Quem ama o feio, bonito lhe parece: os cuidados com a análise de São Paulo x Atlético-PR



São Paulo venceu o Atlético-PR e saiu do Z4, mas a luta continua (Foto: Miguel Schincariol/AsImagens)

São Paulo venceu o Atlético-PR e saiu do Z4, mas a luta continua (Foto: Miguel Schincariol/AsImagens)

Sempre fui contra a busca pelo viés positivo no jornalismo. Acredito que se trata de uma forma de iludir o torcedor e tornar o debate pouco inteligente. Embora a realidade possa doer mais e vender menos, ela ainda será a realidade. Se jogar bem, falemos que jogou bem, se jogar mal, falemos que jogou mal. Simples.

Trata-se de uma estratégia para atrair o torcedor a clicar no link ou comprar o jornal, questiono, mas entendo. Nem sempre, porém, as intenções são essas e, como disse acima, isso só contribui para o emburrecimento das discussões.

Um bom exemplo é o São Paulo neste Brasileirão. Embora a maior parte dos envolvidos com o clube tenha entendido o momento delicado e praticamente tenha deixado de lado o status “soberano”, ainda tem quem trate da situação como um time que briga por G7 e não contra o Z4.

Dizer que a equipe jogou mal contra o Atlético-PR é exagero, jogou melhor do que nas últimas apresentações, mas dizer que jogou bem é algo que ultrapassa a busca pelo viés positivo. A partida foi diante de um adversário que não quis atacar no primeiro tempo e que na primeira grande chance abriu o placar em falha de Sidão.

Se apertasse o dono da casa com mais qualidade e poder de fogo, faria mais, não estava difícil. Vale destacar que o Furacão é um dos piores ataques do Brasil, já o Tricolor é a a pior defesa do país na temporada.

Não fosse a partida brilhante de Cueva, que resolveu as dificuldades em dois lances, e as falhas individuais do Atlético-PR, estaríamos hoje lamentando um tropeço crucial do São Paulo na briga contra a degola. Consigo entender que o coração, por vezes, fala mais alto e “quem ama o feio, bonito lhe parece”, mas dependendo da origem da análise, cria-se um cenário que não é verdadeiro e fomenta uma ilusão que pode ser desfeita em pouco tempo. O campeonato continua e a verdade é que o time continua mal e em perigo.

O torcedor pode até contestar, mas na maioria das vezes “compra” as opiniões. Se elas forem emitidas com alto teor de paixão, de mentira, de distorção da realidade, estaremos criando uma legião de leitores alienados, bradando por aí situações que não correspondem ao que se vê dentro de campo.

Para o bem do clube e da sequência dos propósitos atuais, parece que jogadores, comissão técnica e direção entendem perfeitamente que é o perigo real e o sinal de alerta continua ligado. O deslumbramento fica apenas para uma parte pequena dos torcedores e para uma parte dos formadores de opinião. O melhor caminho é sempre o da realidade.



MaisRecentes

Trunfo na temporada, Corinthians foi o melhor visitante entre os clubes de Série A em 2017



Continue Lendo

Flamengo fecha 2017 como o melhor ataque do Brasil; Palmeiras tem a maior média de gols



Continue Lendo

Joel Carli e Coritiba são os campeões dos cartões por reclamação no Brasileirão; veja lista



Continue Lendo