Ânimos acirrados. Era o momento de Feijão. Brasil com boas chances



Em quase uma década podemos dizer que essa convocação do time do Brasil para a Copa Davis é a mais polêmica.

Tenho muito respeito pelo capitão João Zwetsch e sempre defendi seu trabalho que vem sendo muito bom à frente da equipe brasileira.  Na maioria dos confrontos conseguiu extrair o melhor de cada jogador para os jogos defendendo as cores do país.
Entendo que a Copa Davis é uma competição diferente, que não olha tanto para ranking de um jogador. Mas penso que a convocação divulgada nesta terça-feira para o confronto da Espanha não revela o melhor time que poderíamos ter no momento diante da desmantelada e agora vencível equipe espanhola (Roberto Agut, Marcel Granollers, David Marrero e Marc Lopez).
Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares é a base indiscutível do time. Inegável que não temos um número dois fixo, João Souza, Rogério Dutra Silva, Guilherme Clezar flutuam em termos de consistência de resultados, mas o momento atual e as condições de jogo que teremos são totalmente favoráveis para que a oportunidade fosse dada a Feijão.
Rogério Dutra Silva não vem colhendo bons resultados, não consegue passar da segunda rodada de challengers, Guilherme Clezar voltou se lesão recentemente, jogou poucos torneios, fez apenas um bom resultado, uma semifinal em San Marino. Enquanto isso, Feijão vem de quatro semifinais em challengers praticamente seguidas, furou o quali do ATP de Kitzbuhel, por pouco não bateu o austríaco Dominic Thiem que está nas oitavas do US Open e cada vez mais inserido entre os 50, foi bem nos dois torneios jogados em São Paulo sendo campeão em janeiro, batendo o top 50 Robin Haase no Brasil Open e tendo que desistir por um problema abdominal na rodada seguinte. Derrotou na temporada passada um forte tenista espanhol, Tommy Robredo, que não está no grupo rival, mas é uma vitória relevante, e fez um bom jogo contra Rafael Nadal exatamente no local do confronto. Some aí as condições de jogo impostas, com altitude, quadra coberta e um saibro que promete deixar o jogo mais rápido. São as ideais para o tipo de jogo aplicado por Bellucci e também por Feijão onde o saque e a segunda bola farão a diferença.
João Zwetsch alegou que os tenistas são de níveis técnicos semelhantes. Concordo. Ninguém está muito acima do outro. Declarou que Rogério Dutra Silva aproveitou mais suas chances e passou por mais testes com êxito em jogos de resistência física lembrando sua vitória contra Vasek Pospisil no ano passado no US Open. Concordo em partes.
De fato Rogerinho fez alguns jogos excelentes e ajudou a equipe brasileira da Copa Davis a voltar ao Grupo Mundial, a vencer confronto contra o Equador e diante do Uruguai. Mas em contrapartida, sua única vitória de destaque nesses confrontos foi diante de Igor Andreev, contra a Rússia, então 96 do mundo, que sentiu o ombro e abandonou no terceiro set.
Quando enfrentou a equipe da Alemanha ano passado no piso duro e coberto contra jogadores de calibre top 40, fez uma boa exibição, mas nada espetacular, mais ou menos parecido com o que Feijão havia feito na única oportunidade que de fato recebeu, diante da Colômbia, em Rio Preto (SP) quando caiu diante de Santiago Giraldo. Ou seja, o que quero dizer é, João Souza não teve as mesmas oportunidades.
Se o capitão optar por Guilherme Clezar para o duelo contra a Espanha, estaria sendo incoerente visto que o gaúcho nunca disputou uma partida melhor de cinco sets e só esteve em quadra por menos de dois sets em um confronto de Davis. Sem experiência e sem físico.
Se o capitão aposta na renovação do time, como também também apontou em declarações na coletiva de imprensa desta terça-feira, está sendo incoerente ao chamar Rogerinho, que já passa dos 30 anos, para a disputa da vaga. Feijão não é nenhum garoto de 20, 22, mas tampouco vai parar de jogar dentro de poucos anos. Tem 26.
E no me ponto de vista, renovação tem que ser feita em confrontos em teoricamente menos complicados, como a feita diante do Equador – o qual dou crédito ao capitão por isso – e não diante de uma Espanha valendo vaga no Grupo Mundial e dentro de casa. É preciso levar os melhores. Na minha humilde opinião, o capitão poderia ter chamado os três citados acima para disputarem a vaga na semana do confronto. Seria mais plausível se de fato, como o mesmo disse, há uma competição parelha.
Digo e repito. Mesmo não concordando com essa decisão, respeito e gosto muito de João Zwetsch como capitão e como pessoa.  Torço demais pelo Brasil e espero que o capitão queime a minha língua e desmantele o unânime consenso que há na comunidade tenistica fazendo com que Clezar ou Rogerinho tenham uma baita atuação nessa Copa Davis e belisquem um ponto para o Brasil se classificar. Mas Zwetsch joga uma pressão enorme para si muito grande.  Se o número dois não for bem no confronto vai receber muitas críticas.
Sobre o confronto
Sem Nadal, Ferrer, Verdasco, Robredo, Feliciani Lopez, Nicolas Almagro, a Espanha ficou um time vencível. Como de costume nossas chances são que Thomaz vença suas partidas de simples e que a dupla leve o pontinho de sábado. Mas a tendência é que não tenhamos jogo fácil tanto para Thomaz quanto para nossa dupla. Mas a esperança aumentou.
E que a torcida compareça. Foi um boom de venda de ingressos quando as vendas foram abertas, mas pelo que se nota parece que estagnou após Nadal sentir a lesão que o fez ficar fora do US Open.
Ânimos acirrados
Zwetsch questionou a parte física de Feijão em comparação com Rogerinho para o confronto. Segundo ele, Dutra Silva teria provado que poderia resistir a um jogo contra um espanhol em mais de quatro horas e Feijão ainda não.
“Conversei com o Pardal (Ricardo Acioly, técnico de Feijão) e não vejo certo ele como nosso número dois fixo. Ele não está preparado para isso. Se Feijão tivesse feito quatro, cinco grandes resultados, com certeza teria sido convocado e estaria entre os 70 do mundo. Eu sei que o Rogerinho suporta quatro horas de um jogo brigado contra um espanhol, não vejo isso no Feijão”.


