao Brasil com uma gira pela Ásia a seguir em piso e condições diferentes. Some aí aquele Brasil Open de 2013 que foi recheado de problemas na organização, na quadra. Quem não acredita que isso contou está enganado. Notícia ruim se espalha rápido e repele.
E eu pergunto. Quem vai achar motivação para jogar a final de um zonal logo depois de Wimbledon ?  Bem, a partir de 2015 muda um pouco de figura pela regra Olímpica.


  • Jorge Ramos

    Del Potro é difícil que venha por causa do físico,e pelo fato de ser brigado com a federação deles
    a não ser se for pensando nas olimpíadas, mais foi ruim. Mesmo longe de ser aquela potência da década passada: GAUDIO, CORIA, NALBA, CALLERI, ZABALETA, CANÃS etc fora de casa é foda tem a pior torcida. No papel é um confronto ganhável. Thomaz jogando bem é melhor que o Mayer, Berlocq, Zeballos e o Delbonis problema é o extra quadra, sem contar que nossa dupla
    é melhor que qualquer dupla deles. Pra mim não foge disso: QUADRA RÁPIDA DEPENDENDO DO DEL POTRO OU SAIBRÃO PESADO SEM O DELPO PARA PREJUDICAR O JOGO DO BELUCCI.

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