Sorte e cautela para Bellucci



Todo cuidado é pouco ao se analisar a chave de Thomaz Bellucci em um torneio Grand Slam que não seja Roland Garros. Seu jogo no piso rápido possui certas deficiências, que vêm sendo trabalhadas e melhoradas, mas ainda o tornam mais vulnerável e assim decepções acontecem. Já o vi perder para Jan Hernych no próprio Australian Open, ou Simon Stadler e um frustrante 3 a 0 para o então decadente Rainer Schuettler, ambos em Wimbledon, e um Dudi Sela no US Open após abrir 2 sets a 0. Por esses motivos que sempre é bom ter cautela nas chaves do brasileiro.

Mas impossível negar que sua projeção do Aberto da Austrália é um sonho para as possibilidades que o brasileiro tinha. Começando pelo fato de ser cabeça de chave. Com o sistema de 32 favoritos, estar entre eles significa evitá-los nas duas primeiras fases, ou seja, escapar de uma grande fera logo de cara. E Thomaz pegou uma primeira rodada que pode ser eleita uma das melhores para o restante dos tenistas. Blaz Kavcic é um journeyman, tenista que sobe e desce, nunca faz nada de produtivo tanto no piso duro quanto no saibro. Já esteve entre os 70 do mundo, é verdade, mas com méritos maiores nos challengers do que em ATPs. E Bellucci o venceu em Gstaad por 6/1 6/1 ano passado.

O que me intriga é a segunda rodada. Aparentemente “uma teta” , como os mais otimistas podem dizer. De Benjamin Mitchell não tenho muito o que falar. Não o conheço. Mas James Duckworth já aprontou uma baguncinha nos torneios de piso duro levando Janko Tipsarevic ao quinto set no Australian Open do ano passado, mas depois disso não fez mais nada. Mesmo assim, um rival jogando em casa, sem pressão, todo cuidado é pouco,

Passando por esse desafio, Thomaz fixaria sua melhor campanha na Austrália e pegaria provavelmente Jo Tsonga na terceira rodada. Como cabeça 29, Bellucci teria que enfrentar um dos top 8 em projeções para esta fase eo francês é o melhor deles. Não venceu nenhum dos outros top 8 no ano e tampouco vem numa fase exuberante. Chance para fazer ao menos um jogo equilibrado e quem sabe beliscar uma zebra.

Se Bellucci reclamou um pouco da sorte no chaveamento de outros Slams, neste ele não tem o que contestar. A sorte andou do seu lado, agora é preciso confirmar o favoritismo com convicção e não marcar bobeira. Pontos em Grand Slams são importantes para a manutenção ou subida no ranking.

Sobre o restante da chave, Federer pode ter uns problemas na segunda e terceira rodada caso venham Davydenko e Tomic. Pra sua sorte pegou um Benoit Paire numa primeira rodada. Adversário bom pra ganhar ritmo em um ano onde ainda não atuou. E ele ainda tem Tsonga nas quartas e Murray na esperada semi. Pelo lado de Djokovic, Mathieu na estreia sempre é chato, mas o francês, como se sabe, cutuca, cutuca, mas na hora H sempre falha. Djokovic deu sorte de não ter Murray no seu lado , mas terá provavelmente Berdych para as quartas.

Alguns bons jogos marcam a primeira rodada. Hewitt, que parece estar renascendo, contra Tipsarevic. Dolgopolov x Monfils, Goffin x Verdasco, Benneteau x Dimitrov, Murray x Haase. Os piores jogos ? Aqueles pra meio-dia na quadra 27. Kamke x Cipolla, Millman x Ito e  Donskoy x Ungur são fortes candidatos…

No feminino, Sharapova respira aliviada a ausência de Serena no seu lado. Enquanto isso Azarenka lamenta e torce pra americana ou perder antes ou não chegar na sua mehlor forma. Se chegar, meu amigo, não tem pra ninguém. Wozniacki pega Lisicki e Kvitova pega Schiavone, dois jogões da primeira fase.



  • Felipe Gonçalves

    A chave do Dkokovic está muito fácil. O Berdych, como sabemos, não consegue jogar contra o Djokovic, que devolve todas as bolas e frita a mente do tcheco. Ainda mais nesta quadra lenta.

    Na semi contra o Ferrer, parede por parede, o sérvio é melhor. Um robô mais avançado, digamos. Acredito que ele chegará à final sem perder sets e, caso uma possível semi entre Federer e Murray se alongue, será o favorito para levar o título. Aliás, nesta quadra, ele já é o favorito.

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