Novo talento ou fogo de palha ?



A grama é um piso traçoeiro, que permite surpresas, que permite aos grandes sacadores a possibilidade de avançar e causar estragos na chave.

Foi o que vimos em 2012 com Lukas Rosol derrotando Rafael Nadal, Steve Darcis batendo o mesmo jogador em 2013 e Sergyi Stahovsky superando Roger Federer. Apenas alguns exemplos mais vivos diante de vários outros que ano pós ano pipocam pela grama do All England Club.

Nesta terça-feira Nadal foi vítima de novo, perdendo pela terceira vez seguida para um tenista do número 100 para baixo no ranking (Rosol era o 100, Darcis o 135 e Kyrgios o 144).

A diferença básica é o potencial de Nick Kyrgios mostrou diante da qualidade do seu tênis com sua falta de respeito – no bom sentido – e sua jovem idade, 19 anos. Na primeira concepção, Nick não se deu por convencido que já havia feito uma boa campanha com vitórias sobre Richard Gasquet e tremeu diante do número 1 do mundo e campeão de Roland Garros. Disse que queria a vitória, foi lá e jogou o seu melhor. Mais do que isso, pegou um Nadal que, apesar de não estar 100% confiante, estava jogando bem e se recuperando na partida após vencer o segundo set. Não abaixou no mental como costumamos ver com os inúmeros coadjuvantes do circuito e passou longe de falhar quando foi para a definição da partida.

Essas características levam a crer que Kyrgios possa ser um tenista top no futuro, mas depende de muitos fatores que o circuito pede. O primeiro deles é a regularidade. Há três semanas Kyrgios perdia do australiano John Patrick Smith em um challenger, tenista abaixo dele no ranking. É mais fácil você surpreender quando ninguém te conhece do que depois, quando se é conhecido e quando se tem a pressão. O segundo deles é a eficiência em outros pisos. A grama distribui poucos pontos e vem em um período muito curto da temporada. Será que ele manterá essa força no piso rápido e não será um zero à esquerda no saibro ? Para ser o número 1 do mundo ou um top 10 é preciso ter resultados em todos os pisos. E o terceiro é a condução da carreira após um grande sucesso. Foco no trabalho e o direcionamento correto na parte técnica, mental e física.

Nos últimos anos vimos muitos jogadores talentosos que pareciam que iriam e sumiram. O mais recente deles de Bernard Tomic que fez quartas em Wimbledon e pipoca umas campanhas legais na Austrália, mas sempre se envolve em problemas extra-quadra e não tem aquela vontade para se tornar o cara.

A sorte está lançada. Kyrgios seria um fogo de palha ou um cara que veio para ficar ? Só o tempo irá dizer.

Curtinhas:

Federer vem fazendo direitinho seu trabalho e terá um jogo para embalar contra Wawrinka nesta quarta-feira, Promete esta partida.



  • Said

    Fabrizio,

    Seus textos são ótimos, e as opiniões também agradam. Porém, está ficando meio chato toda essa “atenção” dada a Rafael Nadal. Federer e Batista Agut venceram torneios importantes e não foram lembrados antes de Wimbledon. Raonic e Dimitrov merecem um foco também. Vamos variar aí amigão… pois o Nadal, apesar de ganhar Roland Garros (aos trancos e barrancos) não tá com essa bola toda não. Abraços

  • Neto

    Talento o menino mostrou. Ótimo saque, bons golpes dos dois lados, boa variação… mas claro, precisa de uma lapidada em alguns pontos.
    Eu acredito que esse menino chega a top 20, se tiver cabeça pode ir até mais longe.

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