“Não é que estou falando que o Feijão não é capaz, eu apenas não o vi fazendo isso e o Rogerinho sim. Não é não confiar, como eu disse o nível dos dois é igual, mas a gente já viu o Rogerinho fazendo isso. Quem não se lembra da batalha contra o Pospisil? Nós sabemos que ele aguenta mentalmente e fisicamente.”
Feijão rebateu com a seguinte frase: “É brincadeira o capitão questionar minha capacidade física ainda mais para um confronto em quadra coberta e em São Paulo com jogo na altitude e veloz. Também já disputei jogos de Grand Slam e Copa Davis e nunca tive problemas de resistência física”.
João Souza foi além e ainda questionou a capacidade do capitão: “O que que eu preciso fazer para ser convocado ? Só serei chamado se vier a ser um tenista top 50 onde ele não terá saída para não me convocar ? Sinceramente espero que não seja nada pessoal e espero que eu passe a receber alguma chance em convocações futuras. De qualquer maneira este pode ser um bom momento de se repensar o cargo de Capitão da Copa Davis no Brasil pois o ideal é fazer como na maioria dos outros países , aonde a pessoa que está na posição é exclusiva da Davis e não treina outros jogadores do circuito.”
Precisamos analisar que Feijão não ficou insatisfeito apenas pela situação atual, mas sim com outras oportunidades que não foram dadas. Por exemplo: contra o Uruguai havia sido escalado para dupla com Bruno Soares e foi preterido de última hora. Zwetsch escalou Thomaz Bellucci.
Não vou recriminar Feijão, não acho que ele tenha feito mal ao tornar público seu descontentamento geral com o comando da Copa Davis. Só reagiu a uma situação que não aguenta. Por outro lado, ele toma para si que vão dimiuir ainda mais suas chances em futuras convocações ao criar essa rusga com o capitão. Uma pena pois o tênis brasileiro só tem a perder com isso.
Olimpíadas
O tema Olimpíada veio à tona na coletiva de imprensa. Um tenista para disputar os Jogos Olímpicos precisa estar no time em duas convocações no ciclo olímpico, uma delas em 2015 e 2016. Feijão, por exemplo, estaria fora, mesmo que tivesse ranking para entrar. A CBT negou que a possível escolha de Clezar teria esse intuito, em torná-lo apto para 2016. Só adicionando, Zwetsch chegou a conversar com Thiago Monteiro para escalá-lo para o confronto e Larri Passos não deixou, disse que o cearense não estava preparado.


  • Mauricio Andrade

    Sinceramente, fiquei indignado com essa convocação. Desculpa do físico não convence ninguém.

  • halisson habitzreuter

    Não convenceu a explicação do Capitao para não convocar o Feijao. Todo tenista sabe que o atual numero dois do Brasil é o Feijao. Os resultado dele falam por si.

  • dennys_eas@hotmail.com

    É isso mesmo! Feijão foi preterido sem uma justificativa plausível! E casa onde não tem feijão, todo mundo grita, mas ninguém tem razão ! ! Kkkkk….

  • René

    Explicar o que não tem explicação, um está 77 posições acima do outro, mas são do mesmo nível, na visão deturpada desse capitão. O ranking existe pra quê, Sr. Capitão? É imoral essa convocação, uma vergonha, e com certeza ele não conseguirá explicar nunca os critérios adotados, se tinha dúvida do preparo físico do Feijão porque não fez testes. Esse cidadão é mais um dos caras de paus que comandam nossos esportes, e jamais saberá explicar isso, porque só a verdade tem coerência, mentira por mais que você acredite, não dá liga não tem coerência.

  • Claudio Henrique D’Amore

    É realmente inacreditável que o número 2 do país ,que está muito mais próximo do número 1 do que os números 3 e 4 estão dele(a soma de pontos deles não chega aos que Feijão tem) esteja fora da disputa da Copa Davis,num momento em que uma boa atuação tinha tudo para impulsionar ainda mais sua carreira…realmente não dá para entender!

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