A histórica batalha de Roland Garros



Uma verdadeira guerra dentro do coliseu, não o de Roma e sim o da Philippe Chatrier. Um dos maiores, se não o maior jogo de Roland Garros, um jogo para a entrar para a história. O duelo de titãs, Rafael Nadal x Novak Djokovic na semi de Roland Garros.

O que define um jogo épico, para entrar para a história do esporte ? Aquele que, além de muita emoção e reviravoltas, apresenta bastante qualidade pela maior parte do encontro. Ter match-point salvo ajuda, mas não é determinante se há viradas e tensão no final.

Dos meus 17 anos acompanhando tênis, desde Fernando Meligeni na Olimpíada de 1996, e oito anos e meio cobrindo o esporte, este Nadal x Djokovic sem dúvida é um dos dois ou três maiores que já presenciei – infelizmente não vivi/acompanhei a época de Borg e McEnroe na década.

O que foi mais interessante é que o jogo não permaneceu apenas uma batalha física de quem corre mais e sim um jogo com alto nível técnico, com winners, bolas plásticas, passadas improváveis, direitas e esquerdas fenomenais. E o principal. Ambos estavam no seu melhor tênis e apresentaram uma luta incrível, e quando pareciam baleados, se reerguiam. O único a lamentar foi um terceiro set curto com um Djokovic desconectado. Se fosse o contrário, certamente a partida passaria das cinco horas (teve 4h37min).

Um pouco difícil comparar este jogo com aquele Federer x Nadal de Wimbledon 2008. Primeiro pois aquele era uma final e este semi e segundo que lá não houve um set claro para niguém e neste o terceiro deixou a desejar por parte do sérvio. Mas em termos de qualidade e emoção, os jogos se equivalem. Logo assim, classifico este Nadal x Djokovic como o maior jogo do clássico e uma partida pra colocar de vez o duelo no coração.

Difícil avaliar quem se abateria mais com essa derrota. Qualquer um que perde um jogo desse fica frustrado. É péssimo para Djokovic perder um jogo como esse quando se tem 4/2 no 5º set e a expectativa de bater o maior desafio de todos no circuito. Mas certamente o baque de Nadal seria enorme igual. Mesmo tendo sete Roland Garros no currículo, perder uma partida após sacar em 4/3 e depois sacar pro jogo e ter 30/15 tendo já um histórico daquela derrota no Australian Open poderia causar um dano grave.

Ao sérvio pesou um pouco da ansiedade a partir do 4/2. Foram dois smashes e um ponto perdido de forma grotesca se atrapalhando na rede. Mesmo assim, a atitude e o ímpeto de Nadal lhe deram enormes méritos para a virada no fim.

Sem dúvida Djokovic está muito triste, mas como grande competidor que é sabe que esteve muito perto de conseguir um feito e que é questão de tempo para ganhar no saibro parisiense. Com jogos como este, a rivalidade Nadal x Djokovic só se aflora e eleva o nível de tênis para um patamar que jamais se imaginaria que pudesse chegar.

Nadal enfrenta o bravo David Ferrer na final de domingo. Tsonga deu uma boa tremida e David entrou muito focado e sem sentir o peso de um semi de Major. Se jogar bem solto como está pode dar muito trabalho a Nadal, mas pelo nível que Rafa atingiu nesta sexta, difícil imaginar que o octacampeonato não venha. Só espero que seja em uma partida disputada.

A única chance de Sharapova vencer Serena é tirá-la de sua zona de conforto. Como só sabe dar pancada, difícil que haja uma variação, logo precisa atacar o tempo todo, ser precisa e não dar brechas no serviço. Chances pequenas pra musa pelo que vem jogando Serena, mas sempre há a possibilidade.



  • JOGÃO!!! As vezes não gosto do sérvio pelas derrotas que ele já impôs ao Nadal,e devido a dor de cotovelo que seus torcedores e torcedores do Federer tem para com o Nadal,mas agradeço demais a ele e ao Federer,pois se não fossem eles Nadal não seria tão grande como é! tem gente que fala que o Nadal só faz jogo chato, hj foi mais uma prova do que esse cara pode proporcionar a nós, admiradores do tênis e do esporte! pra quem tem paixão por raça,não tem como não ser mto fã do Nadal!!

  • JR

    Nas semifinais, mais um show de lambanças dos juízes, com direito novamente a serem desmascarados pelo recurso eletrônico em rede mundial de tv. A pergunta que não quer calar é: a quem interessa não ser adotado o desafio eletrônico no saibro? Com certeza não é ao esporte, nem aos telespectadores que desejam ver um jogo mais limpo e justo possível.
    Muito bom ver uma final espanhola em solo francês. Quem sabe assim os franceses criam vergonha na cara e tiram esse torneio da idade da pedra: construindo um teto retrátil, instalando iluminação nas quadras e adotando o indispensável desafio eletrônico.

  • Gabriel

    Fabrizio, no AO ano passado Nadal tbm perdeu apos ter 4/2 no ultimo set, o q acha dessa coincidencia?

    • Fabrizio Gallas

      Gabriel,

      Pois é, foi um troco bem na mesma moeda. Agora a qualidade desse jogo foi maior do que a do AO na minha visão.

