Tiago é um alerta ao tênis brasileiro



Não tem como se contestar a decisão de um atleta em parar de jogar aos 21 anos para estudar e se tornar um engenheiro civil, como Tiago Fernandes almeja. É preciso respeitar e desejar sorte em sua vida futura e que quem sabe utilize suas experiências em prol do tênis algum dia.
Conversei com Marcos Daniel, que trabalhou com Tiago nos últimos anos em Itajaí (SC). Segundo ele, Tiago se cobrava muito, se colocou muita expectativa e costuma querer ser o melhor em tudo. Também pudera, o cara que ganha um Grand Slam no juvenil e vira número 1 tende a querer ter uma carreira profissional com sucesso. Mas para trilhar tal caminho é preciso não só talento, tática e mental, algo que o alagoano possuía, mas também muito físico e esse pilar fez com que as pedras para a glória ficassem muito maiores do que o imaginado. Com uma família bem estruturada e ainda muito jovem ele não quis pagar o preço e de repente perder um tempo que teria no tênis para atingir tal ápice e tomou sua decisão.
Só tenho que torcer para que tudo dê certo e que ele seja mais feliz com o novo rumo do que estava sendo com o tênis. Fico triste apenas pois o país perde mais um jogador promissor, único número 1 do mundo juvenil do Brasil e único brasileiro a vencer um Grand Slam em simples no júnior. Mais um grande talento que se perde nesse tão temeroso mundo da transição do juvenil para o profissional.
Precisamos refletir sobre o futuro de nosso tênis. Tiago se torna o símbolo do que acontece corriqueiramente no tênis brasileiro. Juvenis que se destacam, que viram top 10, top 15, mas não vingam.  Será que é tão importante valorizar o juvenil assim ? Claro que ganhar um Grand Slam é um feito único, em qualquer categoria, mas o circuito profissional é muito duro e como o próprio Fernandes me confessou em entrevista, massacrante. Uma batalha diária.
É preciso repensar em como preparar melhor nossos meninos para o tênis profissional. Há uma lacuna muito grande quando se vem do júnior para o PRO. Muitos viram top 10,top 20, valorizam demais os eventos júniors e chegam “crus” para encarar os caras mais velhos e experientes. É preciso dar a cara à tapa cedo e não se empolgar tanto.
Um caminho interessante é o do tênis universitário. Algo que é preciso muita coragem para quem obtém tal sucesso no júnior como no caso do Tiago. Um exemplo é o de Henrique Cunha que foi 6º do mundo em 2008 e optou por esse caminho, estudou na Universidade de Duke, liderou o ranking do circuito universitário americano e voltou ao profissional há cerca de uma temporada. Ele  vem somando alguns títulos de future já podendo entrar nos challengers. Quem deve seguir esse caminho é Luisa Stefani, top 35 juvenil, que já treina nos Estados Unidos.
Que o exemplo de Tiago  sirva para todos. Temos outros talentos desabrochando como Orlando Luz, Marcelo Zormann, Thiago Wild, entre outros. Que se trabalhe bem com eles para enfrentar uma batalha árdua que é o tênis adulto.


  • John

    É massacrante mas e compensador. Pablo Cuevas é um exemplo. Isso aí me cheira algo a mais que não saberemos no momento.

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