Roger Machado chega ao Palmeiras com respaldo de analistas e desconfiança do torcedor



Roger Machado em sua passagem pelo Atlético-MG: 43 jogos oficiais, 23 vitórias, 9 empates e 11 derrotas – 60,47% de aproveitamento (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Roger Machado foi anunciado como novo treinador do Palmeiras com contrato até dezembro de 2018. Se considerarmos as experiências anteriores no clube, o risco de o trabalho não chegar até lá é enorme. Isso porque, apesar de contar com respaldo efusivo da esmagadora maioria dos analistas, o comandante não está nem próximo de conseguir agradar grande parte da torcida do Verdão. Certo ou errado, fato é que o torcedor é um tradicional termômetro para os dirigentes do Alviverde medirem suas ações.

E o palmeirense tem motivo para desconfiar. Na transição da temporada 2016 para 2017, o clube anunciou Eduardo Baptista, um técnico jovem, com rótulo de estudioso, trabalhos pouco expressivos e que não foi a primeira opção para o cargo. Ele receberia um elenco campeão brasileiro (sem Gabriel Jesus, é verdade), com investimentos vultuosos e muita pressão para conquistar títulos.

Antes mesmo de a bola rolar, já havia a dúvida se um treinador daquele porte poderia sustentar a gigantesca expectativa com que o Palmeiras ingressaria no ano de 2017. Quando a bola rolou, era evidente que o time não daria liga, sofreu derrotas bizarras e a paciência, que já não existia, acabou. Baptista não terminou a fase de grupos da Libertadores e tampouco iniciou o Brasileirão, corroborando com a tese de que talvez não estivesse preparado. Seus trabalhos abaixo da crítica no Atlético-PR (46,15% de aproveitamento) e na Ponte Preta (30,56% de aproveitamento) acabam confirmando as impressões passadas lá atrás, em janeiro.

Essa história se parece muito com a chegada de Roger Machado, outro treinador jovem, intelectual da bola, sem trabalhos de encher os olhos, somente um título (Campeonato Mineiro-2017) e que não era a primeira opção do clube. Parece coincidência, mas não é. Pelo segundo ano consecutivo, aquele que talvez seja o clube mais rico do país entrega o patrimônio milionário (e promissor) do departamento de futebol nas mãos de uma aposta. Mostrando que montar uma comissão técnica e ter uma ideia de jogo não é o forte de quem comanda as contratações.

Das pesquisas que acompanhei nas redes sociais, Roger nunca foi o preferido do torcedor palmeirense, que está ávido por um 2018 que possa compensar um melancólico 2017. Se não compensar, que pelo menos pudesse dar mais confiança e tranquilidade para o futuro, o que a figura do novo comandante, definitivamente, não traz.

Há, no entanto, uma diferença grande para Eduardo Baptista. Roger conta com um respaldo significativo de boa parte dos analistas e da mídia especializada. Fala bonito, utiliza muito bem o idioma da tática, é polido e bate fortemente na tecla de que a falta de tempo para trabalhar é o grande vilão quando o fracasso acontece, e não sua própria incompetência. Em resumo, diz o que querem ouvir, apesar de em campo entregar muito pouco do que promete.

Alguns desses analistas acreditam ter o monopólio do conhecimento do futebol atual e que qualquer um que tiver ideias de jogo semelhantes àquelas doutrinadas por eles, será o grande herói contra aqueles que não conhecem o esporte e dão pitacos apenas de ‘orelhada’. As ideias podem até ser interessantes, mas em algum momento elas precisam dar resultado. Esperar que clubes como Atlético-MG e Palmeiras sejam cobaias de treinadores em início de carreira é uma utopia sem tamanho. Isso vale também para quem toma decisões dentro do departamento de futebol do Verdão, que de teste em teste, acabou jogando um ano fora.

Para essa situação fiz uma analogia entre o meu animal de estimação e Roger Machado. Meu cachorro é um Bernese de 70kg, que em pé deve ter 1,80m, aproximadamente. Muito bonito, ele chama a atenção, dificilmente alguém que o vê não elogia, faz carinho… No entanto, seu tamanho é um problema, traz muitas despesas, solta pelos pela casa inteira, faz muita sujeira, dá um trabalho que só quem tem sabe como é.

Já Roger parece ter um jogo bonito, parece fazer seus jogadores entenderem o que quer, fala com muita propriedade de suas convicções, passa o estigma de técnico atualizado, se encaixa nas ‘exigências’ atuais… Mas a queda de qualidade de seu trabalho no Grêmio, a melhora do time depois de sua saída, uma passagem ruim pelo Atlético-MG e a falta de resultados expressivos pesam contra. Muita teoria e pouca prática.

Assim como o meu Bernese, Roger é daqueles personagens que, na maioria das vezes, a gente admira quando está na casa (time) do outro, mas não na nossa (o). Por isso, é muito fácil incentivar que a equipe alheia, aquela com a qual não nutre uma paixão, receba algo que você não gostaria de ter em seus domínios.

Enquanto boa parte dos analistas comemora a oportunidade de ver Roger dirigindo o Palmeiras, parte dos palmeirenses se sente com um Bernese de 70kg em sua sala.

Aproveitamento de Roger Machado no Atlético-MG: 60,5%

Aproveitamento contra times pequenos: 73,9%

Aproveitamento contra times médios e grandes: 45%



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