Bola de supermercado ? Nadal contra a ATP ? Brasil Open conturbado



Quando se é para elogiar, que se elogie, mas também quando se é pra criticar, que se critique. As presenças de Rafael Nadal, David Nalbandian, Juan Monaco, Nicolas Almagro entre outros foi um grande gol da organização. Mas fica vergonhoso para o torneio que nosso maior evento tenha oferecido quadras e bolas que desagradem cerca de 80, 90 % dos tenistas.

Os problemas são diversos. As quadras apresentam buracos, as linhas soltam, boleiros precisam entrar nos intervalos para amenizar as frequentes goteiras em momentos onde nem está chovendo e, se não bastasse isso, uma das três quadras de jogo é interditada às pressas, apertando a programação.

Para completar, os tenistas disparam também contra a bola. O técnico de Fábio Fognini brincou e disse que as mesmas foram “compradas em supermercado”. De uma certa forma ele não está errado, a marca usada é a Wilson Championship, uma das mais baratas do mercado, aquela que você vê frequentemente nos free-shops brasileiros em promoção. De acordo com os tenistas as bolas são ruins, duras, sem pelos e não dão nenhum controle de jogo. E quem entoa o coro da reclamação não é qualquer um,  e sim Rafael Nadal.

Dores de cabeça com quadras não são de exclusividade do Brasil Open. No US Open de 2011 uma bolha se formou na quadra do jogo entre Roddick x Ferrer mudando o encontro para uma quadra menor. Em Doha, este ano, um buraco paralisou outra partida do espanhol quarto do rankin. Mas tudo em uma normalidade de irregularidade, aspectos pontuais.

Por mais que uma das principais culpadas seja a promotora do evento, que faz o torneio praticamente sozinha, com seus patrocinadores, a imagem do tênis brasileiro também fica por tabela manchada, afinal este é o único evento ATP no país e o mundo está muito de olho nesta competição pelas estrelas que possui.

Que não se esqueça da explicação do torneio brasileiro para os problemas da quadra. De acordo com eles, pouco tempo esteve disponível para a montagem das quadras por conta do UFC que foi realizado no dia 17 de janeiro – a construção iniciou no dia 25. De fato uma quadra de saibro precisa ser bem testada, ganhar horas de voo para ficar adequada. Mas a organização correu um risco com essa margem pequena de tempo e está pagando o preço.

Nadal x ATP – Rafael Nadal estreou hoje, fez uma boa exibição, não mais do que isso. Durante seus jogos no Chile e nesse primeiro aqui, vejo que Nadal jogou pro gasto, faltando um pouco de energia. João Souza, o Feijão, atuou muito bem, se aproveitando das condições rápidas e seu estilo agressivo. Senti que Feijão tinha condições de beliscar um set, mas um , ou outro erro evitou que ele quebrasse o espanhol. Mas méritos para Nadal que jogou como Nadal nas horas que precisava. E um grande aprendizado ao brasileiro para levar aos próximos eventos na busca pela volta ao top 100.

Agora o que é preciso ressaltar é uma insatisfação enorme de Rafael Nadal com a Associação dos Tenistas Profissionais. Não é de hoje que Rafa reclama sobre poucos torneios no saibro, premiação. Hoje ele colocou culpa exclusiva na ATP por aprovar as bolas usadas no evento (é o torneio que escolhe a bola, não é ?). A insatisfação do espanhol com os que comandam o tênis masculino é evidente

Que não sejamos bobos de acreditar que Nadal está achando tudo lindo e maravilhoso no Brasil Open. Longe disso, críticas também foram feitas. Mas de uma certa forma seria deselegante, para com os organizadores, ele meter um pau numa competição que bancou US$ 1 milhão ou mais só por sua presença – a não ser que algo grave lhe ocorra. Nos torneios do Masters 1000 e Grand Slam ele tem essa maior liberade, visto que os jogadores não recebem cachê para tais competições.

 



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