Bom blefador, mau presságio



Rafael Nadal virou fã e também garoto-propaganda de pôquer e, talvez por isso, esteja cada vez mais se tornando um bom blefador. Quando todos davam como certo seu retorno em Abu Dhabi, Doha e Aberto da Austrália, após detalhar que ia bem nos treinos e apto para o retorno, ele deu baixa no torneio exibição dos Emirados Árabes e, logo em seguida, das primeiras competições oficiais da nova temporada, ficando de fora do 1º Grand Slam.

O que não colou foi a desculpa. Uma infecção intestinal que estaria tirando seu ritmo de treinos e partidas. Não sou médico, mas normalmente um problema intestinal não dura mais do que uma semana e ele está desistindo de uma série de três semanas de torneios. E já vi o espanhol entrar em quadra, jogar e ganhar com febre.

Se não deu para jogar na primeira semana, como em Doha, que aceite um convite para exibição de Kooyong, em Melbourne, ou o ATP de Sydney, algo que Rafa não quis. Logo, certamente o problema no joelho do espanhol ainda não foi totalmente sanado e ele simplesmente não quer arriscar um início de ano no piso duro. Agora, de fato concordaria com ele e com Toni Nadal que chegar no Australian Open sem nenhuma partida prévia seria muito arriscado em um torneio com jogos de cinco sets. Boa chance de pagar certo mico contra jogadores de menor ranking.

A decisão de Nadal abre a grande oportunidade para que inicie o ano no torneio ATP 250 de Viña del Mar ou até mesmo no Brasil Open, em São Paulo, ambos no saibro. Sabe-se que estas duas competições querem o tenista. O evento chileno reservou seu último convite para ele e publicamente afirmou ter oferecido US$ 1,2 milhões de garantias para sua presença.

Seria uma ótima para o tênis sul-americano e brasileiro ter o Rei do Saibro por aqui. O que não é nada bom é atestar que Rafa segue gerando incertezas e se arrastando em desistências em cima da hora das principais competições, deixando todos mais convencidos que o piso duro é cada vez mais um vilão para seu jogo.

Sem Nadal, o início do ano e o Australian Open perdem bastante em emoção, competitividade e interesse. Que dure pouco este martírio do espanhol.

Curtinhas:

Começou nossa cobertura no Aberto de São Paulo no Parque Villa-Lobos. A grande novidade, além da maior premiação do torneio que passa da dar pontos de US$ 150 mil e se torna o 2º maior torneio masculino do Brasil, é a regra do let que será abolida nos três primeiros meses nos challengers, ou seja, quando o saque bate na fita e cai na área de saque, o jogo continua.

Conversei com Thiago Alves, Ricardo Hocevar e Rogério Silva e todos foram unânimes em afirmar que estão treinando jogar com a regra, mas vêm se confundindo bastante. Será uma semana bem curiosa para ver a reação de cada um. Pode até gerar confusão para alguns árbitros.

Falando mais sobre o torneio, será crucial para a convocacão do time da Copa Davis. Na disputa estão Rogério Silva, Thiago Alves, Ricardo Mello e João Souza. Um bom resultado aqui pode mudar ou só confirmar as intenções do capitão João Zwetsch.



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