33 semifinais



O US Open vê o fim de uma série. Desde Roland Garros em 2004 que Roger Federer ou Rafael Nadal não ficavam de fora de uma semifinal de um Grand Slam. Na ocasião Nadal ainda começava no circuito e Federer, então novo número 1, perdia na terceira rodada para Gustavo Kuerten.

É um dado a se pensar. Sem dúvida a supremacia de ambos acabou. Mas isso não quer dizer que eles não são mais competitivos e vencedores. Ambos provaram este ano ganhando Roland Garros e Wimbledon. A diferença é que os outros, como Novak Djokovic, Andy Murray e eventualmente uma surpresa chegaram para ficar e disputar cabeça a cabeça.

Nadal segue com suas limitações físicas e não jogou hoje e Federer, como eu já afirmei outrora no blog, não tem mais aquele respeito de certos tenistas e vez ou outra pode perder.

Respeito hoje que faltou a Tomas Berdych. No bom sentido é claro (para ele). O que jogou o tcheco hoje não tava escrito em lugar algum. Saiu atrás, se recuperou rápido e deu bordoadas de um lado a outro da quadra. Tomas tem um estilo de muita agressividade, de sufocar o adversário e quando está a frente no marcador torna-se ainda mais perigoso como vimos hoje.

Seu principal mérito foi na parte mental. Ao perder o terceiro set que liderava por 3/1, conseguiu focar e voltar a jogar o grande tênis que vinha aplicando até então. O principal. Aproveitar suas chances.

Pelo lado de Federer fica aquela chateação por ele ter aceitado o jogo franco na pancadaria com o tcheco. Usou poucas variações de slices e deixadas. Acabou contribuindo para o bom desempenho do rival.

Murray x Berdych é a primeira semi. Nenhum destes venceu um Grand Slam na carreira. Como afirmei anteriormente, o escocês vem com atuações diferentes. Nas sessões diurnas sofre, é passivo, sofre com a umidade, nas noturnas se solta. Teve tudo para perder para Cilic, mas o croata amarelou. Se jogar assim de novo contra Berdych, o escocês não escapa da derrota.

Nesta quinta teremos Djokovic x Del Potro nas quartas. O sérvio vem jogando muito bem e com a queda de Federer fica um pouco mais favorito ao título (atenção, um pouco só!), mas não pegou ainda uma pedreira no torneio. Um bom teste de um jogo que promete.

E chegou ao fim a carreira de Andy Roddick. Fez uma ótima exibição contra Del Potro, mas se perdeu a partir do terceiro set. Como Del Potro disse, Roddick ainda é perigoso. Mas para o americano valeria somente pagar o preço se fosse capaz de vencer os top 4, top 5 e hoje suas condições são mínimas contra tais jogadores.

Como disse no post especial sobre sua aposentadoria, Roddick vai deixar saudades pelo espírito de luta e autenticidade. Não tem papas na língua e é uma figura nas coletivas. Irônico.



  • Altaisio Paim

    Tristeza…

  • Alan

    Fabrício,

    Normalmente acho que você é sempre muito rigoroso quanto a Federer e seus inquestionáveis feitos que o credenciam como o maior de todos os tempos na opinião de muitos, inclusive, modestamente, a minha. Entendo algumas de suas objeções – embora não concorde em termos – como a desvantagem no confronto direto com Rafael Nadal e o fato do Federer ainda não o ter vencido em seu habitat (Roland Garros). Há ainda também a ausência de uma medalha de ouro em simples em Olimpíadas. Ainda não surgiu um tenista capaz de abarcar todas as principais conquistas. Nadal venceu o Golden Slam, mas não foi capaz de defender um título sequer (jamais, never) fora de seu piso favorito, o saibro. Assim, pergunto: onde está a sua dominância fora da terra batida? Nadal é um monstro, mas, definitivamente, não será o maior de todos os tempos. Também nunca venceu um ATP Finals (1500 pt), numa superfície em que é apenas competitivo, há anos luz de ser de ser dominante. Agassi também tem um Golden Slam e conquistou o Masters Cup, mas não dominou a modalidade como seu rival Sampras. Federer dominou o tênis como nenhum outro, mesmo o Sampras teve seus recordes pulverizados pelo suíço, possui um arsenal de golpes e jogadas inigualável, é o recordista em Majors, recordista do Finals (antes Masters Cup), divide com Nadal o recorde de M1000, impõe-se em todas as superfícies, ainda que seja superado pelo espanhol de Manacor no saibro, possui duas medalhas olímpicas (prata em simples, ouro em duplas). Porém, o cara não é Zeus. Federer é o homem a ser batido no tênis. Está no Olimpo não só da modalidade, mas do esporte como um todo, assim como Pelé, Ali, Jordan, só para ficar em três… Discutir até que dá, mas questionar o Maestro, só um louco, algo que você está longe de ser. Desulpe o longo comentário, mas precisva dizê-lo. Conquanto, no que tange ao jogo das quartas do US Open entre Federer e Berdych, fostes perfeito na análise. Achei o suíço errático demais, sobretudo no forehand (!). Como bem disseste não variou como era apropriado para encarar um Berdych, e ele sabe disso como poucos, mas às vezes é teimoso e turrão. Ontém, pagou caro por aceitar passivamente a pancadaria do tcheco. Mas digo tudo isso e não, sem tirar qualquer mérito do Berdych que realmente estava demasiado inspirado e mereceu vencer. Vejo Djoko e Murray um pouco mais favoritos que os demais para chegar a final, porém, assim como você, só um pouco mais…

  • rui costa

    federer perdeu e bem…merito todo do berdych k e um excelente jogador e algum demerito do federer..tinha k ter segurado a quebra no 1 set ..mas certamente se levantara e vai ainda ganhar coisas grandes…parabens ao checo….

