Vale arriscar! Bellucci em seu habitat e o escândalo em Wimbledon



O ano não se mostra favorável ao tênis no Brasil. Sim, tivemos dois ATPs aqui, um deles 500, dois WTAs e teremos uma Copa Davis que promete estar lotada em São Paulo em setembro, mas o segundo semestre, até o momento, será pobre em número de challengers e com poucas perspectivas de futures o que vem fazendo com que os brasileiros saíam para jogar no exterior, muitos na Europa.

Isso é muito bom, afinal o melhor tênis e consequentemente as provas para o crescimento no esporte estão lá, o nível é mais alto do que a imensa maioria dos eventos por aqui. Mas vejo muitos atletas apenas se fixando em futures quando poderiam buscar eventos maiores.

O exemplo de Fabiano de Paula é mais um, infelizmente poucos, de que vale à pena correr risco. Ele foi o único a jogar o quali do ATP de Gstaad, na Suíça, foi lá, furou e jogou seu 1º ATP. Sim, a chave ajudou. Pegaria o cabeça 1 e um top 150 na primeira rodada que acabou entrando na chave de outro evento e não teve jogadores tão bem ranqueados pela frente. Mas aproveitou a oportunidade, venceu três jogos que, independente dos adversários, são muito duros – afinal a motivação de poder jogar um ATP é muito maior.

Enfrentou um top 100, teve algumas chances, acabou derrotado, mas fez um duelo duro onde pode ter ganho confiança para dar um passo a mais na carreira. De quebra ganhou 4,5 mil euros, ou seja, muito mais do que se ganha por vencer um future ou similar ao que se ganha por chegar nas finais de fortes challengers.

Não digo que é simples cada atleta moldar seu calendário arriscando qualies de ATPs. Quem está abaixo dos 300, 400 do mundo não tem tanto essa oportunidade, pode chegar na cidade e acabar perdendo dinheiro caso não entre ou simplesmente pare antes da chave principal, mas montando um calendário com inteligência e arriscando vez ou outra é primordial. Acrescenta muito na carreira do tenista.

Vou na ideia de meu companheiro de profissão Alexandre Cossenza de que seria bom mudar a Copa Davis do Ibirapuera para Gstaad. Ô terra boa para Bellucci ir bem viu ? Vinha tomando 2ª rodada e quartas seguidamente em challengers contra rivais top 200 sem currículo e emplaca duas boas vitórias, uma contra o competente Delbonis com autoridade e sem sustos. Terá a partir de agora bons testes contra Monaco, Haase ou Youzhny para quem sabe retornar à final do torneio que venceu em 2009 e 2012. Os bons ares dos alpes suíços fazem bem ao brasileiro. Que ele pegue essa energia para voltar a jogar bem em outros locais também.

Pela campanha Bellucci vai se fixando entre os 85, 87 melhores do mundo e pode virar top 80 se garantir a semi.

Estourou o escândalo em Wimbledon. O renomado jornalista britânico Neil Harman, do The Times, confessou plágio em três edições – de 2011 até 2013 – do anuário de Wimbledon. Ao todo 52 partes copiadas de jornalistas ou blogueiros no mundo todo e transferidas para o livro que é vendido sobre o mais tradicional evento do mundo.

Cruzeir algumas vezes com ele durante o último ATP Finals de Londres, não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, mas pude ver que é (ou era a partir de agora) bastante reconhecido no local. Ele mesmo tem bom relacionamento com Andy Murray o qual fez uma biografia detalhando suas conquistas até a glória em Wimbledon.

É uma pena que isso aconteça ainda mais vindo de uma pessoa que parecia ser intocável entre os jornalistas no esporte. Bom trabalho do jornalista BenRothenberg que denunciou esse disserviço ao jornalismo e afronta a quem trabalha duro por informações e dados.

Harman confessou os plágios e se destituiu do cargo da ITWA (International Tennis Writers Association).



  • Altaisio Paim

    Boa noite, Fabrizio! Tudo bem?
    Uma pergunta, gostaria de saber sua opinião: O que vc acha do Ranking? Por exemplo, vc acha justo como ele é feito(contagem dos pontos, pontuação..)? Bellucci, por exemplo, por atingir a semi na Suíça(ATP 250) pode subir algumas posições depois apanhar em diversos torneios.
    Abraço.

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