O que sobrou em Corinthians x São Paulo, faltou ao Palmeiras e vice-versa



Corinthians e São Paulo fizeram clássico de muita raça; Verdão aceitou um empate em 0 a 0 (Foto: Montagem/Fotorarena/Palmeiras)

Mais uma semana de futebol se passou em 2019 e ainda continuamos sem apreciar bons espetáculos pelo Brasil. Não é diferente no Paulistão, em que tivemos o clássico entre Corinthians e São Paulo, na Arena, e o duelo entre Ferroviária e Palmeiras, em Araraquara. Duas partidas de nível técnico baixíssimo, mas que fornecem excelente material para análise. Na comparação entre os dois confrontos fica bastante claro que o que faltou em um, sobrou no outro, e o que sobrou de um lado, faltou no outro.

O Verdão entrou em campo para o seu sétimo jogo oficial em 2019, mais uma vez como favorito para conquistar a vitória, já que seu elenco é infinitamente superior ao da Ferroviária e seus objetivos são bem maiores para a temporada. Ainda que o time de Felipão não tenha apresentado atuações dominantes até aqui, a expectativa é sempre das maiores, principalmente pelas semanas livres neste mês de fevereiro.

Em campo, no entanto, o que vimos foi um futebol lento, sem ânimo, às vezes até sem comprometimento, sem intensidade, sem velocidade, sem ‘gosto’ pelo gol, entre outras características negativas que valem tanto para o Palmeiras quanto para Ferroviária, que respeitou demais um adversário que pareceu satisfeito com o monótono empate.

É verdade que os palmeirenses perderam chances e por detalhes o placar poderia ter saído do 0 a 0, mas é inaceitável uma equipe com o poderio do Verdão atuar de forma tão passiva e ser colocada na ‘roda’ por um rival que tinha como objetivo apenas sair de campo sem perder. Estrutura, valores individuais, comissão técnica e elenco são elementos incomparáveis entre os dois, porém nada disso faz diferença se não houver vontade de ganhar e condição física.

Até aqui, com quase um mês de competições, o Palmeiras não parece ter a mesma obsessão de vencer de outrora, e está longe, bem longe, muito longe, de estar pronto fisicamente. Mesmo que ainda estejamos no início da temporada, respostas precisam ser dadas pelos dirigentes, pela comissão técnica, pelos jogadores… Todos eles devem satisfações para o torcedor, que mais uma vez vem comprando a ideia do clube.

No Majestoso, Corinthians e São Paulo, cada um com seus motivos, chegaram para o duelo em situação ruim, tanto por resultados, quanto pelo futebol apresentado dentro de campo. Um vinha de três jogos sem vencer, o outro de uma eliminação dolorida da Copa Libertadores. Para garantir os três pontos no último domingo seria preciso muito mais do que tática, técnica e valores individuais. E foi isso que tivemos.

O Timão ainda não encontrou uma equipe titular neste ano, o jogo não tem encaixado, os resultados não têm vindo, mas superação não tem faltado, nem a estrela de Gustagol, vale destacar. E outra vez foi uma apresentação de baixíssima qualidade, com falhas recorrentes do sistema defensivo e limitação no ataque. Só que há nesse grupo uma enorme eficiência, aproveitando-se da fase de Gustavo, além da capacidade que Fábio Carille tem de preparar seus jogadores para clássicos.

São três vitórias corintianas em 2019, duas delas em clássicos (Palmeiras e São Paulo) em que, no papel, o clube não era o favorito. Valeu, nos dois casos, a postura e o domínio psicológico do momento, que são qualidades inquestionáveis nos trabalhos de Carille. Não podemos negar que para o restante da temporada será necessário melhorar muito para brigar por títulos. Com tantas contratações e a tentativa de implementar um novo modelo de jogo, é natural que se demore um pouco para vingar, enquanto isso outros fatores já fazem a diferença.

Pelo lado do São Paulo, que tinha Vagner Mancini no banco como novo técnico provisório, havia o obstáculo de vencer o rival pela primeira vez na Arena, e superar as dores da eliminação na Libertadores. Tarefa complicada para um time que nada mostrou neste ano. Reforços que ainda não deram respostas, principais estrelas que vivem má fase, lacunas evidentes no elenco e outra vez o drama de um goleiro que falha… No entanto, não se pode dizer que não houve luta pela vitória, pois o time mostrou muita entrega para superar suas mazelas.

Arboleda até conseguiu o gol de empate, porém viu o árbitro anular a comemoração são-paulina. Além de alcançar esse equilíbrio no jogo e de poder competir com chances de vencer, foi possível ver uma equipe com mais organização do que tinha sob o comando de Jardine. Aliando uma nova estrutura com Mancini/Cuca e a entrega dentro de campo, há um horizonte de crescimento pela frente, que pode suprir as deficiências técnicas e físicas do elenco. Enfim, encarar a realidade e entender o momento fará bem aos envolvidos.

Em resumo, se para o Palmeiras há valores individuais, elenco, tranquilidade e favoritismo em abundância, parece haver escassez de vontade, entrega, condição física e apreço pela vitória. Para Corinthians e São Paulo, porém, faltou qualidade técnica, faltou calmaria e faltou quem apostasse nos times, em contrapartida sobrou raça, sobrou superação, sobrou busca pelo gol e sobrou emoção. Achar que o que a teoria e o papel dizem vai resolver qualquer duelo é assinar contrato com o fracasso já em fevereiro. É preciso algo além do que o dinheiro compra.



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