Ave, Thomaz!



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Em Copa Davis costumamos rotular aquele que fecha o último ponto ou que vence dois ou três pontos como herói. Afinal de contas, o jogador defende o país na maior competição do esporte sendo exposto a nervos, pressão diferentes do que se vê no circuito além de jogos melhor de cinco sets onde sempre o físico pesa.

Bellucci vestiu a camisa como o NÚMERO 1 DO PAÍS, consagrou o rótulo, carregou a equipe nas costas, com a importantíssima ajuda de Marcelo Melo e Bruno Soares no sábado, e saiu aclamado pela mesma torcida que o execrou há um ano e meio no mesmo local e pela crítica esportiva mais ainda àqueles que não estão acostumados com o tênis, a rotina de vida e dificuldades que o circuito impõe.

Bellucci suportou a pressão por ser o número 1 do Brasil e a principal esperança de pontos do time com a dupla dado que, como o capitão mesmo afirma, não espera em hipótese alguma um triunfo de nosso segundo jogador (com razão pois nem João Souza, o Feijão, teria, em tese, boas chances contra Andujar ou Bautista), conseguiu mudar um cenário de 1 a 0 contra da equipe, 2 sets a 0 abaixo, match-point contra e diversos problemas que poderiam derrubar qualquer jogador e por fim soube novamente lidar com as emoções sendo a esperança de vitória num quarto jogo contra um top 15 em boa fase sabendo que uma derrota custaria muito provavelmente o confronto dado o cenário nada positivo para a quinta partida. Saiu de 1/4 abaixo no primeiro set. segurou o saque em momentos chave do terceiro e quarto sets.

Thomaz foi bem de cabeça, bem na parte técnica e tática, e principalmente no físico. Suportou sete desgastantes partidas. Bellucci foi perfeito, foi maduro. Foi o cara.

No US Open o canhoto já havia mostrado algumas mudanças, maior tranquilidade e um jogo mais solto ao que vinha fazendo. Uma Copa Davis pode sim mudar uma carreira. Tenistas como Fernando Verdasco, Viktor Troicki, entre outros, deram um salto para suas melhores condições de ranking por um grande sucesso na Davis.

O melhor ano de Verdasco veio após a final de Mar del Plata de 2008 na épica vitória da Espanha sobre a Argentina (eu estava lá, sei como os espanhois sofreram com a torcida 10X pior que a brasileira). Troicki era um tenista comum até vencer o ponto decisivo do título de 2010 para a Sérvia e teve sua melhor temporada em 2011.

Há muito se espera que Bellucci desabroche todo seu talento como o fez neste final de semana. Agora ele tem tudo para alavancar sua carreira no circuito. Não tenho dúvida que essa Davis lhe vai tirar toneladas de suas costas e elevar a confiança.

Não podemos esquecer o papel fundamental que a dupla faz para a equipe. Uma derrota em nove partidas juntos, vitória sobre os Bryans e agora sobre Marrero/Marc Lopez, esta de forma contundente. E também da evolução de Marcelo Melo, sacando melhor, jogando mais confiante em todos os aspectos. Orgulho dos brasileiros.

O confronto mostrou que São Paulo é um ótimo lugar para se fazer a Davis, condições que se adequam aos nossos melhores tenistas. Se conseguirem arranjar uma maneira de baixarem o valor dos ingressos vão conseguir encher ainda mais o estádio e contribuir para a equipe.

O Brasil é uma equipe que se fortalece com esse final de semana, que nos faz acreditar que pode beliscar uma eventual boa campanha num Grupo Mundial principalmente se o (s) confronto (s) for (em) em casa, mas ainda é um time que carece de seu 4º jogador. Novamente elogio Zwetsch por conseguir dar esse instinto de união ao time e tirar o melhor da maioria do grupo para um confronto de Davis, mas faço a ressalva que ele deve ter aprendido aqui. Serviços prestados e a experiência em Copa Davis devem contar apenas se o momento for favorável ou equiparado ao dos outros concorrentes . Se não der chances a outros como o próprio Clezar, Feijão ou eventualmente a um Orlandinho, Zormann – estes quando estiverem um pouco mais maduros – , eles nunca terão experiência e o leque de opções será bem menor quando for preciso. E claro, nunca fechar a porta para Rogerinho. Ele foi muito mal, mas sabemos que tem o potencial para se reerguer, voltar a ir bem no circuito e ganhar sua vaga, sem nenhuma contestação.

Curtinhas:

Sorteio do Grupo Mundial sai na quinta-feira. Ainda há um confronto a definir, Índia 2×2 Sérvia. A chuva atrapalhou. Assim sendo e com os cabeças definidos, algo que ocorre nesta segunda ou terça, passo os possíveis duelos do Brasil. Anote na agenda,6 a 8 de março de 2015.

 

Dezoito anos no Grupo Mundial. Último país a bater a Espanha no saibro foi o… Brasil, em 1999, Lérida, esta ainda a última queda da Espanha em casa. Dá pra dizer que eles têm má sorte contra nós, não é ?



  • Eduardo Manuel

    Senhores

    Desde 2009 em Porto Alegre que acreditei no T. Bellucci, quando o vi jogar pela primeira vez!
    Com a Dupla que temos, seria muito difícil, para a Espanha nos vencer no Sábado, e com a torcida no Domingo, Só podia dar certo.
    Até o Nadal e o David Ferrer nos ajudaram com a sua ausência. Isso não tira de modo nenhum o mérito ao nosso técnico e aos nossos jogadores. PARABÉNS BRASIL. Por motivos particulares não estive presente, com muita pena minha, mas valeu ver na TV.

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