Sorteio da chave do Aberto dos EUA é contestado



A coluna Outside de Lines da ESPN produziu uma análise do sorteio da chave dos Grand Slams nos últimos 10 anos e constatou que os dois principais cabeças de chave, tanto no masculino quanto no feminino, no US Open, têm adversários mais fáceis na primeira rodada do que aponta a estatística média de um sorteio comum, feito de forma aleatória.

O diferencial de aleatoriedade do US Open não foi encontrado em Wimbledon e no Australian Open que ficam na média. Roland Garros é o torneio onde as duas principais favoritas têm os piores adversárias na estreia. Na chave masculina a média é mantida.

A reportagem ouviu Brian Earley, diretor do circuito profissional da USTA, associação americana de tênis e árbitro geral do Grand Slam jogado em Nova York e ele afirmou que o sorteio segue o sistema de aleatoriedade: “Confio tanto no meu trabalho que se houvesse algo injusto já teriam provado contra mim ou o torneio, mas sempre estamos abertos a ouvir sobre o assunto”.

A coluna analisou as dificuldades dos torneios determinada pelos jogadores da ATP e WTA antes dos sorteios contra os tenistas que jogaram contra os dois favoritos nos Slams nos últimos 10 anos. Foram feitos 1000 simulações nos 10 anos de Grand Slams.

Em apenas três destas 1000 simulações os oponentes de primeira rodada foram fáceis para os dois principais cabeças em média para 10 anos de Slams no US Open. Em nenhuma das das 1000 simulações os resultados foram tão fáceis quanto os conseguidos pelos dois favoritos no US Open real nas últimas dez temporadas.

Andrew Swift, ex-presidente da Associação Americana de estatísticas em Esportes e professor de matemática da Universidade de Nebraska, em Omaha, opinou: “Olhando para estes dados fica uma evidência significativa que isto não veio de um sorteio aleatório”.

Scoville Jenkins partipou da reportagem. Em 2004, abaixo dos 1000 do mundo e o pior ranqueado na chave, enfrentou Andy Roddick, então cabeça 2, na estreia. Em 2007 voltou ao torneio como o 125º melhor ranqueado entre os 128 da chave e encarou o cabeça 1, Roger Federer.

Um sorteio aleatório deveria dar para Jenkins apenas 31% de chances de enfrentar um cabeça de chave, sendo apenas 2,08% de encarar um dos dois melhores.

“Em 2004 pensei, que falta de sorte! Mas às vezes eu penso que eles colocam o jogador contra quem ele mais gosta de jogar. Se eles disserem que não fazem um sorteio aleatório colocando outro tipo de sistema, isso não vai me surpreender”., disse Jenkins.

Swift fez sua próprio estudo dos oponentes dos dois favoritos e constatou que em apenas quatro ocasiões em 1 milhão de simulações conseguiu igualar ou conseguir algo mais fácil do que foi observado nas chaves do US Open masculino e feminino nos últimos dez anos.

“Os números do US Open são estranhos ainda mais se comparar com os outros três Grand slams. Alguma coisa estranha acontece por lá”.

Earley contesta: “O que o US Open ganharia manipulando o sorteio da chave ? Acredito que nada. Seria um risco que o US Open nunca levaria. Nunca”.

Minha visão. Como é feito um sorteio de um Grand Slam ? Ele é dirigido. Os 32 cabeças de chave tem os privilégios e são colocados em determinados locais onde só podem se enfrentar a partir da terceira rodada. Os oito principais cabeças enfrentam os cabeças 25-32 a partir da terceira rodada, depois os cabeças 9-24 nas oitavas. Os quatro principais cabeças enfrentam os cabeças 5-8 a partir das quartas e os quatro melhores só podem se encarar nas semis e os dois melhores na final.

Discordo do Earley quando fala que um torneio não ganha nada com esse suposto sistema manipulado de sorteio. É péssimo para qualquer diretor de torneio quando o melhor tenista, as estrelas caem logo na primeira fase. E a primeira rodada é a mais complicada para um favorito que chega com mais pressão e sem ritmo na competição, costume com a quadra etc.

Outra constatação é de que nos quatro últimos torneios Federer-Djokovic tem caído no mesmo lado (assim como Nadal-Murray obviamente). Sigo acreditando que os eventos não manipulam sorteios, mas agora certamente vamos ficar de olhos bem atentos no Aberto dos Estados Unidos que terá a chave definida em pouco mais de duas semanas.



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