Falta de caráter



 

O vídeo está aí. Milos Raonic faz o winner, mas antes do ponto acabar claramente toca na rede, faz uma cara de preocupação com a certeza de que perderia o mesmo. O árbitro não viu, deu o ponto a ele e o jogo continuou. A questão era que Era O PONTO e não um qualquer. 4/3 Del Potro, iguais e se a regra fosse aplicada com correção pelo árbitro seria vantagem pro argentino, mas com o migué, Raonic teve o break-point, aplicou winner de revés, quebrou de volta, vibrou muito e rumou pra vitória.

Em seguida, em coletiva de imprensa, o canadense admitiu a “roubadinha” “Tive sorte que o juiz não viu, no meu ponto de vista foi sorte minha e falta de sorte pra ele. Seria duro dar esse ponto (a ele) que era em um momento muito importante”, disse Raonic que foi flagrado pela câmera fazendo cara de preocupação após tocar na rede. Del Potro discutiu com o árbitro e o canadense ficou calado.

“É algo que pode acontecer pros dois lados, o mesmo que você ter uma chamada duvidosa que você quer desafiar, mas não tiver mais desafios disponíveis”.

Quer dizer então que se o ponto fosse um 15/15, um 30/0 a favor dele, 40/0 pro adversário, Raonic se utilizaria do cavalheirismo e daria o ponto pro rival ?

Esse tipo de atitude não faz parte do tênis. Desde pequeno, quando se é juvenil ou até mesmo amador, os tenistas são responsáveis pela marcação, inclusive passando no profissional pelos futures onde há apenas um árbitro de cadeira e nem para todos os jogos. Se há dúvida na marcação, se repete o ponto ou então que se dê boa pro adversário. Obviamente tem um ou outro que não é flor que se cheire e pelo visto Raonic é um deles.

O canadense provou ter um caráter duvidoso indo contra a lei e tradição do esporte. Fica ainda pior pra ele em um momento onde as estrelas do esporte como Federer, Nadal e Djokovic sempre demonstrem a ética que é peculiar do tênis.

Total gol contra de Raonic. Ganhou o jogo, mas vai criar inimigos no vestiário e perderá fãs.

 

 



  • Augusto

    Na verdade, somente o árbitro “não viu”…

  • André Miranda

    Eu estava admirando o Tennis do Raonic, porém, com esta atitude de não dar o ponto ao adversário, nunca mais irei torcer para um atleta deste tipo. Ele deu uma declaração de que se tratava de um ponto importante e que não poderia dar o ponto ao Del Potro, porém, ele deveria avaliar que o ponto não era dele e sim do adversário, então não era uma questão de dar o ponto, e sim, admitir o erro e jogar o proximo ponto. Eu jogo Tennis e o que acho sensacional neste esporte é o jogo limpo e este atleta com certeza não sabe o que é isto. Eu vi o jogo e não acreditei que ele teve esta atitude.

    Abraço.

  • Cláudia

    É, ficou feio pra ele. Em meio a discussão ele deveria ter admitido o toque e seguir, ele provavelmente ganharia da mesma forma, Delpo não tava bem, contundido, apático, etc. E ganharia com a consciência tranquila.

  • pereira

    FG, contra argentino vale.
    Brincadeira, uma vergonha pro Raonic e do juiz, o tennis principalmente o profissional não merece.
    Não era caso do supervisor do torneio intervir?????

    • Fabrizio Gallas

      O supervisor no máximo pode dar uma chamada no árbitro. Não mais do que isso.

  • Ale

    Falta de caráter é exagero!

