As lições de humildade de Nadal



Gilvan de Souza / Fotojump

Gilvan de Souza / Fotojump

Sair de van do estádio assim como evitar passar por alguns locais comuns do clube de vez em quadra eram necessários. Afinal, um ídolo como Rafael Nadal teria sossego se andasse por um lugar público com uma grande quantidade de fãs. A mesma proteção que a organização deu ao espanhol era dada na época de Gustavo Kuerten. E o tricampeão de Roland Garros ainda precisa, vez ou outra, de certa proteção.

À parte disso, a semana de Rafael Nadal serviu para mostrar, ao fã brasileiro e carioca, as lições de humildade que um número 1 necessita ter. A primeira. Sempre que possível parava para atender o espectador com autógrafos, fotos e etc. Acompanhei alguns de seus treinos durante os nove dias e em todos, ao término, ele corria, pela parte de trás da quadra para respeitar o colega de profissão que estava batendo, para cair nos braços do povo. Não reclamou em nenhum momento do assédio que, diga-se de passagem, durante o torneio, foi bem respeitoso.

A segunda lição de Nadal. O respeito ao companheiro. No meio da semana fez um treino com o brasileiro André Sá que foi atrasado em trinta minutos para o espanhol fazer trabalho de prevenção nas costas. A prática era para ser de duas horas, durou 1h30min e quando os dois iniciavam o trabalho de voleios, os jogadores no horário seguinte chegavam. Palavras não minhas, mas de Sá, Nadal não quis continuar para respeitar o espaço e horário do próximo. Ele atrasou e pagou por não poder continuar.

A terceira lição. Ser sincero com a imprensa. Nadal foi pago e recebeu um bom cachê da organização do Rio Open. O valor não é divulgado oficialmente, mas sabe-se que em média um número 1 cobra ao redor de US$ 1 milhão ou 1 milhão de euros ou até mais. Mesmo assim, quando perguntado, ele não temeu em fazer criticas construtivas ao evento. Reclamou da quantidade elevada de saibro na quadra no início da competição, depois da bola que era muito viva e por fim falou mal do trânsito e certa desorganização da cidade do Rio de Janeiro. Obviamente que, dadas as circunstâncias acima, o jogador não vai sair atirando no torneio. O jogador inteligente, que sabe que o que fala repercute muito, faz as criticas de forma suave, pontual, com elegância.

Por fim, a última lição. Um grande campeão sempre dá igual importância a todos os torneios. Joga com sua maior capacidade e motivação em qualquer um dos jogos, seja primeira ou na última rodada e seja contra o número 100 ou 2 do mundo. Mesmo jogando mal e tomando sufoco, foi buscar dois match-points e venceu uma semifinal muito difícil. E para a imprensa destacou que não importa se o torneio é um 500 ou 250, cada vitória e competição é importante e ajuda o tenista estar onde está.

Os milhares de fãs e principalmente jovens e crianças que compareceram esta semana no Jockey Club puderam presenciar um ídolo não só dentro, mas fora da quadra. Uma referência tanto para a vida comum quanto para a carreira de um futuro atleta ou tenista.

Curtinhas:

Até amanhã transcrevo uma entrevista longa que fiz com Luiz Carvalho, o diretor do Rio Open. Um papo bem bacana tocando nas feridas e acertos da competição.

O torneio Rio Open teve suas falhas que foram abordadas em um post no meio da semana passada, mas nada muito grave e que manche o futuro da competição. O saldo é muito positivo e o evento tem muito a acrescentar para o tênis brasileiro no futuro.

Bellucci tem uma chave que, se passar da primeira rodada, pode tranquilamente fazer semifinal no Brasil Open. O que me preocupa é novamente a questão física e um jogo mais rápido que pode favorecer o seu rival, novamente o colombiano Santiago Giraldo. Rogerinho furou o quali com contundente vitória sobre o cabeça 2 e tem parada dura pela frente. Vida nada fácil terão João Souza, o Feijão, e Guilherme Clezar contra Robin Haase e Martin Klizan.



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