Ratos, macacos em quadra, hospedagem em moteis. Os perrengues de uma tenista



Vivian Segnini

Vida de tenista não é fácil. Ainda mais quando se joga no feminino e ainda se está no nível future e challenger. As viagens são desgastantes e as meninas precisam passar sufoco nos lugares onde ficam. Diferente dos homens, as meninas não tem o aporte de hospedagem concedido pelos torneios (são raros os challengers que oferecem esse serviço) que indicam locais para elas ficarem. Nem sempre tudo corre bem. Que o diga Vivan Segnini.

A número 437 do mundo, que treina desde setembro no Instituto Gaúcho de Tênis, e começou a viajar com o técnico Eduardo Frick após se deslocar sozinha pelo mundo desde os 15 anos, contou ao Tênis News todos os perrengues vividos pelo circuito. Neste momento ela se encontra em um torneio de US$ 10 mil de premiação em Tigre, na Argentina. Só que a indicação do evento era um Albergue (hotel comunitário).

“Eu e meu treinador Eduardo Frick chegamos tarde porque o voo acabou atrasando em Porto Alegre. O torneio nos indicou dois hotéis, chegamos tarde e um deles era uma casa velha, cheia de cachorros, que custava aproximadamente 100 dólares a noite e a outra opção é o hostel (albergue), que normalmente é usa por mochileiros, eles ficam em várias pessoas em um quarto, normalmente pessoas que nem se conhecem, banheiro comunitários etc. No nosso caso viemos a trabalho, então tranquilidade e privacidade, dormir bem é importante. No final conseguimos quartos normais, deu tudo certo, mas na chegada foi um choque”, relatou a tenista que teve casos bem piores do que este.

Na Índia, no torneio de Muzzafarnagar, ela teve que lidar com ratos no hotel e ainda macacos interromperam o seu jogo: “Estava jantando no hotel do torneio e eu olhei para o chão e vi um rato”, conta Segnini ainda mais surpresa com a reação do gerente do hotel: “Chamei o gerente e contei que havia visto um rato e ele me disse ‘No problem, small mouse’ (Sem problemas, ratinho pequenininho). E uma amiga minha tinha um rato enorme no quarto dela. Na India também entrou um macaco babuíno dentro da quadra, e a família inteira de macacos estava em volta da quadra.

Isto fora a comida. Vivian ficou três semanas na Índia e em todas com problemas estomacais. No Uzbequistão ela precisou desistir de uma partida pelo mesmo problema.

Na Coréia do Sul, Vivian disputou uma série de torneios e quase todos o hotel oficial não era bem um hotel: “Joguei cinco torneios e em quatro deles o hotel oficial era motel, que tem a mesma finalidade dos motéis aqui do Brasil (risos). Tinha cama redonda, de coração, luz azul, vermelha, amarela, espelhos. Eram torneios de US$ 25.000 realizados em cidades pequenas, e era nossa única opção de hospedagem. Na Coréia a alimentação também era bem complicada, porque as comidas eram muito estranhas e ninguém falava inglês. Eu comia quase todo dia miojo ou arroz com atum”.

Mesmo com a vida sofrida e os problemas pelo mundo com o tênis, a jovem de 22 anos destaca que para crescer no esporte é preciso passar por estes perrengues e esquecê-los ao entrar em quadra. “Essas coisas não conspiram para que eu entre na quadra e jogue meu melhor tênis, mas o importante é que eu tenho a oportunidade de estar lá para jogar e somar pontos no ranking. Tem que esquecer tudo isso. Na Coréia eu comia miojo ou arroz com atum quase todo dia, não é a alimentação ideal. Na Suécia eu comia comida de supermercado de microondas porque era muito caro comer em restaurante, custava uns 50 reais a comida. Tem que dar um jeito e entrar na quadra e jogar.



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