Palmeiras ‘sobe o sarrafo’ no futebol brasileiro e faz rivais intensificarem investimentos



Palmeiras atingiu o protagonismo buscado em 2015 e quer abrir larga vantagem para os rivais, que se mexem (Foto: Flickr Palmeiras)

Em 2014 o Palmeiras ficou muito perto de sofrer seu terceiro rebaixamento no Campeonato Brasileiro, no momento em que já estava em processo de reformulação financeira comandada por Paulo Nobre. A permanência na primeira divisão era essencial para o próximo ano, quando o clube começaria a ‘beber água limpa’ e a competir de igual para igual com seus rivais. Quatro temporadas mais tarde, o Alviverde não apenas compete em alto nível, como também parece estar alguns degraus à frente, principalmente para este início de 2019.

É verdade que pelos investimentos impulsionados pelas bilheterias e pela força do patrocinador, o Verdão já poderia ter conquistado muito mais do que dois Brasileiros e uma Copa do Brasil. No entanto, foi apenas no meio do quarto ano de protagonismo e de domínio do mercado no futebol brasileiro, que o clube teve o primeiro técnico que conseguiu dominar essa potência dentro e fora de campo. Cuca deu sinais de que conseguiria, porém por problemas de ambas as partes, isso não aconteceu.

Apenas com Felipão, com sua experiência, ótimo controle do vestiário e competente comissão técnica, o Palmeiras mostrou ser (ou deu indícios de que pode ser) o supertime que promete desde 2015. Foi por muito pouco, basicamente por erros individuais de jogadores, que os títulos da Libertadores e da Copa do Brasil não vieram. Terminar o ano entre os quatro melhores nas quatro competições que disputou trouxe um resultado inédito nesta fase poderosa e talvez uma tendência do que pode acontecer na próxima temporada.

Mesmo que os títulos não tenham vindo de forma proporcional às expectativas, os números mostram que o Alviverde atingiu o protagonismo buscado depois de épocas de perrengue, chacota e sofrimento. Nesses últimos quatro anos, já com o Allianz Parque disponível, o clube tem o maior aproveitamento em comparação com os times que estiveram na Série A nesse período: 61,70% contra 59,37% do Corinthians. Flamengo e Grêmio aparecem logo atrás com 58,99%.

Aproveitamentos Clubes de Série A entre 2015 e 2018 em jogos oficiais

Mas não foi só. O Palmeiras também tem a maior porcentagem de vitórias em jogos oficiais nessas últimas quatro temporadas (54,91%), à frente do Grêmio (50,86%), do Corinthians (50,73%) e do Flamengo (50,72%). E não para por aí, já que o Verdão lidera o ranking de média de tentos marcados no período, com 1,65 gol por partida. O Atlético-MG aparece em segundo lugar com 1,56 e o Santos em terceiro, com 1,49. O retrospecto, porém, não é bom nos gols sofridos. A média é de 0,96, superior à de sete clubes.

Porcentagem de Vitórias Clubes de Série A entre 2015 e 2018 em jogos oficiais

 

Média de Gols Clubes de Série A entre 2015 e 2018 em jogos oficiais

No quesito derrotas, os palmeirenses não são líderes, entretanto aparecem com a terceira menor porcentagem (24,73%), maior apenas do que Flamengo (24,46%) e Corinthians (23,36%). Nota-se que Fla e Timão, ao lado do Grêmio, além de dividirem o protagonismo com o Alviverde, são as melhores defesas do período. Apesar de não estar em posição de destaque nesses rankings, vale mencionar o Cruzeiro, que conquistou duas Copas do Brasil entre 2015 e 2018.

Média de Gols Sofridos Clubes de Série A entre 2015 e 2018 em jogos oficiais

 

Porcentagem de Derrotas Clubes de Série A entre 2015 e 2018 em jogos oficiais

Essa posição do Palmeiras tanto no campo quanto fora dele começa a ganhar vantagem em relação aos outros clubes. A tendência é que o time venha ainda mais forte para 2019, principalmente pelas contratações já confirmadas e aquelas que deverão ser anunciadas, mas também por, até aqui, ter mantido sua base inteira, sem perder jogadores que construíram a grande fase com Felipão. Tal poderio preocupa seu rivais, que assistem o sarrafo ser colocado em um patamar mais alto ano a ano.

