Veja os números que ajudam a explicar a queda do São Paulo no 2º turno do Brasileirão



Diego Aguirre vê São Paulo cair de produção e a necessidade de buscar alternativas para retomar boa fase (Foto: Luis Moura/WPP)

Ao término da 19ª Rodada do Brasileirão, que significou também o encerramento do primeiro turno, o São Paulo tinha 41 pontos, oito a mais do que o Palmeiras que, após a vitória no clássico do último sábado, chegou a 56 abrindo quatro pontos de vantagem para rival. Em resumo, após nove partidas no segundo turno, o Tricolor somou apenas 11 pontos, contra 23 do Alviverde. Não é à toa que um é líder e o outro está na quarta posição. Neste post tentaremos mostrar alguns números que ajudam a explicar a queda do time de Diego Aguirre.

Antes de tudo, é importante lembrar como os são-paulinos tiveram sucesso na primeira metade do campeonato. Não foi com futebol bonito, vistoso, que pudesse marcá-lo como o melhor time entre os 20. Na verdade, era aquele que, com o estilo de jogo proposto, conseguia ser mais eficiente e alcançava os melhores resultados, ou seja, jogava bem dentro de seu padrão. Evidentemente que parte da mídia valorizou demais algo que não era brilhante como se pintava, e a queda de desempenho provou que eles estavam exagerando.

Era bastante claro que, para enfrentar times melhores tecnicamente, como Cruzeiro e Flamengo, por exemplo, a melhor tática era entregar a bola ao adversário e jogar nos erros, nos quais era preciso aproveitar cirurgicamente para matar as partidas o quanto antes e assim foi feito. A eficiência em marcar gols nos contra-ataques e nos vacilos dos rivais foi a tônica da equipe nas primeiras 19 rodadas, mas desde lá, quando os papéis se invertiam, ou seja, quando o São Paulo precisava propor o jogo, as dificuldades já apareciam.

Os adversários passaram a conhecer e estudar o São Paulo, e começaram a entregar a bola para o time de Aguirre mostrar o que poderia fazer, foi aí que as coisas começaram a degringolar. A média de passes certos por jogo aumentaram de 287,3 no primeiro turno para 325,9 no segundo turno. Sinal de que a bola ficou com o Tricolor por mais tempo, tanto é que a média de posse era de 47,6% na primeira metade e agora é de 53,8% na segunda.

Média de passes certos

1º Turno: 287,3
2º Turno: 325,9

Média de posse de bola

1º Turno: 47,6%
2º Turno: 53,8%

Ao mostrar dificuldade para propor o jogo, como ficou bastante claro no último sábado, a solução foi investir nos cruzamentos, cuja média passou de 26,3 no primeiro turno, para 30,3 no segundo. Há um dado interessante sobre o aumento da média de dribles certos, que era de 3,4 até a 19ª Rodada, e passou a ser de 6 de lá para cá. Pode ser um indício de tentativa de jogadas individuais, uma vez que por outros meios, mais coletivos, as coisas não estão fluindo.

Média de cruzamentos

1º Turno: 26,3
2º Turno: 30,3

Média de dribles certos

1º Turno: 3,4
2º Turno: 6,0

Os números de finalizações não tiveram mudanças significativas, apesar de contra o Palmeiras o São Paulo ter finalizado apenas cinco vezes (uma no gol), contra oito do rival (cinco no alvo, sendo que duas entraram). O que mudou, porém, foi a eficiência para marcar gols. Enquanto no primeiro turno o Tricolor precisava finalizar 6,2 vezes até balançar a rede, no segundo essa média mais que dobrou e agora é preciso 14,9 finalizações para conseguir balançar a rede.

Média de finalizações

1º Turno: 10,4
2º Turno: 11,6

Média de finalizações para marcar um gol

1º Turno: 6,2
2º Turno: 14,9

Na defesa, também houve grande diferença nos números de um turno para o outro, porém chama a atenção a média de defesas difíceis por partida. Na primeira metade do campeonato, ela foi de 0,4 por jogo, já na segunda ela dobrou e passou a ser de 0,8. Em teoria, o goleiro ficou mais exposto, mas as outras estatísticas não indicam a fragilização defensiva como ponto de desequilíbrio. Outro dado de destaque é a queda na média de rebatidas: de 33,5 para 23,9 . Indício de que a bola tem ficado mais no pé.

Média de defesas difíceis

1º Turno: 0,4
2º Turno: 0,8

Média de rebatidas

1º Turno: 33,5
2º Turno: 23,9

Neste cenário, é possível avaliar que a queda se dá pelo conjunto de fatores explicados acima. A partir do momento que ficou em evidência, o São Paulo passou a ser visado e marcado. Adversários viram a deficiência são-paulina para propor o jogo e criação de jogadas ofensivas. Com menos espaço para contra-ataques precisos, que levaram o time para a liderança, precisou apelar para jogadas individuais e cruzamentos, porém o ataque não é mais eficiente como antes.

A derrota para o rival, que não encontrou dificuldades para vencer, deu ao São Paulo um choque de realidade, não tão catastrófico a ponto de dizer que a chance de título é zero, mas serve de alerta para saber que é preciso fazer muito mais do que o que já foi feito para brigar lá em cima, de igual para igual. A saída pode ser abrir o leque e testar novas alternativas de esquema, que permitam variação de estilo durante a partida sem que corra o risco de ficar preso, e sem força para ameaçar o adversário. Serão dez rodadas e mais semanas livres para isso, as quais não tem servido para a evolução do time. Aguirre terá de mostrar serviço, depois do término da lua de mel.



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