  • maria alice

    Olha Fabrízio, estou de acordo contigo quanto ao caráter duvidoso do Raonic e isso é mal, mas não deixa de ser um reflexo de nossa sociedade, na qual cada um quer levar vantagem sobre o outro para conseguir os objetivos. Confesso que me decepcionei muito com ele em vista do ocorrido. Na verdade, não acho que Djokovic seja diferente de Raonic porque me lembro bem que na semi de Roland Garros ele, mesmo tendo infringido a norma mostrou-se decepcionado com a marcação do árbitro, quanto tocou na rede em um ponto fundamental, para o jogo, talvez até mesmo para o título. Não tenho tanta certeza quanto aos demais jogadores do circuito, com exceção de Federer e Nadal, se diante de uma situação parecida, denunciar-se-iam. Portanto, posso estar sendo injusta com os demais, mas somente excluo esses dois – Rafa Nadal e Roger Federer, que em situações parecidas, já observei o comportamento deles que é exemplar no que se refere ao CARÁTER. Peço desculpas se estiver equivocada. Um abraço, Maria Alice.

  • Felipe Gonçalves

    Nadal com ética? E as dezenas de vezes que ele parou um jogo quando estava perdendo para pedir atendimento médico e voltou correndo como um louco?

    E as vezes em que, antes de um jogo decisivo, disse não saber se poderia entrar em quadra devido ao cansaço, mas quando entrou correu por mais 4 ou 5 horas? (Australian Open de 2009 é só um exemplo).

    E quando foi a banheiro antes de o Federer sacar para o jogo em Indian Wells 2012? (em uma das atitudes mais antidesportivas que eu já vi).

    E quando disse que perdeu para o Clement em Marselha 2006 devido a uma picada de abelha em um dos intervalos? (minha predileta)

    Djokovic não foge muito disso, mas melhorou depois de 2011. Aliás, o sérvio recebeu uma bolada desnecessária do Nadal no rosto neste sábado.

    O espanhol já disse, em seu livro, que tem obsessão pela vitória: dorme, acorda, come e treina pensando apenas nela, e que uma derrota é inadmissível. Este tipo de pensamento o leva a cometer as atitudes descritas acima.

  • Mário Fagundes

    Essa história de que o tênis é um esporte de cavalheiros, há muito deixou de existir. Muitas partidas são decididas nos detalhes. Atitudes antidesportivas aparecem vez ou outra nos torneios, como a simulação de uma contusão, um pedido para ir ao vestiário e esfriar o oponente, uma bolada “sem querer” no adversário, dopping, um xingamento dentro de quadra, uma encarada com “sangue nos olhos”… Quantos amigos verdadeiros existem no circuito? Não condeno o Raonic. Será que Nadal, Federer, Nole, Murray não fariam o mesmo? Delpo agora é santinho, só porque se tornou amigo do Francisco?! Não, não mesmo! Ninguém quer perder. E todos já utilizaram uma ou outra malandragem em algum momento da carreira.

  • Rafael

    E aquela história de entrar no torneio só pra jogar a 1a. partida, sabendo que não tem condições de seguir adiante, vale?
    Nem me lembro o motivo disso, se é dinheiro ou pra cumprir requisito ref. ao ATP Tour Finals, mas também não é uma atitude “correta”.
    Talvez o tênis seja “menos pior”, mas honestidade no esporte é complicado…

  • Cátia

    Djokovick é provocativo, malandro também em alguns momentos…..Nadal é meio malandro, mas ainda acho muita diferença entre pedir para ir ao banheiro num momento decisivo,do que cometer um erro, saber dele, saber que está errado e não falar.
    Penso que somente Federer é diferente, este sim tem caráter dentro e fora das quadras….
    E para o Raonic,estava começando a torçer por ele, mesmo não gostando muito do jogo dele, só serviço e voleio. Agora então, prefiro nem acompanhá-lo….não estou julgando-o,quem sou, mas com certeza até ele se sentiria melhor de ter ganho sem essa.

  • É falta de personalidade, de educação; falsidade; quando nao se garante no que faz e diz; pessoas que mentem.

  • O apelido moderno dela é falta de noção. Que é diferente da falta de caráter. Quando um crítico de rock cinquentão ironiza a idade de Caetano Veloso ao lançar um disco de rock, ou quando tuiteiros soltam fogos pela morte de Margaret Thatcher depois de se indignarem com as comemorações pela doença de Lula, é possível que não vejam incoerência na própria postura.

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