Retomando a confiança



O tênis é feito de confiança. Sem ela, mesmo que se jogue bem, os resultados esperados não vem ou custam a chegar. E o problema de Rafael Nadal com Novak Djokovic era claro. A final do Australian Open escapou pelos nervos, mas agora em Monte Carlo não teve jeito. Após sete derrotas seguidas, o natural de Manacor finalmente espantou o carma para derrotar o sérvio e vai ganhar aquela injeção de confiança que parecia meio abalada durante os últimos meses. Afinal, foram quase 11 meses sem títulos (Roland Garros início de junho de 2011 a última conquista).

Ah mas agora então Nadal vai ganhar tudo ? Não é assim. Talvez no saibro, mas temos algumas ponderações a fazer.

Em primeiro lugar. O que fez Nadal vencer hoje ? Sacou melhor, tomou a iniciativa da maioria dos pontos e jogou com o revés longo errando muito pouco. Contribuiu a atuação abaixo do esperado de Djokovic que já não vinha de altos e baixos durante todo o torneio. Certamente que a perda do avô influenciou nas performances não convincentes, afeta a parte mental. Mas não é desculpa. Seria difícil o sérvio vencê-lo hoje.

Em segundo lugar. Monte Carlo é o torneio de Nadal. Se sente à vontade. Saibro ao nível do mar, condições bem lentas. Favorece seu estilo. Os próximos Masters no saibro, Roma e Madri são mais velozes. Na Itália a quadra costuma ser mais ‘rala’ e em Madri tem a altitude. Daí a chance dos outros e do próprio Djokovic são maiores. Em Roland Garros a situação é parecida com Monte Carlo.

Em terceiro lugar. Os torneios na sequência são no piso de grama, piso rápido onde Rafa não ganha nada desde o fim de 2010.

De qualquer forma a temporada tem um início animador em termos de equilíbrio. Federer ganhando, Djokovic sem aquele domínio, mas sempre chegando e vencendo e agora Nadal retomando a boa fase.

PRESSÃO E RISCO OLÍMPICO – Thomaz Bellucci teve uma ruptura no abdômen e não joga Barcelona e nem Munique. Desistir de Barcelona foi uma boa opção. Tinha Nadal na chave para as oitavas e iria somar pouco se chegasse até lá tendo que vencer dois jogos. Agora o problema é que em Madri defende 360 pontos e corre um sério risco de despencar no ranking e até sair da zona de classificação para a olimpíada. Ele descartará nessas semanas outros 45 das quartas de Estoril. Ou seja, chegará muito pressionado na Espanha.

Caso não consiga um bom resultado terá que ir buscar em Roma e Roland Garros. É torcer.

DE LUTO – Notícia péssima ontem me deixou muito triste e foi um dos motivos por não escrever meu post prévio da final. Morreu o árbitro Roberto Almeida. Pernambucano, de ótimo coração e linda família, era um grande amigo, foi Silver Badge da ATP (só perde pro gold Badge onde hoje se encaixa Carlos Bernardes) e arbitrou duelos de Copa Davis, Grand Slams e Jogos Olímpicos.

Infelizmente não conseguiu vencer o câncer no esôfago pelo qual já havia batalhado em 2007. Nos tornamos amigos nas coberturas de challengers e realizei uma entrevista em 2007 no Pan-Americano do Rio junto com o jornalista Paulo Conde, do Diário LANCE! onde contou sobre o drama da doença.

Nos últimos anos atuava como supervisor de torneios pelo Brasil. Aqui deixo o bate-papo que fiz com ele em 2007.  CLIQUE AQUI E LEIA!

Descanse em paz, Beto!

 

 



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