Guerreiros. Mostramos o nosso valor



Sempre quando se perde, tentamos achar os motivos (ou culpados), buscar explicações no famoso “se” que acaba apenas em especulação pois não é fato. Mas há quedas que no qual o derrotado sai de quadra como vencedor, fortalecido para os próximos desafios e mostrando ao mundo seu valor. Assim foi com o Brasil nessa Copa Davis.

Chegamos ao confronto com uma pequena chance, como zebras, questionando a escalação de Thiago Alves na equipe – admito ter sido um deles, por motivos devidamente citados de momento de jogador e falta de experiência na competição – e tivemos um primeiro dia ruim, perdendo os dois jogos sem ganhar sets e com um cenário para deixarmos de Jacksonville com um 3 a 0 sem resistência.

Mas o grupo se fechou e não abriu mão de lutar. Ganhou uma motivação enorme com a incrível vitória na dupla de Marcelo Melo e Bruno Soares e empatou o duelo com uma tremenda atuação de Thomaz Bellucci virando sobre John Isner. E depois Thiago Alves jogou acima de sua capacidade usual , com muito coração e por pouco não conquistou o que seria um feito histórico para o Brasil e para o mundial.

Bellucci com vitória maiúscula – Temos que tirar algumas conclusões desse confronto. Depois de deixar sua reputação novamente em baixa na sexta-feira com a derrota apática para Sam Querrey, Thomaz Bellucci tornou a ganhar O RESPEITO do público.  Sua recuperação no domingo foi ENORME. Assim mesmo, com letras garrafais. Conseguiu se desfazer da perda do primeiro set jogando com muita consistência no saque, paciência e um poder mental incrível, vencendo no 5º set um jogo importante contra um jogador de nome. Quem minimiza Isner poder ser sacador, basta analisar seu currículo recente. Final de Indian Wells batendo Djokovic, vitórias em Copa Davis sobre Roger Federer e Jo Tsonga, ambas no saibro.

Vitórias importantes em Copa Davis podem dar ânimo, motivação e mudar um jogador para o circuito. Aconteceu com Fernando Verdasco, com Viktor Troicki e até mesmo com Djokovic que teve seu melhor ano após um título nesta competição.

Ainda temos dependência de Bellucci e da dupla na Copa Davis para os maiores confrontos, principalmente no piso rápido. Basicamente é torcer para Thomaz buscar os dois pontos de simples e a dupla ganhar no sábado. Mesmo assim, nossa equipe mostrou que tem qualidade o suficiente para permanecer no Grupo Mundial e eventualmente beliscar uma quartas de final.

Infelizmente ainda não temos um número dois solidificado. Rogerinho Dutra Silva e Thiago Alves são dois guerreiros, de muito coração e jogadores que pegaram o espírito de Copa Davis e elevaram seus níveis nesta competição. Eles são capazes de incomodar e eventualmente beliscar um pontinho, mas precisamos lembrar que não são jogadores jovens – o primeiro com 29 anos e o segundo com 30. A esperança, pro futuro, é que algum jovem desponte ou que João Souza, o Feijão, de 24, desabroche uma consistência de jogo e resultados que lhe vem faltando nos últimos meses.

Duelo nos Playoffs – Especular o confronto de setembro ainda é muito prematuro. Os oito derrotados do Grupo Mundial enfrentam os oito classificados dos Zonais, mas a definição dos possíveis confrontos é feita por ranking. O Brasil por enquanto é o 16º colocado e estaria entre os oito cabeças de chave que enfrenta um não cabeça.

Mas em abril, por exemplo, perderemos pontos por não defender a vitória na final do Zonal ano passado. Times como a Suécia e Rússia, que vêm logo após o Brasil na tabela, podem subir já que jogam dentro de dois meses, e aí nos tiraria para a lista dos não-cabeças, o que seria péssimo já que poderíamos ter pela frente países como Espanha, Croácia que certamente serão favoritos.

E a magia da Copa Davis persiste. Neste final de semana tivemos Canadá e Itália conquistando vitórias históricas na competição, a República Tcheca jogando uma dupla de 24/22 e sete horas contra a Suíça, o patinho feio Viktor Troicki sendo o herói novamente da Sérvia (em simples e duplas) e a Argentina vencendo um duelo improvável no sábado contra a Alemanha com o também “patinho feio” Carlos Berlocq resistindo diante do top 20 Kohlschreiber. E é claro o duelo do Brasil que por pouco não virou a maior surpresa da primeira rodada.

Muita emoção nestes últimos dias. Infelizmente um ou outro tenista não gosta de tal competição e quer enxugá-la para melhor de três sets. Lamentável.

Próximos duelos – Canadá joga em casa e é favorito contra a Itália, mas será um duelo equilibrado, italianos jogam bem no piso duro. Sérvia x EUA nos EUA outro duelo parelho. Dupla americana é melhor e pode fazer a diferença. Sérvios precisam vir completos. A Argentina vai precisar da volta de Del Potro para bater os franceses. Gasquet e Tsonga jogam bem no saibro e não há Carlos Berlocq ou David Nalbandian que dê jeito. Os tchecos são favoritos no Cazaquistão.



MaisRecentes

Zverev tem tudo, mas ainda falta muito. Estranho, não ? 



Continue Lendo

Nem sempre se pode ganhar todas



Continue Lendo

Djokovic a caminho de recordes



Continue Lendo