Mesmo sem estar com a barriga cheia, Palmeiras parece não ter fome em 2019



Palmeiras de Felipão parece ter tudo para atropelar adversários, mas está longe disso (Foto: Alejandro Pagni/AFP)

A derrota do Palmeiras para o San Lorenzo na última terça-feira, não deveria surpreender aqueles que acompanham os jogos do time desde o começo deste ano. Isso porque, com raras exceções, é exatamente assim que as apresentações tem sido, a diferença é ter pegado um adversário tradicional, argentino e na Copa Libertadores. Se não tiver vontade, será engolido, porque o algoz virá faminto.

Encarar com naturalidade essa apatia e essa falta de ambição palmeirense é um absurdo, visto o que o elenco para este ano foi reforçado após a conquista do Brasileirão, a estrutura é a mesma, a comissão técnica também, e com esse nível de conjunto da obra o que se espera é uma equipe que esteja disposta a atropelar os rivais, principalmente aqueles com menos qualidade que, cá entre nós, representam a grande maioria.

Mas não é isso que acontece. Aqui não questionarei a qualidade do jogo, pois como já falei neste espaço, há beleza nas várias formas de vencer, até mesmo nos arremessos laterais na área, nas ligações diretas, nas bolas paradas… Se o time treina e vê efetividade nessas artimanhas, não há problema, porém se não funcionam, é preciso repensá-las.

É impossível não reconhecer que há pobreza no jogo oferecido pelo Verdão e como isso limita as variações em busca de resultados. Contra o San Lorenzo isso ficou bem claro. Só que por trás de tudo há também uma evidente diferença de entrega em relação aos adversários e não dá mais para ser passivo no futebol, nem sempre a técnica e a individualidade vencerão.

A qualidade do elenco estrelado não foi capaz de vencer, por exemplo, o Mirassol, a Ferroviária e o Novorizontino, todos fora de casa. Nesses três jogos o time aparentou a mesma apatia, o mesmo desinteresse, a mesma soberba de quem acha que não precisa se esforçar para buscar uma vitória. E para buscar os três pontos é necessário fazer gols, outro grande sacrifício.

Se vencer parece ser um fardo, balançar a rede adversária tem sido uma provação nesta temporada. Além da falta de pontaria de alguns jogadores, da falta de inspiração dos armadores e das bolas paradas mal executadas, a equipe aparenta não ter fome de gol que, até onde se tem conhecimento, é o objetivo desse esporte. Podemos enumerar elencos muito piores, mas com muito mais desejo pelo êxtase do futebol do que o Palmeiras.

Caso ambicione levantar, pelo menos, uma taça neste ano, Felipão terá que conseguir mudar a postura de seus comandados, mas se o objetivo é levar as quatro que disputa, tem a obrigação de transformar completamente o espírito que se viu nesses mais de dois meses de competições oficiais em 2019. Não basta ter dinheiro, ter estrutura, ter elenco e ter camisa, precisa querer mais e se não quiser, certamente haverá quem queira.

Obs.: As opiniões acima pertencem apenas ao autor texto



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