O boi de piranha, a ótima geração e as falhas: a eliminação do Brasil pela Bélgica



Há muito para se lamentar no Brasil, mas precisamos ser justos na análise, sem terra arrasada (Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena)

A Copa do Mundo de 2018 acabou para o Brasil, a sensação, para quem torceu pela Seleção, é de fim de festa, de desânimo, de que vai demorar muito para recuperar esse ânimo perdido, mas faz parte deste momento refletir sobre o que aconteceu, seja torcedor, seja analista, seja “do contra”. Nem tudo está perdido, nem todos são culpados, mas as críticas precisam ser justas.

Estava bem claro, desde o início da competição, que o alvo para qualquer problema (entenda-se eliminação) cairia nas costas de Gabriel Jesus. Os responsáveis por isso trabalharam intensamente, jogo após jogo, para construir a culpa do jogador do Manchester City. “O centroavante que não faz gol”, “o atleta que não está pronto”, “pior do que o Fred”, “jogador que menos tocou na bola”. Se você leitor for uma pessoa de caráter, deve ter percebido como essa campanha se deu nas últimas semanas. Foi covarde, foi desonesto, mas é o que se espera de tipos que, aqui no Brasil, tratam a torcida como um animal que desconhece futebol.

Jesus foi eleito para ser o “boi de piranha”, alvo fácil, alvo mais frágil para bater. É jovem, não atuou por clubes preferidos, causou problemas para torcidas grandes quando jogou em território brasileiro, dá para entender que algumas feridas não foram cicatrizadas. Houve até profissional de imprensa dizendo que era preferível ver Gabriel pintando ruas do que com a camisa 9 da Seleção. Pois é, amigos, não foi para amadores.

Quem viu todo o contexto, pôde perceber que o “boi de piranha”, apesar de não ter feito uma grande Copa, esteve longe de ser o maior culpado pelo fracasso brasileiro. Sem Casemiro, o jogador mais regular do meio-campo, o setor ficou muito abaixo do que pode, uma vez que Paulinho, mesmo com o gol contra a Sérvia, fez uma competição muito ruim, perdido em campo, sem função e perdendo gols que não costuma. Ao lado de Fernandinho, que fez uma partida bem parecida com sua atuação no 7 a 1, foi um dos responsáveis pela queda contra a Bélgica.

Mas não foram só esses jogadores que deixaram a desejar, até mesmo de quem mais se esperava, a solução não veio. Coutinho, apesar de um ótimo começo de Copa, caiu demais de rendimento e foi um dos piores em campo nesta sexta-feira. Marcelo, que ficou fora contra o México, já não vinha bem e também fez partida para esquecer, tanto no ataque quanto na defesa. Além de Willian que, preso pela direita, pouco fez no primeiro tempo.

Tite deve continuar à frente da Seleção Brasileira, porém precisa rever alguns conceitos, principalmente a formação de panelas e o conservadorismo nas convocações. Nem sempre os amigos são as melhores opções para formar um grupo, às vezes é necessário desagradar, ousar, trazer novos elementos para tentar alterar o modo de jogo. Não existe infalibilidade e nisso “nós da imprensa” temos muita culpa ao dar ao treinador o status de semideus. Por muitas vezes não houve questionamentos mais incisivos, quando era evidente que assuntos precisavam ser melhor explicados. Que até 2022 isso mude.

Mas não posso terminar um texto falando apenas de Brasil, até porque houve um adversário, e ele foi provavelmente o melhor que a Seleção enfrentou na “era Tite”. A Bélgica não é uma equipe qualquer, é formada por vários jogadores que são expoentes em seus clubes e chegaram ao Mundial no auge de suas formas. Roberto Martínez ganhou o jogo formando duas linhas de quatro (uma delas com praticamente quatro zagueiros), povoando o meio-campo e matando a criação brasileira. Além disso explorou as fragilidades do adversário, principalmente nos contra-ataques.

Está certo que o primeiro gol foi um tanto quanto “sem querer”, mas após a “sorte” é que se revelou o quanto essa ótima “Geração Belga” é realmente fantástica. Quando foi preciso matar o jogo, Hazard, Lukaku e De Bruyne foram precisos e fizeram o que melhor sabem fazer. Acharam espaços, controlaram o jogo, levaram vantagem e brilharam. Golaço de De Bruyne em jogada toda brigada por Lukaku: 2 a 0 Bélgica. Aí coube a Hazard segurar a bola, aterrorizar a defesa brasileira e colocar o placar no bolso.

O termo “Geração Belga” nunca foi ridicularizado por desconfiar da capacidade dos grandes jogadores da Bélgica, mas sim por ele ter sido difundido por aqueles que se acham donos do conhecimento absoluto do futebol. Lembra aqueles que tratam torcedor como animal? Pois então, são os mesmos que acreditam serem os “pais” da “Geração Belga”. Foram eles, e só eles, que viram que os belgas tinham capacidade, mais ninguém. Entenderam? O discurso estava pronto, se perdesse ou se ganhasse. Típico dessa classe.

Não há motivos para vermos terra arrasada, o trabalho de Tite e as peças disponíveis são muito qualificados, apesar das restrições já citadas, a eliminação veio para uma seleção excelente, mesmo sabendo que era possível vencer e quase foi, caso as bolas de Thiago Silva, Renato Augusto, Coutinho e Firmino entrassem, se o pênalti em Jesus tivesse sido marcado, e Fernandinho não marcasse contra. Paciência, vida que segue, Copa que segue, há muito futebol pela frente ainda.

Obs1: O blog não fará comentários sobre a participação de Neymar pelo Brasil por acreditar que isso merece um post exclusivo.
Obs2: As opiniões aqui expostas pertencem apenas ao autor.



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