Davis não é competição de 1 jogador só



Quem diria que o coadjuvante Radek Stepanek, o galã de Praga, fosse se tornar o herói por dois anos seguidos do título tcheco. O formato da competição proporciona que os número dois de seus países possam se tornar as estrelas em confrontos equilibrados, algo que no meu entender é interessante.

Copa Davis não é competição de um jogador só. Em muitos confrontos um tenista consegue definir e se destacar no final de semana todo, jogando simples e duplas, mas para ganhar a competição é preciso um time forte e pelo menos dois tenistas fortes e de preferência versáteis. Assim se fez a equipe tcheca que por mais um ano levantou a taça.

Além da boa apresentação na final, o time tcheco mostrou esse ano não só ter Berdych e Stepanek, dois grandes tenistas nas duas categorias, mas usou bem seu coringa Lukas Rosol quando precisou, nos dois primeiros confrontos.

Por diversos problemas o time sérvio acabou sem o seu número dois, Janko Tipsarevic e Viktor Troicki, o que fez com que a equipe viesse para o confronto com apenas Novak Djokovic de destaque e o confronto se tornasse um tanto previsível. Nenad Zimojic , que poderia dar um plus nas duplas, no duelo que faria a diferença, acabou não rendendo seu melhor e a Sérvia ficou órfã, dependente.

Djokovic termina o ano com 24 vitórias seguidas, vencendo seus sete jogos de Copa Davis. Fica uma pontinha de frustração por não vencer o título. O fato de não entrar na dupla ao meu ver foi uma decisão acertada do capitão Bogdan Obradovic. Muitos jogos nas últimas semanas e um tenista exausto poderiam pesar no jogo contra Berdych nesse domingo. Apesar de 3 sets a 0, não foi uma partida fácil. Um pontinho aqui outro ali e o tcheco poderia muito bem ter levado um ou dois sets e até o jogo.

A Suíça é um país que teria uma boa chance de levantar a Davis se Roger Federer tivesse o mesmo desejo e comprometimento na competição do que seu parceiro, Stanislas Wawrinka. Já provou que pode jogar bem duplas pelo caneco Olímpico de 2008 com Stan, mas infelizmente o torneio não é sua meta. Assim fica difícil vislumbrar a equipe suíça levantando a taça, ainda mais sem nenhuma outra esperança perto do quilate dos outros dois.

O encanto argentino da Davis chegou ao fim em 2013 com a aposentadoria de David Nalbandian e a crise da AAT com Juan Del Potro. O top 5 soltou os cachorros contra o capitão Martin Jaite e a Associação Argentina de Tênis e não há mais aquela geração do início dos anos 2000 que possa substituir o que é hoje o número 1 local. Assim, o sonhado título fica adiado. Juan Monaco não tem capacidade de carregar o time nas costas.



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