Calendário e grana motivam greve. Vai depender do top 3



Andy Roddick e Andy Murray botaram a boca no trombone. Reclamam do calendário desgastante e da pouca distribuição de prêmios repassada pela ATP aos tenistas. Pedem por uma greve dos jogadores que a cada dia fica mais viável, mas precisa do apoio do top 3.

O dinheiro não é a influencia maior na cabeça destes tops, que são os poucos privilegiados do cicuito. Eles querem a redução do calendário (que já terá duas semanas menos em 2012). A solução é a diminuição dos torneios obrigatórios.

O top 30 devem jogar 18 torneios na turnê durante uma temporada, sendo os 4 Slams, oito Masters 1000, quatro ATP 500 e dois ATP 250. Se esta série não for completada os tenistas sofrem punições no ranking e correm até riscos de suspensão (que na verdade nunca foi dado). O problema é que estes Masters ficam grudados ou não se adequam às vontades dos jogadores. Logo acontecem algumas desistências ou o top chega sem condições principalmente nesta parte final do ano.

Para a ATP esta obrigatoriedade é interessante. Obriga os tenistas a fazerem parte do show, mesmo sem as condições. Traz patrocindores pros eventos, retorno de mídia, torcida, etc. Logo há o impasse crucial com os tenistas.

Em seguida vem o entrave com os jogadores intermediários. A Associação dos Tenistas Profissionais repassa apenas 13% dos lucros recebidos em premiação aos tenistas derivados dos mais de 60 torneios disputados em uma temporada – não incluindo os Grand Slams que são organizados pela Federação Internacional.

Hoje em dia no circuito vive razoavlemente bem e começa a ter lucros aqueles tenistas que estão entre os 50 melhores, que tem vagas constantes nas chaves dos ATPs e dos Masters. Fora dessa faixa, até os cem, cento e poucos, fica-se mais ou menos no zero a zero e daí em diante é uma batalha constante de sobrevivência – ainda mais pra quem não tem patrocínio.

Apesar da primeira rodada de um ATP dar no mínimo uns US$ 4 mil, os custos principalmente com passagens pra lá e pra cá pesam no bolso e evitam que muitos deles viagem com técnicos, preparadores etc., algo que faz a diferença na recuperação ou cabeça do atleta em uma partida.

Os argumentos são lucidos e os tops já entram na jogada. Agora o movimento só vai acontecer se Rafael Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic o apoiarem. Os três são do conselho de jogadores da entidade e ao que parece ainda estão receosos com a medida drástica. Sem eles, o movimento perde mídia e não ameaça totalmente a ATP que está mudando de presidente em dezembro.

Mas Xangai pode ter um novo capítulo. Aguardemos.

Curtinhas:

Só não gosto do tenista reclamar que o calendário é apertado, viagem pra cá, pra lá etc. e estar recheado de exibições quando tem folgas. Este ano Federer, Nadal,  entre outros jogaram em Abu Dhabi na virada de ano, o espanhol e Djokovic jogaram uma exibição logo após o Masters de Indian Wells (ou Miami, não me lembro) e pro ano que vem Federer e o mesmo Roddick já tem marcada a exibição no Madison Square Garden, em Nova York para março.

O argumento de defesa da ATP pode estar aí. Querem mudanças de calendário, então parem com as exibições. Mas de fato os jogadores são as estrelas. Se eles não quiserem jogar, não jogam e a ATP vai perder muito…

 

 



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