Para Nadal, não há limites



Me lembro um papo com meu amigo jornalista Fábio Aleixo, do Diário LANCE!, e algo que discuti com outros colegas de imprensa durante o Brasil Open, questionando a capacidade de Rafael Nadal e até mesmo uma possível aposentadoria do espanhol este ano caso mantivesse aquele nível de tênis apresentado em São Paulo.

Depois das façanhas no saibro vieram as dúvidas no piso rápido. Será que o joelho aguenta ? Em seguida, após passar a caneta completando a atividade o questionamento passou a ser: será que ele consegue bater seu maior algoz, Novak Djokovic, no piso duro ? O fez, não só uma, mas duas vezes e agora em uma final do US Open.

Obviamente que tudo o que Nadal vem fazendo na temporada e nas últimas semanas no piso duro, principalmente no US Open, o credenciavam para ser um ligeiro favorito na final se comparado com as atuações de Djokovic. Mas olhando para trás, a evolução e as enormes pedras no caminho, é de se louvar a capacidade enorme de superação do espanhol e seu empenho em mudar seu estilo de jogo, adaptar treinos para se tornar um tenista mais completo e mais agressivo.

O futuro não cabe me cabe dizer o que vai acontecer. O tênis é cíclico, pode mudar muito rápido. Assim como Nadal está por cima numa temporada fantástica hoje, pode não ter rendimento parecido em 2014 e ver um Djokovic dominar novamente ou um Murray ser mais consistente, um Federer renascer ou retomar seu espaço. Mas o esforço, dedicação, fome por vitória e evolução de Nadal me levam a crer que com uns dois ou três anos mais, o mundo possa ver um novo recordista de Grand Slams.

Mesmo que ele não tenha a preferência de estilo de jogo de muitos fãs do tênis, posso dizer que Nadal é um tenista completo, merece tudo o que vem conquistando e para ele não há limites. Ganhar está em seu sangue, em seu DNA.

Sobre a final – Ficou claro que o 3º set definiu a partida. Djokovic teve suas chances, para abrir duas quebras, para fazer 5/4 e saque após um 0/40. Nadal, sempre na briga, mordeu, mordeu, lutou, pegou as oportunidades e a cabeça do sérvio desmoronou. Tivemos um grande jogo, que só terminou em quatro sets pois Nadal foi Nadal o tempo todo e Djokovic jogou um tênis absurdo no fim do segundo set até a metade do terceiro. A diferença foi a confiança que no espanhol vinha injetada com juros e correção monetária. Confiança pelos títulos, pelas atuações no US Open e as últimas vitórias sobre Djokovic. Em 2011 aconteceu o contrário, era Djokovic que vencia e dominava Nadal e sempre na hora chave o sérvio levava. A maré está para o espanhol.

Curtinhas:

Nadal soma agora 60 títulos na carreira. São 13 de Grand Slam ficando um atrás de Pete Sampras e isolado na terceira posição. No ano são dez conquistas, a uma de igualar seu feito de 2005 quando venceu 11.

Cá pra nós, a consagração no US Open já faz deste ano ser BEM melhor do que o de oito temporadas atrás. São dois Slams, cinco Masters 1000, dois eventos 500 e um 250 sendo que ficou ausente de outro Masters e o Australian Open e fez final em 12 dos 13 torneios que disputou.

São 63 jogos e 60 vitórias e uma vantagem acima dos 3 mil pontos no ano para Novak Djokovic. O número 1 é questão de tempo. Djokovic terá mais cerca de 3.010 pontos a defender até o fim da temporada e Nadal ZERO. Nole pode acrescentar apenas mais 1 mil de Paris caso repita 2012. Ou seja, na teoria, se Nadal papar mais um Masters e fizer um resultado bom em um torneio 500 ou no outro Masters restante, já garante o fim de ano no topo.

No feminino Serena Williams alcançou seu 17º Slam diante de Victoria Azarenka. Sempre mostrando poder neste tipo de torneio, a americana fica a uma conquista de Martina Navratilova e Chris Evert, ainda a sete de Margareth Court e cinco de Steffi Graf. Seu domínio no feminino é mais latente do que o atual de Nadal. Serena, com gana e bem fisicamente como está, ganha uns dois ou três Majors por ano e com a vontade demonstrada nas duas últimas temporadas, tudo leva a crer que possa bater o recorde ou ao menos chegar nas 20, 21 conquistas.



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