Persistência, o exemplo de Roddick



É muito difícil para um jogador que já foi número 1 do mundo, esteve entre os dez primeiros por quase uma década, ganhou 32 títulos com cinco finais de Grand Slam encontrar motivação para seguir jogando quando sabe que tem limitações físicas.

Mesmo ganhando alguns títulos, em torneios ATP 250, era notório desde Wimbledon, que Roddick estava um patamar abaixo dos top 10 e vários das feras do circuito. A derrota para Federer e em seguida para Djokovic (no Grand Slam e na Olimpíada) mostraram isso. Sim, Roddick venceu Federer em Miami, em março, mas logo em seguida voltou a acusar no físico, no que pode ser seu último grande ato no circuito – sim ele ainda pode fazer algo de bom neste US Open.

Por isso é perfeitamente compreensível sua aposentadoria, ainda mais pois completa 30 anos.

Agora o tênis sofre mais um baque, o segundo em dois dias. Ontem, Kim Clijsters, e hoje Roddick. O americano não era um puro talento como a belga. E também não era um grande exemplo de comportamento em quadra. Muita reclamão com os árbitros, polêmico e até dando alguns maus exemplos.

Mas Roddick era muito coração. Sabendo de suas limitações técnicas, utilizando basicamente o saque e a direita, buscou ao longo do tempo, trocando de técnico, alternativas para se manter entre os melhores, para derrotar seus principais algozes, como Roger Federer e também conquistar o sonho de vencer Wimbledon, que não conseguirá. Chegou a buscar a utilização de slices e os voleios. Nem sempre foi muito bem sucedido, mas conseguiu tirar algumas casquinhas do suíço vez ou outra. Mas o que podemos questionar com alguém que venceu tanto e se manteve por tanto tempo entre os melhores ? Nada.

E o americano nascido em Nebraska vai deixar saudades. Não só pelo estilo com saque poderoso, e pela luta, mas também como uma figura fora das quadras. Muito espirituoso, sem papas na língua e sarcástico. Suas coletivas de imprensa sempre foram as mais concorridas, com sempre algo de importante a dizer, cutucando o sistema do circuito (ele liderava a ameaça de boicote ano passado) ou alguma tirada sensacional.

Uma delas foi a coletiva após levar pneu na semi de 2007 para Federer na semi do Australian Open. Ele disse que seu então técnico, Jimmy Connors havia lhe dado uma cerveja para relaxar após a queda. LEIA AQUI

Roddick ainda vai jogar até esta sexta ou por mais alguns dias, mas já nos deixa saudade e o tênis vai aos poucos mudando de safra. Nos últimos meses já se foram Fernando Gonzalez, Ivan Ljubicic, Carlos Moya e em breve, até 2013 certamente, Lleyton Hewitt, Juan Carlos Ferrero e talvez Tommy Haas devem se despedir.



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