Teste de Fogo para Nadal



Optar por disputar o torneio de Halle logo após vencer Roland Garros e de certa forma cansado provou não ter sido a decisão certa para Rafael Nadal. Sabe-se que o espanhol não gosta de jogar na Inglaterra, país que cobra impostos a mais dos atletas em premiações de competições que lá disputam, por isso vem migrando nos últimos anos para o evento alemão. Não obstante, o piso e condições de Halle são mais velozes que Wimbledon e também em Queen´s, algo que não foi Rafa e sim Roger Federer, mestre no piso, que atestou.

O resultado é que Rafa, mesmo sem dores no joelho, chega sem confiança no piso após tomar uma chacoalhada do modesto Dustin Brown justo na superfície onde precisa de bastante ritmo para engrenar seu melhor tênis. As dúvidas só aumentam pelo desempenho no All England Club por conta do serviço. Com as costas ainda em condições abaixo do 100% o saque fica afetado e Nadal sem um potente serviço fica muito mais vulnerável na superfície. Basta lembrar. Nos cinco anos em que fez final, um potente saque fez a diferença. Estranho falar que o Nadal saca forte, mas ele já mostrou, não só em Londres bem como no US Open, que consegue ser um sacador.

Para completar adicione a pitada de pimenta no sorteio da chave para o natural de Mallorca. Uma relação de adversários e possíveis rivais indigestos. Na primeira fase Martin Klizan, um canhoto talentoso, que pega firme na bola e já bateu fortes tenistas no circuito. Dá ritmo de jogo, mas anula o saque aberto no lado da vantagem que Rafa costuma usar como arma. Logo a seguir pode vir um Lukas Rosol que ele já sabe bem o veneno provado de 2012 e na terceira rodada um Ivo Karlovic que não dá sequência nenhuma na superfície e é sempre perigosíssimo.

Se Nadal passar por esses testes de fogo tem tudo para engrenar no torneio, mas na minha visão a chave mais mais complicada para seu lado.

Federer, por sua vez, pegou uma primeira rodada dos sonhos, com o saibrista Paolo Lorenzi. A seguir precisa abrir o olho. Julien Benneteau já o levou ao quinto set em Londres há alguns anos e Gilles Muller é sacador. Pegar um jogador que saca muito é sempre ruim na superfície e para a terceira rodada Nicolas Mahut se torna o único potencial rival perigoso. Se Jerzy Janowicz estivesse numa boa fase o colocaria como provável adversário complicado, mas não é o caso, então não vejo complicação até as quartas onde pegaria Stan Wawrinka, John Isner ou Feliciano Lopez. O primeiro não costuma ir bem nos torneios na grama e terá um bom desafio pela frente.

Se a fase de Andy Murray fosse outra diria que tem três boas primeiras rodadas, mas com a confiança em baixa e pressionado para defender o troféu em casa pode se enrolar antes de um possível encontro contra Grigor Dimitrov nas oitavas. Passando por esses jogos a porta está aberta para uma eventual semi contra Novak Djokovic. Difícil saber as possibilidades do sérvio que desistiu de uma exibição sentindo dores no punho. Novamente qualquer influência negativa para o saque torna qualquer jogador mais vencível na grama e Nole não tem rivais tão fáceis em sua chave.

No feminino novamente Sharapova e Serena caíram para um possível duelo nas quartas. Vamos ver se a americana vem mordida após a queda precoce em Paris e se a russa consegue agrupar um bom tênis novamente no torneio.

Teliana terá mais chances se o problema no ombro de Simona Halep for realmente um problema e não apenas uma precaução para jogar Wimbledon – ela desistiu em Hertogenbosch. A brasileira precisa jogar com o primeiro saque com alto percentual e buscar uma forma de ser mais agressiva do que costuma ser. Caso contrário tende a levar bombas e se complicar.

Curtinhas:

Alguns reclamam, mas o sistema de cabeças de chave de Wimbledon é assim, baseado no desempenho dos dois anos anteriores no torneio e na superfície. Não é para chorar e reclamar, só aceitar.



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