  • Que jogo! Grandioso em todos os aspectos!
    Para mim foi a final e merecia…
    Enfim, pasito a pasito e Rafa mostrou porque é o Rei do Saibro!
    Agora é só aguardar domingo e esperar que essa final seja igual ou melhor que a semi de hoje.
    Ferrer vem com uma grande trajetória nesse torneio, mas…
    Rafa é Rafa e creio na vitória desse grande tenista e imbatível há 7 anos em Roland Garros!
    VAM8S RAFA!
    Saudações Nadalistas,

  • caraca que jogo foi esse,sou federista mas sei que roger não está mais conseguindo competir com esses dois monstros do tenis atual.foi qualquer coisa de espetacular esse jogo,principalmente no quarto set.que vitória essa de nadal,acho que se existisse empate no tenis esse seria o resultado mais justo.

  • Carla

    Éh, todos viram que Djokovic não está preparado para enfrentar Nadal! Apresentou erros grosseiros.

  • Othon

    Boa noite Fabrizio!

    Muito bom seu post, mas só por curiosidade, por que você classifica esse confronto de hoje como o melhor da rivalidade “Nadal x Djokovic”, ao invés do confronto da final do Australian Open 2012?

  • Felipe Scarpelini

    Antes desse jogo, acho que podemos colocar a épica final entre Djoko e Nadal no aberto da Austrália de 2012. Um jogao de alto nível técnico durante quase todo o tempo, reviravoltas semelhantes a esse jogo (Nadal precisou voltar de um 4/2 no 4o set para empatar o jogo, disparar no quinto set e depois ver Nole crescer e vencer o campeonato). Mas sem dúvida esse de hoje foi um grande jogo.

  • Fabrizio, tudo bem? Adoro o seu blog/site. Montei um. Quando puderem,deem uma passada por lá. Obrigado. Abraço. Pedro. http://www.tenisparaviciados.blogspot.com.br

  • alexandre Cunha

    como disse o colega Willian..tem gente que fala que Nadal só da Balão…assiste este jogo e nunca mais fala nada….lembrando de ninguém fez isso no Tênis mundial, voltar de 7 meses parado e chegar a todas as finais..ou fez Fabricio?

  • maria

    HIST8RY!!! La vem ele…

  • Paulo Roberto Fernandes de Oliveira

    Tem alguns comentaristas de sofá que são umas figuraças.
    O companheiro que disse que os “apaixonados por raça” admiram o Nadal está certíssimo, porque esse sem dúvida é o grande atributo do espanhol. Mas, na minha modesta opinião, quem gosta de “raça” mesmo é veterinário ou dono de cachorro e outros animais domesticáveis. Além do mais, é ridículo imaginar que qualquer atleta profissional de alto rendimento, ganhando a dinheirama que eles ganham para competir, não teria “raça”. Todos têm esse atributo, com certeza, inclusive Roger Federer, só que o suíço utiliza prioritariamente outros atributos que ele dispõe, dados pela genética, como leveza, elasticidade, técnica apurada e natural na execução de todos os golpes, sem excesso de esforços ou mecânica rude e fabricada em laboratório. Portanto, “raça” não é bem aquilo que um bom apreciador desse esporte maravilhoso que é o tênis deseje como razão para se apaixonar por ele, a ponto até de querer praticá-lo. “Raça” é o óbvio, como já disse, porém se esse jogo virar um espetáculo de super-raçudos, somente isso, haja saco para aturar!

  • Paulo Roberto Fernandes de Oliveira

    Que joguinho “pé no saco” que eu acabei de ver, hein! Vi algumas partes, pois foi impossível ficar ligado o tempo todo nessa porcaria. Que o Nadal é muito superior aos seus adversários jogando no saibro (com exceção do Nole), já sabíamos. Que o Ferrer é apenas um jogador lutador, limitadíssimo, e um freguezão do espanhol também já sabíamos. Mas, que o jogo seria essa chatice, impossível de se apreciar como espetáculo e como algo interessante de se assistir em frente de uma TV, isso foi novidade, tratando-se de uma final de RG. O Ferrer jogou de forma resignada, cumprindo apenas uma formalidade de quem sabia e assume que essa não é a praia dele. Fazer final de Grand Slam é muito para o caminhãozinho de areia do Ferrer. Pena que jogadores como Murray, Berdich, Del Potro e o próprio Federer não jogaram ou ficaram pelo caminho. Todos perderiam para Nadal na final, mas pelo menos com um jogo mais interessante, eu acredito. Mais pena ainda o jogo entre Nadal e o Djoko ter sido ma semi, pois ali o campeão já havia sido definido, seja qual dos dois vencesse. Enfim, foi enfadonho, sem graça e triste ver o esporte que eu amo caminhar para esse marasmo. Até o clima de Paris estava sombrio e o céu choroso. Acho que foi porque os deuses do tênis já se preparam para um longo período de desânimo e de falta de um legítimo representante do tênis genial, que nos ilumine com jogadas mágicas e nos encante com um jogo inteligente e sem excesso de músculos e de transpiração.

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