Sem traumas, números mostram as diferenças entre Tite e Cristóvão Borges no comando do Corinthians



Cristóvão chegou ao Corinthians sob desconfiança, mas conseguiu embalar (Foto: Luis Moura/WPP/Lancepress)

Cristóvão chegou ao Corinthians sob desconfiança, mas conseguiu embalar (Foto: Luis Moura/WPP/Lancepress)

A notícia da saída de Tite para a Seleção Brasileira deixou grande parte dos corintianos e da mídia esportiva em dúvida quanto ao futuro do time sem o seu principal condutor. Essa reação não seria exclusiva do Timão, mas de qualquer outra equipe que perdesse um profissional de tamanha qualidade.

O processo de escolha, assim, não foi fácil. Evidentemente seria uma missão quase impossível encontrar uma pessoa que atendesse a tantos requisitos e estivesse disposta a substituir o maior da história de um dos clubes de maior torcida do país.

Para a surpresa de muitos, o escolhido foi Cristóvão Borges, personagem pacato, de fala calma e sem espalhafatos, perfil que não convenceu à primeira vista, algo que aconteceria com qualquer outro que tivesse topado participar dessa transição.

Após cinco partidas no comando do Corinthians, o novo treinador já parece convencer e essa mudança é trazida, claro, por conta dos resultados atingidos até aqui. São quatro vitórias seguidas e apenas uma derrota, justamente na estreia, para o Atlético-MG, por 2 a 1, fora de casa.

O aproveitamento de Tite no Brasileirão foi de 62% dos pontos disputados em sete jogos, enquanto o de Cristóvão é de 80%. Apesar de a estrutura do time não acusar tantas mudanças drásticas, há diferenças entre a postura de um comando e de outro, o que não causa espanto, pois mexem com preferências pessoais. Veja o quadro abaixo:

Confira a diferença de números entre Tite e Cristóvão Borges, neste Brasileirão

Confira a diferença de números entre Tite e Cristóvão Borges, neste Brasileirão

Nos números de ataque já é possível notar que algo mudou. A média de gols com Cristóvão é de 2,2 por jogo, já com Tite era de 1,4. O mesmo acontece com as estatísticas de finalização certa cuja média era de 4,7 por partida e passou a ser de 5,4.

Em contrapartida, a média de assistências para finalização diminuiu (de 10,6 para 8,8), o que nos leva a considerar que o time passou a ser mais objetivo na conclusão de suas jogadas. Essa tese é corroborada pelos dados de passe e posse de bola. Observe no quadro a seguir:

Comparação das médias corintianas sob o comando de Tite e de Cristóvão no BR-16 (Fonte: Footstats)

Comparação das médias corintianas sob o comando de Tite e de Cristóvão no BR-16 (Fonte: Footstats)

Com Tite, o Corinthians liderava ambos os quesitos no Brasileirão. A média de passes certos estava em 459 por partida. Já na era Cristóvão Borges, esse número caiu para 380. Consequentemente, a média de posse também acusou queda. Passou de 15 minutos e 59 segundos por jogo, para 13 minutos e 27 segundos.

Mas não foi só o ataque a sentir os efeitos, a defesa também apresentou alterações em razão do novo modo de propor o jogo, que deixou a meta corintiana mais exposta, algo observado no aumento da média de defesas (de 2,7 para 4). No entanto, foi aperfeiçoada a questão da retomada da posse. As médias de desarmes certos (de 17,4 para 20,2) e de faltas cometidas (de 16,6 para 12,8) melhoraram.

Diante do apresentado por aqui, a transição não parece ser tão traumática, basta saber se uma sequência negativa não abalará tal status.



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