Acontece que esses concorrentes não estão mais propensos a serem meros espectadores do que pode ocorrer nos próximos anos, quando o desequilíbrio, nessas condições, tende a ser abissal. Alguns deles, como o Corinthians e o São Paulo, que está desesperado por um título, estão fazendo um mercado agressivo, investindo o que têm e o que não têm em contratações para tentar equilibrar as forças.

O Timão trouxe Carille de volta da Arábia Saudita, tirou Ramiro, do Grêmio, titular absoluto de Renato Gaúcho, e promete trazer outros reforços, de ainda mais impacto, mesmo que tenha sabidos problemas financeiros. Está claro que há o objetivo de dar uma resposta para o torcedor, que a prioridade é o resultado esportivo, deixando de lado as finanças. Não dá para aceitar passivamente o rival disparar.

Mesmo caso do Tricolor paulista, que foi até o Athletico-PR contratar o cobiçado Pablo, em uma das maiores transferências do futebol nacional. Na teoria, venceu a concorrência do Flamengo e trouxe um nome que muda o status do time titular. O negócio foi comemorado como um título, um afago na autoestima do são-paulino. Fala-se também na volta de Hernanes, outro atleta com poder para fazer a diferença. Movimentações que deixam evidente a tentativa de brigar no mesmo patamar alviverde.

O Fla é, talvez, o único que possa duelar financeiramente com o poderio palmeirense. Ainda que os resultados esportivos estejam bem abaixo nesse período. Os investimentos foram parecidos, algumas apostas não deram certo para os dois lados, e não houve acerto na escolha de treinador, como aconteceu com os paulistas. Agora, com a chegada de Abel Braga, considerada uma cartada pesada, o objetivo é preencher essa lacuna na comissão técnica, algo que fez a diferença no Verdão.

No entanto, até aqui, o Flamengo só conta com a experiência e o alto quilate de Abel para tentar levar esse leque de jogadores de qualidade à conquista de títulos, além da iminente contratação de Rodrigo Caio. Os cariocas, que tiveram mudança na presidência recentemente, ainda não comemoraram muitos êxitos no mercado. Certo é que o clube tem buscado apenas jogadores de alto nível e, apesar de ver suas tentativas fracassadas, mostra que não deve se intimidar com obstáculos para alcançar o Palmeiras.

Grêmio e Cruzeiro, que estão frequentemente disputando títulos nas últimas temporadas, não possuem o poder financeiro dos rivais já citados, mas contam com boas equipes e ótimos treinadores para comandarem a perseguição ao protagonismo em 2019. Os gaúchos perderam Ramiro e Marcelo Grohe, titulares absolutos de Renato que, por sua vez, renovou contrato. Enquanto a Raposa ainda não perdeu jogadores, o que já é uma grande notícia para Mano Menezes.

Embora esses dois clubes tenham uma boa situação esportiva e não pareçam dispostos a gastar o que têm e o que não têm para buscar equilíbrio de forças com o Palmeiras ou com o Flamengo, será necessário reforçar os elencos, mesmo que para isso o mecanismo de troca apareça como uma medida criativa para agir no mercado. Do jeito que está, podem ficar atrás de Corinthians e São Paulo, e perder o espaço que conquistaram nas temporadas anteriores.

Fato é que hoje há uma distância considerável entre o Verdão e os demais clubes em vários aspectos presentes no futebol. Evidentemente que quando a bola rolar em 2019 as teorias podem cair e as previsões podem ser ridicularizadas, mas diante do que há de concreto no momento, a análise não tem como sair disso. A diferença fica por conta da disposição dessa concorrência em tentar evitar que essa margem aumente ou se transforme em títulos. Não há outra fórmula possível, ou é gastar, ou é assistir, desde que o desespero e a irresponsabilidade não tomem conta.

Obs.: As opiniões expressas no texto acima pertencem apenas ao autor



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