  • Com certeza absoluta, berdych jogou muito;toda oputunidade que teve no jogo ele aproveitou muito bem mas o que ninguém parrece que se tocou é que federer os 2 primeiros sets jogou uns 5 a 10% com o primeiro serviço(muito pouco mesmo para quem precisa vencer) e aí fica difícil suportar tanta bordoada vindo na devolução do seu segundo serviço, que foi em sua maioria fraco, pouco angulado e por isso previsível.
    Fica a sensação em mim de que a história podia ser outra, não fosse este fator tão ruim em seu jogo… abraços

  • Rafael

    Fabrício! É incontestável a qualidade do theco que se apresentou muito bem na partida! Mas fiquei com a impressão de que o fato de o Federer não jogar desde sábado o deixou um pouco sem ritmo de jogo! O theco jogou demais mas o suíço deixou a desejar! Digo isso pelo número de erros não forcados do Federer! No ultimo gama em que foi quebrado ele errou 3 direitas fáceis no meio da quadra!

  • Lucas

    Eu acho que o campeão do USOpen sai desse jogo de hoje: Djoko x Delpo.
    O Murray jogou muito pouco contra o Cilic, mas o croata se perdeu no jogo, estava com um mental a la Bellucci nos piores dias.
    E hoje temos o Bruno Soares na final mista…. É um premio de consolação pelo menos para o tenis brasileiro…

  • Alan

    Onde se lê “há anos luz”, leia-se “a anos luz”

  • Eduardo

    Assim como em Wimbledon 2010 e 2111 contra o próprio Berdych e Tsonga, e a maioria dos jogos com Nadal, o problema de Federer é …..Federer e a teimosia própria dos gênios. Tem dias que simplesmente ele não admite que irá perder o jogo se não mudar de estratégia e continua insistindo em ganhar jogando o tipo de jogo que está favorável ao adversário.
    Devolver saques que são verdadeiras bombas de canhão e ficar trocando pauladas no fundo da quadra com Berdych e Tsonga ( Isner, Raonic e cia ) nos dias que eles estão iluminados é suicidio. Ainda mais, com 31 anos!!! Tem que quebrar o ritmo do jogo, traze-los pra rede, encurtar as bolas, coloca-las mais baixas, fazendo os gigantes se curvarem.
    Ele sabe fazer isso como ninguem, mas simplesmente se recusa a faze-lo, como se fosse um desafio pessoal vence-los da forma que eles quiserem jogar.
    Com Nadal, não adianta nem mais polemizar os balões do espanhol em sua esquerda nas quadras de saibro, responsáveis por 80% de suas vitórias contra o suiço….rsrrs.
    Enfim, se ele não fosse gênio, não seria teimoso e se não fosse teimoso, certamente não seria gênio.
    Bom que seja assim, pra ele perca algumas tambem e o esporte continue razoavelmente imprevisível…rsrs
    Djokovic é o mais disciplinado e de melhor técnica dessa geração, além de forte fisica e mentalmente.
    Creio que volta ao topo no próximo ano e fará, ainda mais, uma grande carreira, superando Nadal.
    Aos numeros de Federer, na minha modesta opinião, não chegará.
    Gênios são coisas raras de surgir.
    Infelizmente!!

  • Paulo Fernandes

    Tá feliz, hein, Fabrizio…o seu “desafeto”, o suíço melhor de todos os tempos, levou uma bela paulada ontem de um tenista mediano e apenas porradeiro, para sua satisfação, né? Realmente o Federer “chamou a derrota contra o tcheco”, pois em nenhum momento do jogo impôs o seu ritmo e a sua categoria, léguas à frente do seu algoz. Errou demais e pareceu desconcentrado e inseguro em vários pontos. Poderia ter jogado com uma raquete sem corda de tanta “madeirada”…enfim, não foi o dia dele e agora, vida que segue. O suiço não vai ficar nem mais pobre nem mais rico com essa eliminação inesperada, precoce, do US Open. Para nós, os seus fanáticos admiradores, é que fica a sensação e o gostinho de “que pena, queríamos mais show”!!!

  • Karla

    Eu concordo com tudo que o Alan escreveu. Ontem, vendo a despedida do Roddick me emocionei bastante; o mesmo aconteceu com a Clijsters e fiquei pensando: meu Deus, como vai ser quando o meu Lord se aposentar? Isso mesmo, Lord, é assim que eu me refiro a ele……..Ainda sou nova em idade mas, tenho quase certeza, nunca mais verei tal genialidade em quadra! Roger Federer conseguiu se aproximar da perfeição! Digo se aproximar porque perfeito só houve um…….é isso.

  • Caramba… fikei muito xateado com a eliminação do federer… faça-me o silencio da Arthur Ashe quando o federer perdeu, o meu silencio..
    não tenho muito o que falar, soh espero q o federer absorva logo essa derrota, e continue motivado pra disputar mais e mais torneios q viram esse ano, e nos proximos… para o bem do tenis!!!

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