Santos mostra que está alguns passos à frente dos rivais no Paulistão-2019



Santos é o único time 100% no Paulistão-2019 e vem apresentando futebol convincente (Foto: Ivan Storti/Santos)

Estamos apenas na 3ª Rodada do Campeonato Paulista, continua sendo cedo para tirar qualquer conclusão e há muita estrada a ser percorrida para isso, no entanto não podemos fechar os olhos para o que já está ocorrendo. Um desses casos é a bola que o Santos está jogando. Negar que se trata de algo muito interessante deixou de ser cegueira e passa a atingir níveis de desonestidade. O que o time de Sampaoli fez no clássico do último domingo foi impressionante, mas nada diferente do que já havia acontecido nos jogos anteriores.

Como foi escrito neste espaço há uma semana, a partida diante da Ferroviária só não terminou com goleada e espetáculo pois a equipe sentiu falta de peças com maior poder de decisão. Algo que foi diferente contra o São Bento, em que Derlis González foi o personagem principal e o duelo terminou 4 a 0 para o Peixe. A apresentação, o domínio, o estilo de jogo não foram diferentes da estreia, todo a essência foi a mesma, somente as peças foram (bem) trocadas.

Contra o São Paulo, segundo clássico do Santos em duas semanas, houve um massacre, e isso não é exagero, já que o Tricolor paulista não conseguiu jogar, é possível dizer que apenas um time protagonizou a partida e outro foi um figurante luxuoso. A intensidade, as trocas de posição, a amplitude da formação e a capacidade de explorar as fraquezas são-paulinas deram o tom da vitória santista que, arrisco dizer, encantou e empolgou torcedores de outros clubes.

Até aqui, nenhum outro clube do Paulistão conseguiu aliar futebol bem jogado e preparo físico, sem contar a regularidade, a boa regularidade. Isso faz com que o Peixe esteja, no momento, alguns passos à frente dos rivais, que ainda batalham para conseguir adquirir elementos que Sampaoli já emplacou em sua equipe. É verdade que por tudo o que cerca a situação santista, houve a necessidade de acelerar o trabalho e apresentar resultados imediatos, tanto com vitórias, quanto com desempenho.

O São Paulo tem um cenário parecido. Com a primeira fase da Copa Libertadores se aproximando, o time precisa estar bem física, técnica e taticamente mais cedo do que seus rivais, que não têm compromissos tão decisivos nesse curto espaço de tempo. Embora a equipe de André Jardine tenha goleado seus primeiros dois jogos no Paulistão, não foram apresentações que fizeram olhos brilharem, houve dificuldade e exposição de fraquezas que ainda não haviam sido testadas, exceto na Florida Cup.

Contra o Mirassol, quando saiu perdendo, e o Novorizontino, quando falhas no início quase comprometeram, as vitórias contra clubes ‘menores’ acabaram escondendo os problemas, mas eles existiram, principalmente na defesa, que se mostrou vulnerável contra o Eintracht Frankfurt e contra o Ajax, no torneio nos EUA. E quando falamos de defesa, é uma referência ao sistema e não aos nomes individualmente. As fragilidades não resistiram ao avassalador Santos de Sampaoli, que anulou o ataque são-paulino, até então letal e eficiente.

O Corinthians talvez seja o grande do Paulistão que mais preocupa no momento. Mesmo com a vitória sobre a Ponte Preta, o ataque voltou a mostrar uma limitação muito grande na criação das jogadas, que melhorou após as entradas de Jadson e Fagner. Ainda assim muito pouco e, até aqui, sem ter evoluído desde o amistoso diante do Santos. A defesa não foi bem e só não foi vazada pois a Macaca tem sérios problemas para fazer gols. São três jogos em branco no estadual. Carille tem respaldo, capacidade e confiança para colocar o time nos eixos em breve.

Com Boselli entrando no ritmo, Vagner Love reforçando o setor ofensivo e, talvez, a chegada de Guilherme Arana, o grupo tende a ficar mais forte, com mais opções para mudar o jogo e com uma espinha dorsal consistente para que o time fique mais com a cara do comandante. O retrato do momento é um Timão passos atrás dos rivais do estado.

A situação do Palmeiras, por sua vez, é um pouco mais confortável. A estreia na Copa Libertadores está distante, o técnico não mudou, a base foi mantida e bem reforçada, além de ter acabado de conquistar um título brasileiro na última temporada. O futebol apresentado em campo está bem abaixo do que o grupo pode oferecer e fisicamente a equipe mostra não estar tão bem quanto os rivais. Algo que foi visível contra Red Bull, Botafogo-SP e São Caetano, apesar dos sete pontos em nove possíveis.

No entanto, a possibilidade de o Verdão fazer um rodízio no elenco sem perder qualidade, mantendo o alto nível, e o conforto do cenário, tornam possível a extensão da curta pré-temporada para o Paulistão e a cautela para não acelerar processos que possam comprometer todo o ano, que reserva muito mais desafios. A tendência é de evolução.

É certo que no futebol as coisas mudam rapidamente e o Santos de hoje pode ser derrotado amanhã e se perder durante a temporada, assim como os rivais podem mudar essa história e deixar o Peixe para trás, mas não dá para virar as costas para o que tem sido mostrado e procurar elementos para elogiar o que, até aqui, não mereceu. A verdade é que são apenas três jogos oficiais para cada grande do Paulistão e somente um deles pode dizer que jogou bem: o time de Sampaoli.



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