Momento do São Paulo requer o amargo, porém necessário, remédio da realidade



Corinthians venceu o São Paulo por 2 a 1 e confirmou o favoritismo no clássico (Foto: Maurício Rummens/Fotoarena)

São quatro jogos, duas derrotas, um empate e apenas uma vitória. Esse é o retrospecto do São Paulo na temporada 2018, o que significa muito pouco no momento em que o ritmo ainda é de pré-temporada e os elencos estão em formação, mas se trouxermos o histórico de 2017, este ano parece mais uma continuação daquela quase tragédia.

Dessa forma, a atual fase passa a ser preocupante para a coletividade são-paulina. Se com Hernanes, que salvou o time, e Pratto as coisas já foram complicadas, imagine então sem duas das principais peças do elenco! Para completar, os contratações de Diego Souza, Nenê e Trellez não estão no mesmo nível e tampouco empolgam.

Boa parte da torcida já tem noção do momento, sabe que a situação do time é complicada e está disposta a encarar a realidade como ela é, sem maquiagem e sem exageros como foi no início de 2017, algo que já tentaram repetir em 2018. Viver no mundo real significa entender que a equipe não tem jogado bem, que não está em condições de brigar por títulos agora e que tem defeitos graves.

Infelizmente, não foi isso que uma parcela de analistas e tricolores fizeram durante a última semana. Após a vitória sobre o Mirassol, alguns deles já viam evolução, time jogando bem, com alternativas… Será que eles viram o mesmo jogo que a grande maioria? Será que eles não viram a dificuldade para concretizar chances mesmo diante de um adversário que não ofereceu tantos obstáculos? Essa distorção não ajuda, pelo contrário.

É verdade que um ou outro jovem fez uma partida razoável, dando novo fôlego e com vontade de mudar o cenário, mas isso é muito pouco para tirar conclusões, principalmente positivas. Essa análise com o famigerado viés positivo projeta uma realidade que não é verdadeira para os próximos passos. Verdadeiro é que o São Paulo não jogou bem e nunca foi favorito para o clássico do último sábado, uma vitória seria surpresa.

Jogar contra o Corinthians, um time pronto, entrosado, organizado, com conceitos definidos, seria de qualquer forma uma parada muito complicada para qualquer desafiante que não tenha os predicados citados acima, como é o caso da equipe de Dorival Júnior. Ficou evidente a falta de repertório ofensivo e a fragilidade do setor defensivo, problema crônico que Anderson Martins pode ter potencial para amenizar, e só, porque solucionar já é uma questão do sistema inteiro, passando pela falta de marcação no meio e pelo excesso de espaços pelas laterais.

A derrota para os corintianos pode ser apenas o primeiro capítulo dessa sequência de choques de realidade. É importante que todos os envolvidos consigam reconhecer o momento, que é estar atrás dos rivais e com muito (muito mesmo) a melhorar. Se quiser voltar a competir de igual para igual com Palmeiras e Corinthians, será necessário dar alguns passos para trás e descer alguns degraus. O melhor remédio para essa fase espinhosa é conhecer o terreno em que está pisando. Se fingir que está andando nas nuvens, nunca vai parar de se machucar.

*As opiniões aqui expressas pertencem apenas ao autor



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