Loucalendário



Definir o calendário de um tenista é uma tarefa bem difícil, principalmente se ele está um pouco fora do grupo dos 100 melhores do mundo pra baixo. O que vou jogar ? Permaneço nos challengers para somar pontos e subir ? Arrisco os qualies de ATPs para enfrentar caras melhores, evoluir meu jogo e somar mais se fizer um bom resultado ? Tudo depende do foco do momento, da confiança e também, do principal, a grana que você pode gastar.

Muitos tenistas ali pelos 200, 300 do mundo não podem se dar ao luxo de arriscar os principais torneios por falta de patrocínio. Os mesmos estão distantes e o quali só gera grana, bem pouca por sinal, se você passar duas rodadas e fizer final. Agora se avançar e entrar na chave, garantia de receber cerca de US$ 4 mil. Mas o risco acaba sendo alto para esses casos e por isso os mesmos permanecem nos futures e challengers.

No circuito temos também o Journey Man que se refere ao tema de meu post de hoje. O que são eles ? De onde eles vêm ? Para onde eles vão ? (risos). São tenistas normalmente da faixa os 80, 60 do ranking, que vez ou outra sobem, caem desse grupo. Aqueles que dificilmente aprontam alguma coisa no circuito (uma vitória sobre um top 10 por exemplo), mas sempre estão ali por somar uns dois, três bons resultados em ATP por ano, ganhar alguns challengers.

São tenistas que independente da situação entram e jogam todos os principais torneios, mesmo machucados. Por alguns movitos. O primeiro, a grana que um torneio deste tipo dá – como dito acima, no mínimo uns US$ 4 mil – e o segundo para pegar experiência e viajar, conhecer novos países, cidades.

O ponto extremo desse fator ocorreu em um exemplo esta semana. Alex Bogomolov Jr. jogou a Copa Davis contra o Brasil em Rio Preto (SP). De casamento marcado para dezembro com uma brasileira ele aproveitou para jogar um challenger, em Campinas (SP), próximo de lá. Fez semifinal, jogou até o sábado, duas partidas inclusive no mesmo dia, pegou o avião e quarta-feira estava atuando na Malásia, em Kuala Lumpur após cerca de 24h (ou mais!) de viagem e 11h de fuso horário. Por sorte pegou um rival do quali mais fraco e venceu a primeira rodada caindo na seguinte obviamente. Aspirações de bom resultado, título ? Que nada! Bogomolov embolsou US$ 14 mil de premiação de um dos ATPs 250 mais valiosos do circuito e provavelmente deu uns passeios pela cidade. E o físico ? Que se lasque!

Bogomolov já fez um pequeno estrago no circuito ao vencer Andy Murray em Miami, ficou no grupo do top 40 ano passado, mas por enquanto não fez mais.

Hoje em dia com as regras limitando os top 30 a ter dois ou três resultados nível ATP 250 faz com que estes torneios sejam palco de muitos exemplos deste tipo de jogador que faça um verdadeiro LOUCALENDÁRIO. E vez ou outra acabam colhendo bons resultados já que as chaves de vários deles ficam enfraquecidos.

Agora não cabe a mim criticá-los, muitos sabem que não tem tênis suficiente para serr um top 10, top 20, usufruem do circuito e tiram dele o seu sustento. Normalmente nesta faixa de ranking se consegue um patrocínio, anos luz atrás de um Federer ou Nadal da vida, mas que dá para realizar estas loucuras.

 



  • Bruno88

    Achei estranho quando vi que o o Bogomolov já tava na Malásia,mas foi bem na escolha o russo,já é fim de temporada mesmo.Parabéns pelo ótimo texto Fabrício!!!

  • Ótimo post, gostei do assunto tratado.

    É bem dura a vida dos tenistas fora do top 50 e mais ainda os que vivem basicamente de challengers.

    Ser tenista profissional não é fácil e qualquer pessoa com maior conhecimento sabe disso. As vezes as críticas são infundadas, os atletas precisam de dinheiro e acabam deixando de lado a ética (entrar contundido) ou fazer loucuras como fez o Bogomolov, se importando com a parte financeira em detrimento do físico.

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