Palmeiras-96: 20 anos de um time que durou pouco, mas apaixonou e se eternizou



Palmeiras no jogo do título contra o Santos no Parque Antártica (Djalma Vassao/AE)

Palmeiras no jogo do título contra o Santos no Parque Antártica (Djalma Vassao/AE)

Primeiramente, peço licença aos leitores do Super-Raio X para escrever sobre um momento significativo do futebol. Há exatamente 20 anos, no Palestra Itália, o Palmeiras confirmava a conquista do título paulista de 1996. E o que isso tem a ver comigo?

Basicamente, se eu não tivesse visto aquele time jogar, seria muito provável que este blog não existiria ou não seria eu a pessoa que assinaria o conteúdo publicado por aqui. A relação é assim, tão simples de explicar e tão profunda de marcar.

Minha história com o futebol tem mais de 20 anos. Começou com a admiração pelo bicampeonato da Libertadores e Mundial do São Paulo em 1992 e 1993. Queria ser Zetti e odiava Gamboa, as noites seguintes aos títulos foram diferentes. Era o esporte fazendo seus primeiros significados.

Logo em seguida o Palmeiras dominou o Brasil com dois títulos paulistas e dois títulos brasileiros em 1993 e 1994. Sabia as escalações de cór, meus times de botão tinham seus titulares e reservas vestindo verde e branco. A admiração passava a ser diversão.

No entanto, a conversão ao amor definitivo não estava completa, ainda faltava o toque final, aquela dose de paixão que não permitiria o caminho de volta. Ela não demorou a aparecer.

Em 1996, quando passava férias no litoral paulista, perdia (ou ganhava) horas e horas com revistas e álbuns de futebol que havia levado na mala para passar o tempo entre uma ida à praia ou um passeio de bicicleta. Em uma dessas noites, 23 de janeiro para ser mais específico, Palmeiras e Borussia Dortmund se enfrentariam.

O Verdão não tomou conhecimento dos alemães que, um ano e meio depois seriam campeões da Champions League e logo em seguida do Mundo. O placar de 6 a 1 pode sim ter sofrido influência do clima de Fortaleza, mas foi aquele menino de nove anos o maior influenciado pela goleada.

Era o que eu precisava para escolher de vez aquilo que eu me apaixonaria pelo resto da vida. Um sentimento acima de paixão clubística, uma admiração pela beleza, pela simplicidade e pela superioridade de um tipo de futebol que eu não tinha visto, nem mesmo inventado nas partidas de botão.

100 gols, goleadas sem olhar distintivos… Acabou? Acabou. Djalminha, Rivaldo, Muller, Luizão e companhia escancararam uma porta que eu desconhecia a existência e que, a partir de lá, passava a querer deixar aberta de forma eterna. Porta essa que se fechou em pouco tempo, mesmo que o caminho até ela tenha ficado gravado.

De lá para cá, 20 anos se passaram, eu me tornei jornalista, respiro e vivo futebol, baseado em um time que durou menos de seis meses. Confesso que demorei para ver algum outro fenômeno parecido. Talvez esse Barcelona de Messi, Suárez e Neymar cause um efeito similar àquele despertar, mas ainda não divide e nem ameaça a posição ocupada pelo Palmeiras-96 na estante das referências futebolísticas.

É difícil explicar ou relatar aqueles jogos para quem não viu e nem viveu o momento. Os vídeos estão aí, os textos com os depoimentos dos jogadores também, porém a experiência de ter visto a história acontecer e te modificar não é possível de expressar.

Como disse o zagueiro Sandro Blum, “Foi um filme que passou”.



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